Você já comeu um prato típico de Camarões? (Que fique claro que é o país, e não o fruto do mar). Se não, mais abaixo tem uma receita saborosa. Mas antes de chegar lá, é importante ler um pouco sobre a história de Joel, atacante do Santos e autor do gol alvinegro no empate por 1 a 1 com o São Paulo, no último domingo, na Vila Belmiro, pelo Paulistão.

O atacante Joel, do Peixe, não é “apenas” o atacante Joel, do Peixe. Aos 22 anos, o jogador
camaronês tem muita história para contar.

Ele chegou aos 15 no Brasil,
em 2009, passou por Iraty, Londrina, Coritiba e Cruzeiro antes de chegar
ao Alvinegro. Ainda garotinho, antes de se profissionalizar,
colocou na cabeça que tentaria ser acima da média dentro e fora de
campo.

 Eu falava português, escrevia algumas coisas, mas de forma
errada. E aqui no Brasil muitas pessoas falam abreviando, escrevem de maneira
errada”Joel sempre
gostou de estudar.

Em Camarões, por causa do sistema de ensino do país,
ele teve de optar entre ciências e linguística: decidiu focar em humanas
em vez das exatas para se aprofundar ainda mais no francês, a língua
falada em sua terra natal. Antes de chegar ao Brasil, já falava também
fluentemente inglês e espanhol, que escolheu como “aulas extras”.

 Estudioso,
Joel não largou a escola quando foi trazido ao Brasil por um olheiro
camaronês. Nos primeiros meses no país, porém, antes de conseguir
conciliar os horários de treinos no Iraty, criou uma técnica própria
para aprender português.

Todo dia, antes de dormir, o camaronês via
figuras em livros de ensino e procurava pelos objetos pela casa. Na
cozinha, por exemplo, via o que era geladeira, fogão, cadeiras, mesa e
pratos e tentava decorar.

No dia seguinte, mudava de cômodo e juntava
tudo para formar frases. Foi assim que começou a falar nosso idioma.

– Eu falava português, escrevia algumas coisas, mas de forma
errada. E aqui no Brasil muitas pessoas falam abreviando, escrevem de maneira
errada.

Aí acabamos aprendendo desse jeito. A escola me ajudou a escrever certo, a
pronunciar certo.

Isto foi fundamental – explica Joel.Mesmo
depois de sete anos no Brasil, Joel não larga suas raízes.

De longe,
ele ajuda mais de 20 pessoas a terem uma condição financeira melhor na
África: irmãos, mãe, parentes mais distantes..

. Todos dependem do
atacante do Santos, que não reclama e tem orgulho do que faz pelo
próximo – isso é uma tradição em seu país.

– Hoje,
eu vivo tranquilamente, ajudo a minha família, mas tem inúmeras pessoas que vivem por
conta daquilo que eu faço. Sustento praticamente uma família inteira, e a
família africana é imensa, gigante.

Eles
me dão força e eu vou trabalhar para poder ajudá-los. Hoje, eu não estou
satisfeito com aquilo que eu tenho.

Eu quero mais – conta o atacante, que tem uma família para lá de grande..

.– Se
for para contra na ponta dos dedos, são mais de 20 pessoas.

Meu pai
faleceu. Ele tinha duas mulheres com 14 filhos.

Eu conhecia 12 e quando
ele faleceu eu conheci mais dois. Destes 12, tem duas que já são casadas.

O
resto é praticamente sustentado por mim. A família é muito grande.

São
várias pessoas que vivem, que dependem de mim hoje – completa.Apaixonado
por seus parentes e pela cultura camaronesa, o jogador do Peixe traz um
pouco de seu país para o Brasil com a culinária.

Cozinhar é um passatempo de Joel. No dia em que recebeu nossa reportagem em casa, o
atacante preparou um “pilé”, prato típico de Camarões.

 Agora, sim, vamos à receita (para oito pessoas):Ingredientes2kg de batatas1/2kg de feijão preto1 cebolaAzeite de dendê a gostoModo de preparoEm uma panela funda, cozinhe a batata;Em outra, o feijão;Retire todo o caldo do feijão, que não será utilizado;Esquente uma frigideira com o azeite de dendê e refogue a cebola;Misture tudo até que o feijão faça parte do purê de batata.Depois, basta apreciar um pouco da receita camaronesa que é rotina na casa de Joel.

Enquanto isso, ele segue correndo diariamente para sustentar mais de 20 e dar alegrias à torcida santista quando a bola rola.
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Fonte: Globo Esporte