A zona mista, corredor por onde passam os jogadores depois
de cada jogo, nem parecia ser da seleção brasileira. Ter cedido o empate ao
Uruguai após abrir 2 a 0 com bom futebol, na noite da última sexta-feira, na
Arena Pernambuco, provocou um festival de sinceridades raríssimo na equipe,
que, habitualmente, nega o mau futebol com clichês do tipo “só faltou a bola
entrar”.Dessa vez, dos mais experientes aos novatos, os próprios
atletas espinafraram a postura individual e coletiva na partida.

Foi consenso que o futebol encantador de muitos momentos do
primeiro tempo deveria ter sido suficiente para construir um placar tranquilo,
e que os muitos erros da etapa final são inaceitáveis para uma seleção com
tantos jogadores renomados como a do Brasil.Questionado, por exemplo, se o time não era totalmente
confiável, Daniel Alves respondeu:– Estou de acordo.

Fazer dois tempos tão diferentes não é
para uma seleção do nível dos nossos jogadores. Não podemos oscilar tanto
durante o jogo e na competição, senão a dificuldade, que já é grande, torna-se
muito maior.

Temos que rever conceitos, repensar e buscar equilíbrio – disparou
o lateral-direito.Um dos destaques do início do jogo, quando deu assistência
para Douglas Costa marcar, Willian, que se manteve com 100% de participação na
seleção de Dunga – atuou nos 21 jogos sob o comando do treinador –, também não
aliviou ao comentar a postura dos jogadores.

– Poderíamos ter controlado melhor o jogo. 2 a 0 é um
resultado perigos, mas, jogando em casa, não poderíamos de forma alguma ter
tomado o empate.

Tomamos o gol no começo do segundo tempo, eles passaram a
marcar atrás da linha da bola e sair nos contra-ataques. Dificultou, mas não
temos tempo para lamentar – afirmou o jogador do Chelsea.

Muito criticado, o setor defensivo foi representado por
Miranda na zona mista, já que David Luiz preferiu não dar entrevistas – assim como
Ricardo Oliveira. Neymar, sorteado para o doping, também não passou pelo
corredor.

O zagueiro da Internazionale não teve nenhum pudor ao
admitir que nem ele nem seu companheiro de defesa tiveram boas atuações.– Infelizmente, eu e o David não estivemos bem.

Enfrentamos
grandes atacantes e acredito que eles foram superiores jogando na força, na
trombada. Nossa defesa é sólida, mas hoje não estava numa noite feliz – afirmou
o sincero Miranda, que também deixou a receita para um resultado melhor na
terça-feira, em Assunção, contra o Paraguai.

– Jogar como se fosse uma final, com um pouco mais de garra,
organização e vontade.Outro que teve o desempenho contestado foi o goleiro
Alisson.

Para muitos, embora ele tenha garantido a vitória ao fazer bela defesa
nos minutos finais, em chute forte e frontal de Luis Suárez, a finalização do
atacante do Barcelona que entrou, no início do segundo tempo, e definiu o
empate por 2 a 2, era defensável.Alisson evitou uma análise definitiva, mas deixou clara a
frustração pelo lance.

– Eu já revi o gol, mas a defesa não – revelou o artilheiro,
cerca de uma hora após o fim do jogo, para depois completar:– É um lance complicado. Eu me cobro muito, às vezes em
lances que não tenho culpa alguma procuro me corrigir.

Foi um chute difícil, em
curta distância, ainda mais com o Suárez, um dos melhores finalizadores do
futebol mundial. Sempre vou acreditar que poderia ter dado um pouco mais, sou
muito autocrítico.

Tocar na bola dá a sensação de que ela talvez fosse
defensável. Vou trabalhar mais para tentar evitar da próxima vez – disse.

Depois do surto de autocríticas, o Brasil viajou a Porto
Alegre, onde treinará sem a presença de jornalistas neste sábado. No domingo e
na segunda-feira, a preparação será concluída na capital gaúcha, antes da
viagem para Assunção, onde, na terça-feira à noite, a Seleção tentará se manter
na zona de classificação para a Copa do Mundo de 2018 contra o Paraguai, às
21h45 (de Brasília).

Atualmente, o Brasil ocupa a terceira colocação,
perseguido de muito perto por Paraguai e Argentina, ambas com os mesmos oito
pontos da Seleção, além de Chile e Colômbia, com sete.
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Fonte: Globo Esporte