As primeiras declarações de Luiz Carlos Ferreira evidenciam qual será o principal artifício do experiente treinador para tentar inflamar o elenco do XV de Piracicaba. Com um discurso até certo ponto folclórico, entre frases de efeitos e termos inusitados, o técnico pautará a preparação para o duelo contra o Oeste, domingo, em Itápolis, no aspecto motivacional. Aos 63 anos, Ferreirão preza pelo relacionamento com os jogadores.

Até por isso a delegação está concentrada em São José do Rio Preto, para intensificar o convívio. A conversa com o elenco guiará os trabalhos do técnico.

A tendência é que a parte tática fique mais sob o comando de Ronaldo Guiaro, técnico do sub-20 que foi promovido a auxiliar do profissional para a última rodada do Campeonato Paulista. Até porque, para Ferreirão, a única saída para o Nhô Quim diante da necessidade é partir para o tudo ou nada, como um “kamikaze”.

– Eu sempre tive um vínculo muito forte com o XV, fiquei feliz em ser lembrado nesse momento. Sempre fui treinador de situações possíveis e impossíveis.

Nós precisamos de um time “kamikaze” nesse jogo. Vai jogar quem conseguir atingir o limite máximo.

Caso contrário dificilmente vamos conseguir alguma coisa – comentou Ferreirão, deixando claro que priorizará uma formação ousada para o duelo em Itápolis, marcado para as 16h. Eu falo para os jogadores que teremos de ter muita audácia, muito querer.

Se eles estiverem rezando um pai nosso, que rezem cinco agora. É buscar a fé em todos os momentos.

Faltou algo disso em algumas partidas, dava para ter vencido alguns jogos assim O treinador também não abre mão da fé. Tanto que pede para os jogadores rezarem até cinco vezes mais do que estão acostumados.

Tudo é válido para capitalizar energia positiva na situação delicada que o XV vive. Com 14 pontos, na 17ª colocação no geral, o Nhô Quim precisa fazer a sua parte e ainda torcer por uma complicada combinação de resultados.

São necessários três tropeços entre Ferroviária, Água Santa, Botafogo e Mogi Mirim, concorrentes diretos na luta contra o rebaixamento. – Eu acredito.

Nesses últimos cinco anos, tudo foi muito difícil para mim, na base da superação. Eu falo para os jogadores que teremos de ter muita audácia, muito querer.

Se eles estiverem rezando um pai nosso, que rezem cinco agora. É buscar a fé em todos os momentos.

Faltou algo disso em algumas partidas, dava para ter vencido alguns jogos assim – comentou. O discurso de Ferreirão vai de encontro ao que a diretoria do XV buscava ao demitir Narciso e contratá-lo.

O objetivo era dar um choque de gestão no elenco, em uma cartada final para evitar a queda. Resta saber se os jogadores vão comprar a ideia.

Ou entendê-la. 
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Fonte: Globo Esporte