O procurador geral do Tribunal de Justiça Desportiva de Minas Gerais (TJD-MG), Leonardo Carvalho Barbosa, protocolou nesta quinta-feira (7) uma denúncia no órgão ligado à Federação Mineira de Futebol contra o Tricordiano, devido aos acontecimentos do jogo contra o Tupi, quando o árbitro da partida relatou que foi ameaçado de morte pelo presidente do clube, Gustavo Vinagre. A denúncia foi protocolada e encaminhada ao presidente do tribunal. Em entrevista à Rádio Itatiaia, o procurador disse que redigiu a denúncia já que observou várias infrações ao Código Brasileiro de Justiça Desportiva.

O pedido da Procuradoria, conforme Barbosa, é que o clube e demais envolvidos sejam processados e punidos nos termos do CBJD, independente de eventuais punições, como por exemplo a interdição do Estádio Elias Arbex, já aplicada pela federação. Ainda conforme o procurador, as punições variam de de perda de mando de campo, interdição do local de jogo até que as condições estruturais sejam atendidas, multa e suspensão para as pessoas físicas envolvidas.

Barbosa disse ainda que espera que o caso seja levado a julgamento o mais rápido possível e que os envolvidos sejam punidos de forma exemplar “para que fatos gravíssimos como esse não venham a acontecer de jeito nenhum, até como caráter pedagógico e preventivo”. O GloboEsporte.

com tentou contato com o procurador, mas até a publicação desta reportagem, não havia recebido retorno.Ameaças e interdição de estádioApós a divulgação da súmula do jogo entre Tricordiano e Tupi-MG, a Federação Mineira de Futebol (FMF) puniu o clube de Três Corações com o fechamento do Estádio Elias Arbex, na cidade do Sul de Minas Gerais, para jogos oficiais de todas as categorias.

A medida foi feita de acordo com o artigo 22 do regulamento do Campeonato Mineiro, que diz que um estádio pode ser fechado em caso de “algum episódio de violência ou falhas graves na estrutura”. A derrota
por 1 a 0 do Tricordiano para o Tupi-MG, no último sábado, foi marcada por
vários incidentes durante e após a partida, conforme relato do árbitro Gabriel
Murta Barbosa Maciel.

Na súmula do jogo constam diversas ofensas, invasão do
gramado por pessoas ligadas ao clude de Três Corações e até mesmo uma ameaça de
morte. No
documento, encaminhado para o Tribunal de Justiça Desportiva, Murta conta que o
presidente do Tricordiano, Gustavo Vinagre, teria ofendido o juiz e feito a
ameaça.

“Você acha que vai vim aqui e fazer resultado? Eu vou te matar! Eu sou
bandido! Vou encher seu carro de bala! Você não sai daqui hoje! Você veio fazer
resultado para a Federação. Você conseguiu tudo que você queria seu safado,
ladrão!”, relatou Murta na súmula.

O Tricordiano ainda pode receber punição
mais pesada do Tribunal de Justiça Desportiva de Minas Gerais (TJD-MG). A
súmula do jogo será enviada à Justiça, que avaliará o caso.

Consequências
da puniçãoDe acordo com o ofício, o estádio ficará interditado por tempo indeterminado,
até que uma nova decisão seja publicada pelo Departamento de Competições (DCO).
Apesar do clube não ter mais jogos em casa no Estadual, a punição vale também
para a disputa das categorias de base, ou seja, o Tricordiano não poderá
disputar as categorias Sub-15, Sub-17 e Sub-20 do Mineiro no Elias Arbex.

O documento
ainda estabelece a Arena do Jacaré, em Sete Lagoas, como local para os jogos
com mando da equipe de Três Corações, sendo que o clube pode sempre mudar de
lugar, desde que comunique com 10 dias de antecedência.Clube
deve recorrer
Por
telefone, Gustavo Vinagre
disse que preferia não comentar os relatos de Gabriel Murta.

Já o diretor de
futebol do clube, Rachid Gabdem, falou sobre a súmula, mas disse que não estava
perto quando as ameaças teriam sido feitas. Ainda segundo o dirigente, ele não
invadiu o gramado para ofender o juiz, mas para retirar seus atletas que
“queriam cobrar do árbitro uma penalidade clara não marcada”.

Gabdem
ainda negou ter dirigido palavrões ao juiz. Sobre o não pagamento da taxa de
arbitragem, o diretor disse não ter conhecimento sobre o fato.

– Isto
quem tem que dizer é a presidência, que ficou responsável por esta parte. Como
eu já disse, estava conversando com os jogadores nesta hora.

Mas se realmente
ficamos sem pagar, não vai ser o primeiro nem o último time, e vamos ter que
pagar depois, como é o normal. Já sobre
a interdição do estádio, Gabdem disse nesta terça-feira que não caberia a
ele comentar o assunto, já que ele fica responsável somente pela categoria profissional
do time, mas que o clube deve analisar as medidas cabíveis e recorrer da
decisão.

Já Gustavo Vinagre não foi encontrado para comentar o caso.
.

Fonte: Globo Esporte