O Uruguai esteve muito perto de conseguir um feito histórico nesta sexta-feira: impor ao Brasil a sua primeira derrota como mandante na história das eliminatórias. No fim, o empate por 2 a 2 deixou ambas as seleções com o gostinho de que o resultado poderia ter sido melhor. Apesar da chance desperdiçada, o técnico Óscar Tabárez  comemorou a reação de seus jogadores e disse que não há justiça no futebol.

– Com minha pouca experiência no futebol, posso dizer que não creio em justiça. Futebol é defender bem e criar situações.

Só que há muitos imprevistos. Não podemos falar de justiça.

Se olharmos os primeiros 20 minutos de jogo, não foi justo o Brasil empatar. Se olharmos o segundo tempo, o empate e até a vitória do Uruguai seria justa.

Por isso o futebol é tão bom, nem sempre ganha quem joga melhor. Ganhar é sair de campo com os três pontos.

Superamos uma situação muito difícil. O Brasil dominou no primeiro tempo.

O gol do Cavani foi muito importante. Povoamos o meio-campo no segundo tempo e tivemos a sorte de marcar no início.

Não quero pensar no fim do jogo, porque poderíamos ter vencido. As eliminatórias são longas.

No fundo, empatar o Brasil dessa maneira me parece um ponto conquistado e não dois perdidos.O confronto diante do Brasil marcou ainda o retorno de Suárez à Celeste.

Após quase dois anos de suspensão pela mordida em Chiellini na Copa do Mundo de 2014, o camisa 9 voltou com direito a gol, boa atuação e elogios do comandante.- E um jogador que já não se pode qualificar.

Um atacante muito decisivo. O conheço desde o início, do sub-20 em 2006.

Tem uma trajetória maravilhosa nos desafios e na forma como os superou diante das dificuldades que os erros lhe causaram. Temos que valorizar isso.

Suárez teve três chances no jogo, fez o gol e perdeu no fim. Até acho que ele finalizou bem, já devia estar cansado, mas o goleiro foi muito bem.

É um jogador que luta literalmente em campo. Quando iniciamos as eliminatórias sem Suárez, eu disse que o Uruguai teria o melhor reforço de todos.

Nenhuma seleção a essa altura vai receber um jogador dessa capacidade e experiência. Apesar de todos os elogios, Tabárez fez questão de tentar tirar a pressão de seu capitão.

Tem medo de que isso lhe traga problemas no futuro.- É bom ficar claro: o Uruguai não é Suárez e mais 10.

Temos uma equipe. Não queremos colocar essa pressão nele, de que as coisas dependem dele.

Isso já o levou a cometer erros. O consideramos um jogador a mais.

Mas obviamente que me alegra tê-lo na seleção.
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Fonte: Globo Esporte