O feitiço contra o feiticeiro. Motta tinha pouco tempo para
escolher a estratégia ao reencontrar Nenê na marca do pênalti. Pela frente, o
goleiro tinha um rival com nada menos do que 21 cobranças convertidas em
sequência.

Mais de quatro anos e quatro meses de perfeição. E o camisa 1 do
Volta Redonda resolveu não decidir.

Deixou a responsabilidade para o craque
vascaíno, e se deu bem. A caminhada bem lenta e a paradinha do meia-atacante
são exatamente para que o adversário escolha um canto facilitando sua conclusão.

Estático, Motta esperou e ganhou. Duas vezes.

O duelo em campo, garantindo o
empate por 1 a 1 que valeu a permanência no G-4 da Taça GB, e a camisa do ídolo do time do
coração.

 

Baiano de Feira de Santana, o arqueiro do Voltaço não
esconde de ninguém sua paixão pelo Cruz-Maltino.

Antes de a bola rolar,
provocou Nenê, relembrando o duelo em que foi vencido, com direito a bola para
um lado e goleiro para o outro na primeira fase, e profetizou: “Dessa vez, vai
ser diferente”. Confiante, voltou a desafiar o ídolo assim que o pênalti foi
marcado e se deu bem.

 

Ele não bate muito no canto, é mais no meio. Ele vem correndo e dá a paradinha,
mas não caí.

Fiquei, até quase dei um passo para frente, mas fiquei pensando:
“Vou esperar, vou esperar..

.”.

No outro jogo, caí na paradinha dele- Bem antes do jogo começar, quando os jogadores se
cumprimentam, falei que dessa vez ia ser diferente e ele riu. Na hora do
pênalti, perguntei se ganhava a camisa se pegasse.

Ele disse: “Já é”.
Eu peguei.

Depois do jogo, ele me deu os parabéns e a camisa. Sou Vasco desde
criancinha.

Todo mundo pensa em jogar em time grande, comigo não é diferente.

 

A segunda cobrança contra o Volta Redonda na temporada foi a
décima de Nenê com a camisa do Vasco.

Material de sobra para que Motta
estudasse o estilo de seu oponente. Ciente de que não tinha nada a perder, o
goleiro apostou na envergadura de quem tem 1.

95m e resolveu não tentar escolher o canto. Após a
batida, saltou para seu lado esquerdo e encerrou uma marca que teve início em
14 de dezembro de 2011, quando o vascaíno, ainda defendendo o PSG, chutou por
cima do travessão em duelo com o Athletic Bilbao, pela Liga Europa.

 

– Ele é um especialista. Graças a Deus, pude esperar.

O
professor Pelé (preparador de goleiros) disse para esperar porque sou grande.
Ele não bate muito no canto, é mais no meio.

Ele vem correndo e dá a paradinha,
mas não caí. Fiquei, até quase dei um passo para frente, mas fiquei pensando:
“Vou esperar, vou esperar.

..

“. No outro jogo, caí na paradinha dele.

 Após a partida, Nenê não escondeu a frustração pelo lance
que determinou a perda da liderança da Taça Guanabara. O meia-atacante admitiu
que não foi bem na cobrança e elogiou o rival.

 

– Estou muito, muito frustrado e p..

.! São coisas do
futebol.

O goleiro está de parabéns. Eu que também não chutei tão bem.

Futebol
é assim, não vamos acertar para sempre. Vai errar quem bate.

 

Com igualdade no duelo particular, Motta quer mais e já
projeta um terceiro capítulo:

 

– Quem sabe a gente não bate de frente de novo na semifinal..

.

 

Com 11 pontos, o Vasco é o vice-líder da Taça Guanabara,
atrás do Fluminense somente no saldo de gols: 6 a 4.

O Volta Redonda, por sua
vez, é o quarto, com sete. Sábado, o Cruz-Maltino terá pela frente o Madureira,
às 18h30 (de Brasília), pela sexta rodada da competição.

O Voltaço recebe o Flu
domingo, no Raulino de Oliveira. 
.

Fonte: Globo Esporte