No momento em que pisar no gramado do Arruda, na noite desta quarta-feira, o zagueiro Alemão vai ter um reencontro especial com o passado. Do outro lado da risca central do gramado, estará frente a frente com o Rio Branco-ES, time de coração do nos dias atuais atleta profissional. A torcida pelo Capa-Preta era fervorosa.

Coisa de amor mesmo. Que não se mede.

A ponto do antes Rafael Berger, na adolescência, colecionar viagens para fora das terras capixabas só para ver equipe em ação.- Era terminar um jogo para pensar no outro.

Juntava dinheiro, às vezes meu pai me dava, era uma época muito boa. Fazia refeições na estrada nessas viagens para ver o Rio Branco.

Eu era muito torcedor.A paixão de Alemão pelo Rio Branco-ES começou com o pai, outro fã do clube.

A família residia próximo ao Estádio Kleber Andrade. Assim, não tinha jeito.

Quase todo confronto, ele estava nas arquibancadas para prestigiar a equipe do coração. – Fui de ônibus ver vários jogos do Campeonato Capixaba.

Mas fui para dois em Minas Gerais, contra o Ipatinga-MG e contra o Tupi-MG, pela Série C. Era meu time do coração mesmo.

Até os meus 18 anos, que eu somente estudava, não perdia um jogo. Depois comecei a entrar de vez no futebol, viajei para seguir minha carreira, saí de casa e aí me afastei.

O sorteio era à tarde. E a gente saiu para treinar.

Quando cheguei no
hotel, vi que era o Rio Branco o adversário do Santa e o coração explodiu de alegria.Alemão lembra que, depois de se tornar profissional, não voltou mais ao Estado natal como jogador.

torceu muito por isso. Na pré-temporada em Chã Grande, Agreste pernambucano, chegou a comentar com familiares: “Seria bom se o Santa pegasse o Rio Branco na Copa do Brasil.

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”  – O sorteio era à tarde. E a gente saiu para treinar.

Quando cheguei no hotel, vi que era o Rio Branco e o coração explodiu de alegria. Foi uma emoção muito grande.

Saber que podia jogar de novo lá no Espírito Santo, com minha família assistindo, contra o time da minha infância. Seria bom, mas não deu.

O zagueiro ficou de fora da relação porque o técnico Marcelo Martelotte, à época, poupou titulares no primeiro confronto – vencido por 1 a 0, pelo Santa Cruz, no Estádio Kleber Andrade. Alemão não estava entre eles.

– Fiquei um pouco chateado, mas compreendi Marcelo. Era necessário dar uma poupada, mas já tinha alugado até van e ônibus para a minha família ir me ver.

Tive que cancelar tudo. Foi engraçado depois.

Agora, Alemão garante total profissionalismo. Torcia para o Rio Branco quando nem imaginava ser jogador de futebol e que, se fizer um gol, vai comemorar.

Mas, depois do jogo..

.- Se alguém quiser trocar a camisa comigo vai ser bom demais.

Vou pegar uma, com certeza. Coleciono camisas e tenho de ter a do Rio Branco, que é um clube que gosto muito.

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Fonte: Globo Esporte