Pintado chegou ao São Paulo. Por quê?Porque a diretoria quer melhorar o relacionamento. Desde o
ano passado, há ruídos e faíscas entre jogadores, e deles com comissão técnica
e diretores.

Um pênalti, uma substituição, uma frase. Tudo é motivo para
picuinhas na equipe que, nesta terça-feira, às 21h45, recebe o Trujillanos, da
Venezuela, em jogo importante pela Libertadores.

Também se espera que Pintado, auxiliar-técnico de uma comissão fixa, facilite medidas na fila de
espera para serem tomadas: investimento no departamento de análise de
desempenho, tanto do atual grupo como de possíveis reforços, e maior integração
entre base e profissionais.E por que Pintado foi o escolhido?Porque ele simboliza alma, raça, garra, além de ter o boleirês,
idioma dos jogadores, que costumam criar resistência a outros perfis.

O São
Paulo espera que Pintado dê a esse time um pouco mais de alma. É o perfil
desejado.

A cara desejada.Mais uma? Desde 2008, quando o Tricolor ainda conquistava
títulos rotineiramente, houve inúmeras tentativas de dar uma identidade ao
time.

Mais rebelde, brigão, jovem, veterano, caro. Agora, focam no comportamento,
na postura, na conduta.

A maioria delas foi um fiasco.E MAIS: Pintado nega sombra a Bauza e diz que São Paulo está em reconstruçãoO São Paulo está em crise de identidade? Veja a seguir
algumas facetas do clube nos últimos tempos.

SÃO PAULO REBELDEEra 2008. Diretoria e comissão técnica chegaram à conclusão:
para ganhar a Libertadores, seria preciso um time menos bonzinho, com jogadores
mais polêmicos, que dessem mais trabalho.

Ninguém imaginaria tanto trabalho..

.
O atacante Adriano, numa contratação bombástica, o volante Fábio Santos e o
meia Carlos Alberto foram os escolhidos para deixar o São Paulo mau.

Foi um
festival de punições, polêmicas, confusões, lesões, afastamentos..

. Salvaram-se
os gols do Imperador, que não foram capazes de evitar eliminações no Paulistão
e na Libertadores.

No segundo semestre, já sem o trio, o São Paulo conquistou o
hexacampeonato brasileiro, terceiro título consecutivo.SÃO PAULO MOLEQUEFracassar na Libertadores continuou sendo um transtorno.

Em
2010, a eliminação na semifinal para o Internacional fez o São Paulo não
renovar o contrato de Ricardo Gomes. Incomodado com a dificuldade em levar
jovens ao time profissional, o ex-presidente Juvenal Juvêncio radicalizou.

Promoveu Sérgio Baresi, técnico da base, e garotos como Lucas, Casemiro, Zé
Vitor, Lucas Gaúcho, Lucas Farias, entre outros. Menos de dois meses depois,
Baresi foi afastado e Paulo César Carpegiani assumiu o comando.

Tiro n’água.SÃO PAULO LINHA-DURANada dava certo e optou-se por um choque.

Quase
literalmente. A diretoria aceitou sugestão de Abílio Diniz e contratou Emerson
Leão no fim de 2011, para tentar salvar uma campanha irregular no Campeonato
Brasileiro.

Não salvou. A Copa Sul-Americana também foi para o buraco, e, mesmo
assim, o contrato do técnico foi renovado.

Ele entrou em atrito com veteranos
como Rogério Ceni e Luis Fabiano, e isso, por incrível que pareça, agradou
alguns dirigentes. Mas o mau futebol vitimou Leão em 2012, e mais um projeto tricolor
naufragou.

SÃO PAULO CAROPaulo Henrique Ganso, Luis Fabiano, Jadson,
Alexandre Pato, Denilson, Cícero, Osvaldo, Kaká..

. O jejum de títulos incomodou,
e o São Paulo decidiu apostar em nomes consagrados, badalados, disputados pelo
mercado.

Com alguns reforços, desembolsou quantias hoje completamente inviáveis
– não à toa, a situação financeira do clube é terrível. Fabuloso, contratado em
2011 e Ganso, no ano seguinte, por exemplo, custaram juntos quase R$ 37
milhões.

Por Jadson, foram mais R$ 9 milhões. Ele foi emprestado para o
Corinthians em troca de Pato, que recebeu, por dois anos, R$ 400 mil por mês do
Tricolor.

Todo esse investimento resultou em apenas um título: o da
Sul-Americana de 2012, cujo principal jogador foi Lucas, revelado nas
categorias de base do clube.
.

Fonte: Globo Esporte