De sorriso no rosto, Taison posa em suas casa em Kiev munido de uma cuia para chimarrão. Também com alegria estampada, o gaúcho de Pelotas surge no jardim e brinca com a neve. Uma única incursão na conta do jogador no Instagram é suficiente para perceber sua adaptação plena à Ucrânia.

São seis anos no Leste Europeu – quatro de Shakhtar Donetsk. Tempo suficiente até para arranhar palavras em russo.

E que já soa mais do que bastante para o brasileiro, um dos tantos do clube em busca de uma liga de maior expressão.Aos 28 anos, Taison sabe bem o que quer para a carreira.

Se ampara nas saídas recentes de Douglas Costa, ao Bayern, e de Luiz Adriano, ao Milan, e vê o clube mais aberto a liberar jogadores. Assim, se inspira no sucesso recente – chegou a anotar hat-trick na goleada por 8 a 1 sobre o Metalist, seu ex-clube – para brilhar diante do Braga, nesta quinta-feira, às 16h, pelas quartas de final da Europa Liga.

Seu horizonte é claro: busca protagonismo no torneio continental e o título nacional para despertar novamente o interesse das grandes ligas europeias. LEIA MAIS> Taison anota hat-trick em vitória do Shakhtar> Veja a tabela completa da Liga Europa– Eu quero ir bem na Liga Europa e ser campeão do Ucraniano.

A Liga Europa dá um olhar diferente. Já são seis anos de Ucrânia, entre Metalist e Shakhtar.

Está na hora de dar um passo maior, de defender um outro clube em outro campeonato. Eu sempre tive o sonho de disputar o Campeonato Inglês.

É difícil (sair). Já recebi propostas do Atlético de Madri e do Benfica.

Eles (Shakhtar) sempre foram difíceis, mas estão vendendo um jogador por janela. Com a saída dos guris, senti que estão mais liberais – afirma o jogador.

Protegido do frio da gélida capital ucraniana em seu carro, Taison conversou por telefone com a reportagem do GloboEsporte.com.

Mesmo à distância, a alegria é nítida em seu tom de voz a cada resposta, sempre sincera. Grato ao Shakhtar, o atacante fala de seu momento e projeta o futuro, nunca sem deixar para trás as origens.

Leva com orgulho o vínculo com o bairro natal, o Navegantes II, onde passa as férias até hoje em Pelotas. Entre tantos amigos que tentaram a sorte no futebol, fez sucesso e é filho ilustre da localidade.

 Claro.Também porta no peito o carinho pelo Inter.

Fruto do Beira-Rio, Taison conquistou a Copa Sul-Americana de 2008 e a Libertadores de 2010 pelo Colorado. Deixa no ar um retorno ao clube:– A torcida sempre que eu vou ao Beira-Rio me pede para voltar.

Quem sabe um dia?> Confira a entrevista completa:GloboEsporte.com: O Shakhtar vive bom momento.

Briga pelo título do Ucraniano e está nas quartas da Europa Liga. Como vocês se preparam para a reta final da temporada?Taison: Estamos passando por um momento bom.

Estamos nas quartas de final da Liga Europa. Acabamos perdendo a liderança no Ucraniano, mas temos o duelo direto com o Dínamo.

Podemos alcançar ele. Esperamos poder passar pelo Braga, mas vai ser muito difícil.

Ia ser muito bom.”Já são seis anos de Ucrânia, entre Metalist e Shakhtar.

Está na hora de dar um passo maior. Eu sempre tive o sonho de jogar o campeonato Inglês.

É difícil sair, mas senti que estão mais liberais Acha que a equipe pode ser campeã da Liga Europa?É difícil. Nós saímos da Champions, aí, a Liga Europa fica mais forte, com Borussia Dortmund, com Liverpool, o Sevilha, que é bicampeão, e o Manchester, que já caiu, como o Tottenham.

A gente tirou o Schalke 04 e o Anderlecht. Tem que ser passo a passo.

Vamos ver. Você esteve em Porto Alegre em dezembro para participar do jogo do D’Alessandro e manifestou o desejo de deixar o Shakhtar.

Segue com esse pensamento?Eu quero primeiro ir bem na Liga Europa e ser campeão do Ucraniano, com meus companheiros. Tenho que ir passo a passo, mas ir para uma liga diferente, de mais expressão, sempre é um objetivo, e a Liga Europa dá um olhar diferente.

Já são seis anos de Ucrânia, entre Metalist e Shakhtar. Está na hora de dar um passo maior, de defender um outro clube em outro campeonato.

Tem algum campeonato em especial em que quer atuar?Eu sempre tive o sonho de jogar o Campeonato Inglês. Eu quase fui para o Chelsea, mas não deu por causa do passaporte, do limite de estrangeiros.

Tenho que seguir trabalhando, que as equipes estão de olho. Como falei, é fazer uma boa Liga Europa para poder ver algo melhor.

E há alguma proposta concreta no momento?A gente sempre tem proposta. Já teve do Atlético de Madri, do Benfica.

..

Eu converso com meu empresário, mas o Shakhtar me dá todo o suporte, mesmo passando por um período difícil, o presidente nunca deixou faltar nada. Eu tenho mais dois anos.

Quero dar o Ucraniano e a Copa e ir bem na Liga Europa. Depois, vamos ver.

O Inter te procurou em 2016? Teve algo de concreto?Cara, até teve conversa, mas eu sempre deixei bem claro que é muito difícil. Eu respeito o Inter, agradeço muito por todo.

A torcida sempre que eu vou ao Beira-Rio me pede para voltar. Quem sabe um dia? Tem muito tempo ainda.

Quero jogar outro campeonato, mas depois, quem sabe?O Shakhtar é conhecido por fazer jogo duro para vender jogadores, mas recentemente liberou Luiz Adriano, Douglas Costa, Alex Teixeira… Você acha que eles estão mais liberais?É difícil, eles sempre foram difíceis, mas estão vendendo um por janela. Já saíram Douglas, Luiz, Teixeira… Eles estão bem.

É bom trabalhar sempre. Com a saída dos guris, senti que estão mais liberais.

Já saíram três, quatro. Isso também faz o clube ficar bem visto na Europa.

E você acha que sair do Shakhtar pode facilitar uma convocação à Seleção? Isso passa pela sua cabeça?Sempre passa, mas o Douglas e o Luiz estavam aqui conosco e foram convocados depois da campanha na Champions. Eu sempre tive o sonho.

Estou trabalhando forte, esperando o momento de ser visto.A gente sempre vê os brasileiros do Shakhtar manifestando desejo de sair.

O ambiente no clube é ruim?Não. Não dá para reclamar do clube.

Nunca nos deixou faltar nada. Sempre cumpriu com a obrigação.

Sempre pagou em dia. Não tenho do que reclamar.

Na verdade, sou bastante agradecido por tudo.Futebol à parte, já são seis anos de Ucrânia.

Claro que já deu para se adaptar, mas e aprender russo?A gente fica mais com os brasileiros, mas já consigo falar russo. Eu arranho.

Dá para se defender. A língua é uma das piores coisas no começo, junto com o frio, mas é bom aprender, conhecer a cultura deles.

Eu respeito o Inter, agradeço muito por todo. A torcida sempre que eu vou ao Beira-Rio me pede para voltar.

Quem sabe um dia? Tem muito tempo ainda. Quero jogar outro campeonato, mas depois, quem sabe?Quando a guerra civil eclodiu, em 2014, o Shakhtar teve de deixar Donetsk rumo a Kiev.

Como está o clima aí agora?Primeiro, ficamos em um hotel, depois o clube nos mudou para apartamentos, mas eles nos deram todo o suporte. Estamos bem, adaptados a Kiev.

Está um paraíso. É a capital da Ucrânia, é uma cidade maior, com mais estrutura.

Bem melhor. O único problema é o trânsito.

Lá em Donetsk, sim, que segue complicado com a guerra. O difícil, também, é jogar fora do estádio.

Você é bem apegado a seus amigos e à família em Pelotas. A gente vê que você volta sempre que pode ao Navegante II, até para ajudar o pessoal mais necessitado.

Pô, claro. Tenho uma relação muito forte com o pessoal, da minha infância, com minha família.

Foi o bairro em que eu nasci, em que eu cresci. Essas coisas, eu não consigo deixar para trás.

Meu bairro, meus amigos. Eu tenho muitos amigos que precisam.

Em Pelotas, eu já cuidei de carro, quando mais novo. São as mesmas pessoas que ainda estão lá.

Eu faço isso de coração. Não é para aparecer.

É para ajudar as pessoas.E seus amigos e família não te visitam? Não dá saudades?Bastante.

Dos meus irmãos, dos meus amigos. Minha mãe passa aqui um tempo, mas depois volta para o Brasil, minha filha de sete anos, também.

Vem para cá, depois volta. A gente sente falta, mas graças a Deus, posso dar uma vida melhor.

Eles têm orgulho de mim. Muitos amigos trabalham e tentam a sorte no futebol.

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Fonte: Globo Esporte