De forma tranquila, olhar obstinado e acompanhado da fiel Shakira, uma cachorrinha da raça shitsu, Alisson Becker caminha para receber o GloboEsporte.com ao final de um treino do Inter, realizado no CT do Parque Gigante. Acostumado aos microfones e holofotes, mostra habilidade no discurso – a mesma que tem sob as traves.

Não teme falar dos obstáculos da profissão e de “tudo menos futebol”: casamento, assédio, vida pessoal e..

. da Shakira, é claro.

 O capitão colorado não encanta apenas pelo talento. Ganhou o apelido de “muso” dos próprios companheiros e é chamado assim até pelo técnico Argel.

Embora demonstre bom humor ao garantir que “manda em casa”, diz que tanto a esposa Natália quanto ele conseguem conviver com o assédio.> Alisson tem meta de ser o melhor do mundo> Na Seleção, goleiro promete cobrar veteranosSe evita a badalação, Alisson brilha os olhos ao falar sobre Senna.

Mesmo que não tenha o visto correr, tem o ex-piloto de Fórmula 1 como ídolo. Principalmente pelas atitudes e por ser a esperança ao povo em uma época na qual os brasileiros sofriam com a instabilidade política.

Cenário que se assemelha ao período atual. Com vínculo até 9 de novembro de 2016, Alisson seguirá os passos do ídolo colorado Paulo Roberto Falcão e atuará pelo Roma, mesmo que se feche para o tema.

Os italianos desembolsarão € 7 milhões (R$ 28,42 milhões). O jogador de 23 anos tem seus direitos divididos entre Inter, detentor de 50%, o procurador José Maria Neis (40%), e ele próprio (10%).

Confira a íntegra da entrevista descontraída com o goleiro colorado: GloboEsporte.com – Quem é o Alisson?Alisson – Sou um cara extremamente tranquilo, na minha, muito caseiro.

Quem me conhece sabe que gosto de fazer programa com a família, esposa e amigos. Dificilmente faço algo diferente disso.

De vez em quando, nas folgas, gosto de uma viagem curta, ir para Gramado, curtir a Serra gaúcha. Curto também ir para o interior, gosto muito do campo, de pescar.

Sou um cara simples, de criação simples. Busco dar meu melhor sempre no que eu faço, não só no futebol.

Era um bom aluno na escola?Até certo ponto sim, até precisar definir uma prioridade. Depois que defini prioridade maior para o futebol, acabou ficando um pouco de lado o estudo.

Sempre tentei conciliar as duas coisas, mas chega um momento em que é preciso definir. Até a oitava série eu conseguia estudar.

Depois, passou a ser complicado. Começaram os treinos em dois turnos, estudava à noite.

Comecei também a ir para seleção de base, o que acabou atrapalhando um pouco, entre aspas, a questão dos estudos.Mas sou um cara que procura sempre estar por dentro de notícias, acabo lendo um livro de vez em quando.

O livro que mais leio é a Bíblia, me apego muito nessa questão da religião e em Jesus. Acabo lendo algum livro motivacional.

“Fora do Comum” foi o último que li, baseado em fatos reais (história do ex-jogador e técnico de futebol americano Tony Dungy). Foi um dos únicos que ganhou a NFL tanto como jogador quanto como treinador.

Acabo lendo mais esse tipo de coisa. Procuro ficar alheio de vez em quando também a notícias de futebol, senão a gente enlouquece.

Quando está com amigos fora do futebol, o que gosta de falar?A gente fala de tudo. Um pouco de trabalho, é inevitável falar de futebol.

Eu amo futebol, gosto sempre de estar vivendo isso, independentemente do lugar onde eu frequente, sempre as pessoas conversam sobre futebol. E eu gosto de debater.

Lógico, com quem tem opinião ponderada e imparcial. É difícil discutir com fanático, seja de qualquer clube.

Às vezes, perde a razão. Gosto muito de uma boa música.

Como um gaúcho, gosto de um bom. Vai para a cozinha ou só come?Eu me arrisco.

De vez em quando eu gosto, mas sou um pouco preguiçoso. Mas não tem preguiça nenhuma para o churrasco, eu faço com o maior gosto.

Normalmente é nas segundas-feiras que tenho folga e acabam transformadas em domingo. Quando tem uma folguinha, aí assumo o papel de assador.

É uma das minhas alegrias. O churrasco agrada bastante a todo mundo que prova.

Tinha algum apelido de infância?Nunca tive muito apelido. Algumas pessoas me chamam de Ali.

Mas pouquíssimas. A maioria me chama pelo meu nome.

Em casa, o Alisson é líder ou só cumpre o que a primeira dama manda?Com certeza, sou líder. Não tenho nem rodeio para afirmar (risos).

Escuto as pessoas falarem muito da época do Ayrton Senna como exemplo. Nós assistimos a documentários nos quais vemos pessoas falando que a alegria da vida era ir para frente da TV torcer para o Ayrton.

 Como vê o cenário atual do país com essas manifestações e protestos?É muito complicada essa questão política, cada um tem sua opinião. A gente sente um pouco de vergonha quando enxerga alguns assuntos sobre corrupção, o que os governantes do nosso país estão fazendo.

Falta uma vergonha para todos eles que têm algum tipo de culpa. Ninguém é dono da verdade.

Quem tem culpa precisa pagar por isso. Cada um tem sua opinião e, às vezes, você não sabe em quem acreditar.

É muita informação.Por ser o goleiro titular da Seleção, acha importante demonstrar essa postura de mudança para o país, ser exemplo?O momento que o país vive afeta tudo, como o futebol, que é a maior paixão do povo brasileiro.

Às vezes, as pessoas acabam descontando essa raiva, e isso nos trás certa indignação. Com o perdão da palavra, é uma sacanagem o que se faz com o povo.

É um absurdo o tanto de corrupção que existe, quando a gente vê o número dos desvios. O futebol é um meio de trazer alegria para o povo.

Nós sentimos essa responsabilidade.Escuto as pessoas falarem muito da época do Ayrton Senna como exemplo.

O Brasil não tinha um ídolo e referência tão grande e vivia num momento tenso politicamente, com diferença de classes sociais. Ele surgiu como uma inspiração e uma alegria para as pessoas.

Nós assistimos a documentários nos quais vemos pessoas falando que a alegria da vida era ir para frente da TV torcer para o Ayrton, com a certeza que ele ia ganhar. Acabo me arrepiando um pouco quando falo isso.

Nós, jogadores, temos a capacidade de gerar esse sentimento.Como é o Alisson casado? O que mudou?Mudou um pouco a rotina.

Antes, fazia mais coisas com amigos e familiares, coisas que um solteiro faz. Hoje, faço mais coisas com minha esposa.

Não deixando de lado amigos e família. Mas não mudou muito minha rotina em relação a trabalho.

Como você e ela (Natália Loewe, esposa), principalmente, convivem com assédio?É uma situação única para nós. Mas a gente tem lidado bem.

O carinho que tenho recebido das fãs ou dos fãs sempre é grande. Tudo o que tenho recebido é sempre uma coisa carinhosa, sem passar do limite.

E quando passa, eu já saio fora também. Em respeito à minha esposa e à minha pessoa.

  Se não fosse jogador, seria modelo?Nunca parei para pensar muito no que seria se não fosse jogador. Eu sempre tive muito bem focado na minha cabeça em ser jogador.

As coisas se encaminharam bastante para que isso acontecesse. Às vezes, me pergunto.

Acho que estaria estudando, talvez teria seguido uma carreira militar, que é uma coisa que eu gosto.Poderia apresentar a sua cachorrinha Shakira?A Shakira é a Shakira (risos).

É a nossa cachorrinha, minha e da minha esposa. Acabei adotando ela.

Algumas vezes fica na casa da avó da minha esposa, quando a gente tem algum compromisso e fica mais de um dia fora. É uma baita companheirinha.

Nos momento que a gente está sozinho, nos momentos que não estou em casa, faz companhia muito boa para minha esposa. Está sempre do meu lado em casa também.

Hoje, veio até me buscar no treino. Eu que dou comida para ela (risos).

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Fonte: Globo Esporte