Cidade com DNA mais carioca de Minas Gerais, Juiz de Fora se acostumou ao longo das últimas décadas a servir como casa para os quatro grandes clubes do Rio de Janeiro, abrindo as portas do Estádio Municipal Radialista Mário Helênio. Receber dois deles ao mesmo tempo, então, é algo raro e que movimenta o município, como o Botafogo x Flamengo deste sábado, às 16h, pela quinta rodada da Taça Guanabara. Mas você sabia que não é a primeira vez desse clássico no local? Pois é.

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Há 19 anos, Alvinegro e Rubro-Negro disputaram um amistoso preparatório para o Campeonato Brasileiro que terminou com gols anulados, placar em branco e um troféu decidido com o cara ou coroa como critério de desempate (veja no vídeo acima).Foi no domingo do dia 15 de junho de 1997.

O Flamengo do técnico Sebastião Rocha tinha nomes como Júlio César, Fábio Baiano, Maurinho, Lúcio Bala, Iranildo..

. O Botafogo, treinado por Joel Santana pouco mais de um ano do título de campeão brasileiro em 1995, contava com Wagner, Jorge Luís, Aílton, Bentinho, Dimba.

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O relato da partida no jornal “O Globo” do dia seguinte descreve uma superioridade rubro-negra, mas com a sentida falta de Romário – que havia acabado de voltar ao Valência, da Espanha, após empréstimo -; a tarde de gala de Wagner – escrito com “V” na época -; dois gols anulados – o de Dimba corretamente e o de Evandro mal marcado; e a decisão da “Taça Cidade de Juiz de Fora” conquistada pelo Fla na moedinha.O curioso é que muitos jogadores nem ficaram sabendo do “título” na época.

Nas imagens do programa Globo Esporte da época, só aparecem dirigentes no momento do sorteio – quem escolheu cara e ganhou o troféu para o Rubro-Negro, por exemplo, foi o vice-presidente de futebol Michel Assef. Quase 20 anos depois, Léo Inácio até hoje não sabia que havia uma taça em disputa na ocasião.

 O meio-campo, que naquele tempo estava improvisado na lateral e foi titular na partida, estava no início de sua carreira no profissional – ele subiu pela primeira vez em 1995, mas não chegou a estrear, voltou para os juniores no ano seguinte até começar a receber chances na equipe principal em 1997. E ele brinca que nem teve bicho pela conquista.

– Não sabia (cara ou coroa). Quem ganhou? – questionou o ex-jogador, que gargalhou ao ser avisado que ele havia vencido – Rapaz, para ser sincero eu lembro de pouca coisa.

Acho que era um amistoso de preparação para o Brasileiro, se não me engano o Flamengo poupou alguns jogadores..

. Sei que foi empate, mas eu saí logo, dei entrevista acho que para a Rádio Globo na porta do vestiário e nem fiquei sabendo de sorteio.

Quem dera se tivesse bicho – brincou.Nem os vencedores, tampouco os derrotados tomaram conhecimento da disputa na moedinha e do destino do troféu.

Wagner, que foi o principal nome do jogo e fez uma “defesa antológica” em cabeçada de Maurinho, segundo o jornal, também não sabia até hoje do desfecho do “título”, assim como Léo Inácio. O paredão alvinegro recorda do apelo da torcida mineira e brincou com as comparações de seu milagre com a “defesa do século” do goleiro inglês Gordon Banks, em cabeçada de Pelé na Copa do Mundo de 1970.

– Teve cara ou coroa? Nem fiquei sabendo. Fui um dos primeiros a sair do campo, ninguém me falou nada.

Quem ganhou? – perguntou o ex-goleiro, que contou as suas principais memórias daquele amistoso – Lembro da torcida, que fez festa para a gente no hotel, e que fiz uma defesa que queriam comparar com o Banks, mas meu talento não chegou aos pés desse rapaz (risos).Atualmente com 46 anos, Wagner mora em Niterói (RJ), onde é dono de um bar/restaurante no mercado de peixes da cidade, e também faz jogos de masters pelo Botafogo enquanto espera uma oportunidade para trabalhar como treinador de goleiros em algum clube.

Um dos principais nomes do título brasileiro do Alvinegro em 95, o ex-jogador aceitou um convite da diretoria para viajar com torcedores do Rio para Juiz de Fora, participar da concentração no “Bar do Biriba” e assistir ao jogo deste sábado no estádio. E ele arrisca um palpite.

– Faço tudo pelo Botafogo, por isso aceitei logo o convite. O Botafogo tem muita torcida lá e vai encher.

1 a 0 é goleada, tomara que seja com gol do Ribamar para coroar esse momento dele com a seleção sub-20 – apostou.Léo Inácio, que ficou dos sete aos 24 anos no Flamengo e foi tricampeão carioca e também ganhou a Copa Mercosul de 1999, atualmente é o coordenador técnico das categorias de base rubro-negras, aos 39 anos.

De férias em Búzios com a família, o ex-jogador vai ver o clássico deste sábado pela televisão do hotel onde está hospedado e chutou parecido com Wagner.- Eu quero é que o Flamengo ganhe, 1 a 0 é goleada.

O primeiro e único Botafogo x Flamengo em Juiz de Fora não teve casa cheia: foram 7.307 torcedores pagantes e cerca de 9.

000 presentes, com uma renda de R$ 70.370,00.

Para o reencontro entre a cidade e o clássico, a expectativa é de casa cheia. A carga total disponível é de aproximadamente 30 mil ingressos, sendo que desse número 10.

300 foram vendidos antecipadamente até a noite de sexta-feira. O preço dos bilhetes é de R$ 100, mas torcedor com camisa do clube paga R$ 70 na bilheteria, e há meia-entrada de R$ 50 para estudantes.

Segundo o mapa de curtidas – o GloboEsporte.com, em parceria com o “Facebook”, analisou os dados das páginas dos clubes que receberam mais curtidas nas cidades de todo o Brasil -, Flamengo e Botafogo têm as torcidas mais participativas nas redes sociais em Juiz de Fora.

O Rubro-Negro conta com 40,6% dos “likes” na cidade mineira, enquanto o Alvinegro possui 12,8%, à frente de Vasco (10,9%), Cruzeiro (8,6%), Fluminense (5,6%), Corinthians (5,2%) e Atlético-MG (4,8%) por exemplo – as informações foram capturadas em 1º de maio de 2015 e levam em consideração curtidas das páginas oficiais de 43 times brasileiros.Confira as escalações do Botafogo x Flamengo de 15/06/1997:Botafogo: Wagner, Wilson Goiano, Jorge Luís, Grotto e Jeferson; Pingo (Sorato), Marcelinho Paulista, Aílton e Djair; Bentinho e Dimba.

Técnico: Joel Santana.Flamengo: Júlio César, Leandro (Fábio Baiano), Luiz Alberto, Fabiano e Leonardo; Jamir, Jorginho (Bruno Quadros), Evandro e Maurinho (Marco Aurélio); Lúcio (Marcelo Ribeiro) e Iranildo (Lê).

Técnico: Sebastião Rocha.
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Fonte: Globo Esporte