Sábado à noite, Laranjeiras, escuridão, silêncio e alguns seguranças do Fluminense. O motivo? Fred ainda estava no clube mesmo horas após o fim do treino. Em meio a um jejum de oito jogos e, principalmente, rusgas com o técnico Levir Culpi, o atacante se reuniu com a diretoria, alegou
problemas particulares e não viajou para enfrentar o Volta
Redonda.

Seu casamento com o Tricolor parece viver uma eterna montanha-russa de altos e baixos. Nos últimos sete anos, viveu uma relação de amor e ódio com a
torcida.

Idolatrado e por vezes perseguido, já se declarou e
também ameaçou sair. O último abalo dessa história aconteceu neste fim de semana.

A reapresentação do jogador está marcada para a próxima terça-feira, dia do novo e decisivo capítulo. Até lá, um grande
ponto de interrogação fica no ar: qual será o futuro do camisa 9?A longa reunião nas Laranjeiras não foi uma conversa qualquer.

Basta analisar o elenco presente: além de Fred, seus representantes Rodrigo Chaves (irmão e empresário) e Francis Melo (assessor que também cuida da carreira do jogador) se reuniram com o presidente Peter Siemsen e o diretor executivo de futebol Jorge Macedo. Durante o papo, não foi levantada a chance de o atacante deixar as Laranjeiras – apesar de a possibilidade não ser descartada nem algumas correntes do clube.

Respeitando a história do capitão no Flu, a diretoria aceitou liberá-lo até a próxima terça. Todos os participantes da reunião deixaram o clube após às 20h30 e em meio à escuridão da noite de sábado.

Ninguém quis falar com a imprensa.Fred pós-lesão no Flu:Tombense – saiu aos 15m do 2ºTMadureira – jogou os 90 minutosBangu – saiu aos 29m do 2ºTBoavista – saiu aos 13m do 2ºTFlamengo – saiu aos 12m do 2ºTA expectativa é grande para saber qual será o discurso de Fred no retorno.

A verdade é que o camisa 9 teve algumas rusgas recentes com o técnico Levir Culpi, principalmente por causas das seguidas substituições. Desde que voltou de lesão, o capitão disputou cinco jogos e foi sacado em quatro.

Em três deles, contra Tombense, Boavista e Flamengo, saiu antes dos 15 minutos do segundo tempo. Algo até certo ponto explicável pelo retorno de lesão e da necessidade de dar ritmo de jogo a quem pode ser titular na final da Primeira Liga – Fred, suspenso por cinco jogos após agressão ainda na estreia, não joga.

 O jejum de oito partidas sem marcar potencializa ainda mais a insatisfação do atacante. A última bola na rede foi em 11 de fevereiro.

Já são 59 dias de seca, número que contrasta com os dez jogos de invencibilidade do Flu. Pelo menos neste momento, a ”Fredependência” não existe.

A vitória sobre o Madureira, coincidentemente o único jogo da lista que Fred jogou até o fim, foi marcada ainda por uma discussão no vestiário. No intervalo da partida, o capitão reclamou muito com os mais jovens de que a bola não estava chegando.

Levir o interrompeu e disse que quem falava ali era ele. O camisa 9 não gostou.

Para piorar, ainda perdeu um pênalti no segundo tempo e manteve o jejum. Na última quarta, quando foi sacado aos 15 minutos da etapa final contra o Tombense, o atacante deixou o estádio sem falar com ninguém.

Perguntado sobre as constantes substituições, o treinador respondeu com a sinceridade de sempre.- Um cara me perguntou: ”A saída do Fred foi um
pedido dele?”.

Eu respondi: ”Não, foi um pedido meu” (risos). É
incrível como as pessoas passam a liderança para um cara que não tem
que assumir a liderança do clube.

Fred tem que assumir a liderança do
time. Aliás, é um líder natural.

Não acho que ele deve receber todo esse
peso que dão a ele. Não pode comandar o clube, a não que que pare de
jogar e assuma o comando.

Ai fica tranquilo, ele manda, dá as cartas –
disse Levir ao programa ”Esporte Fantástico”, exibido no sábado pela Rede
Record.Fred tem que assumir a liderança do
time.

É um líder natural. Não acho que ele deve receber todo esse
peso que dão a ele.

Não pode comandar o clube, a não que que pare de
jogar e assuma o comando. Ai fica tranquilo, ele manda, dá as cartas.

O treinador é conhecido por não ter medo de bater de frente com jogadores consagrados no clubes em que trabalha. Foi assim com Ronaldinho Gaúcho e Diego Tardelli em seu último clube, o Atlético-MG.

Fato é que as reclamações de Fred foram o assunto nos bastidores das Laranjeiras na última sexta, dia da reapresentação do elenco após a vitória pela Copa do Brasil. Diante do problema, o presidente Peter Siemsen teria até adiado o anúncio do novo vice-presidente de futebol, que já está definido e o nome segue em sigilo.

Em meio à birra com Levir, o camisa 9 esbravejou: ”Então me empresta para outro clube brasileiro”. Caso o jogador queira deixar as Laranjeiras, o futebol nacional é uma das poucas opções possíveis.

Palmeiras e Cruzeiro demonstraram interesse em um passado recente. No evento deste sábado para torcedores no futuro CT do Flu, membros da diretoria falavam sobre a possibilidade de Fred defender o clube paulista.

No exterior, todas as janelas de transferência dos principais centros do futebol mundial estão fechadas. Nos mercados emergentes, apenas a dos Estados Unidos segue aberta até o início de maio.

A possível saída, aliás, não preocupa algumas cabeças importantes nas Laranjeiras por causa do alto custo de Fred: salário de R$ 800 mil – com direito a pedido recente de aumento para atingir a casa de R$ 1 milhão – e contrato até dezembro de 2018. Não foram poucas as vezes que o adeus do camisa 9 tricolor foi cogitado desde quando ele chegou ao clube, em março de 2009.

A mais recente foi uma proposta da China. Nada, no entanto, se concretizou.

Após a reunião de sábado, a reportagem do GloboEsporte.com tentou contato com a diretoria tricolor e com os representantes do jogador, mas não conseguiu contato.

Estaria o casamento de sete anos entre Fred e o Fluminense perto do fim? A torcida terá de esperar até a próxima terça-feira para saber as cenas dos próximos capítulos.
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Fonte: Globo Esporte