DE LATERAL A VOLANTECONFIANÇA ATÉ TENTOUTRABALHO DE BASE = ELENCO FORTEPENTA E HEXAMOTINHA”Eu tive prazer de vir para o Sergipe através, principalmente, do
professor Geraldo Oliveira, um dos maiores incentivadores. Antes, eu era
atleta amador do Paulistano. Eles me deram total apoio, apesar de ser
novo, já tinha filho e eles me ajudaram, enquanto eu atuava na base”.

Assim começava a vida de mais um jovem na base rubra, descrita pelo próprio atleta. Francisco de Assis dos Santos Prado, conhece? Melhor utilizarmos o apelido que o marcou no futebol, em especial no Mais Querido: Chicão.

Hoje, aos 43 anos, o ex-volante tem muita história para contar com a camisa alvirrubra. Apesar disso, precisamos conter Chicão para falar apenas do período do hexacampeonato, já que este ano o clube celebra os 20 anos da conquista e o GloboEsporte.

com traz para você um bate-papo com mais um atleta que viveu aquele momento.01DE LATERAL A VOLANTESegundo Chicão, naquela época (1991 a 1996) o time era tão forte que ele sentiu muita dificuldade para conseguir um espaço, mas esse não era um “problema” só dele que vinha da base, os atletas de outras equipes até pensavam duas vezes em vir para o João Hora.

– Naquela época muitos jogadores se amedrontavam quando chegavam ao
Sergipe, porque viam um bom número de jogadores muito bons que já
estavam ali por mais tempo e seria difícil ganhar espaço entre os
titulares. Muitos preferiam nem vir.

Na minha posição mesmo, tínhamos
vários bons jogadores como Sandoval, Osvaldo, Denilson, Souza. Eu estava
lá desde a base e só ganhei meu espaço maior em 95 porque respeitei
todos esses atletas.

Não tínhamos pressa, sabíamos que nossa hora ia
chegar um dia, não adiantava querer antecipar. Foi assim que trabalhei
desde que cheguei.

E quando cheguei fui utilizado inicialmente com
lateral-direito porque alguns do time profissional estavam machucados,
mas tive poucas oportunidades. E foi como cabeça de área (volante) que eu me
firmei.

Respeitei os mais experientes, mas tinha em mente que, quando
tivesse a oportunidade naquela posição, iria fazer de tudo para
permanecer entre os titulares e isso veio acontecer em 95. Comecei
jogando pouco e com o tempo fui aumentando meu rendimento e ganhando
minha vaga entre os 11.

Em 95, com 22 anos, consegui ganhar prêmio de
craque do ano, revelação, melhor jogador do campeonato e do ano no
estado – explicou Chicão. 01CONFIANÇA ATÉ TENTOUO ex-atleta recorda que o rival até tentou levá-lo para o Sabino Ribeiro, mas o coração falou mais alto na hora de decidir em qual clube ficaria.

– Vir para o Sergipe foi uma das melhores coisas que eu fiz na minha vida.
Na época o rival também me queria, mas como sou torcedor do Sergipe
desde pequeno, influenciado por meu pai, ia ao campo com ele, daí
resolvi escolher o que meu coração alvirrubro mandou – afirmou Francisco de Assis dos Santos Prado.

01TRABALHO DE BASE = ELENCO FORTE- O Sergipe fez um grande trabalho de base entre 87 e 89, isso resultou em um grande saldo de títulos, em 10 anos, foi 8 vezes campeão.Tínhamos uma base muito forte, era difícil para quem chegava no clube conseguir uma vaga entre os titulares porque o entrosamento de quem já estava aqui é muito forte.

Elenilson, Leniton, Sandoval, Gildásio, Denilson, Agnaldo..

.eram vários os grandes jogadores formados aqui.

E eu tive o prazer de estar com eles, a satisfação de trabalhar com cada um – comenta Chicão.Chicão aproveitou o bate-papo sobre elenco e falou também sobre alguns capitães que ele teve a oportunidade de trabalhar no período do hexacampeonato.

O ex-volante do Sergipe diz que aprendeu bastante com cada um deles.- Quando era o capitão, Elenilson era um cara que conversava muito com todo mundo no vestiário.

Além disso, ele incentivava muito a galera que vinha da base. Depois veio Osvaldo, que também foi um grande capitão.

Inclusive eu me espelhava muito nele pela personalidade e por toda ajuda que ele me deu também. Não posso deixar de falar também dos colegas de elenco que me ensinaram muito, prefiro não citar nomes para não esquecer de ninguém, porque todos tiveram sua importância.

01PENTA E HEXADois anos bem distintos em alguns pontos, mas apesar das dificuldades e problemas, os dois foram bem comemorados. Chicão relembra com detalhes como foram esses dois títulos que guarda para sempre.

Inclusive afirmou: “Foi a melhor coisa que
aconteceu em minha vida, depois do nascimento das minhas filhas”. Confira abaixo as recordações do ex-volante do Mais Querido.

#1995- São as melhores possíveis. Após o tetra, vários dos bons jogadores, a
exemplo de Rocha, Leniton e Elenilson, saíram do elenco e eles tiveram
que remontar a equipe utilizando mais uma vez principalmente os atletas
da base como eu.

Os que ficaram, como Marcos, Gildásio e Osvaldo nos
deram totais condições de atuar no elenco sem problemas. Eles nos
passaram todas as experiências deles para que pudéssemos fazer um grande
campeonato, inclusive o clube trouxe o Marcelo Sergipano, outro bom
jogador e que nos ajudou bastante.

Montamos um elenco muito bom e
fizemos até uma boa campanha no Brasileiro da Série B, foi um ano
maravilhoso para o Sergipe. Um erro que Motinha cometeu naquela época
foi ter dispensado muitos atletas na reta final do Brasileiro e por isso
não conseguimos o acesso.

Daí a maioria dos jogadores eram recém saídos
da base e não conseguimos superar equipes de maior estrutura na época.
Ao acabar o nacional, focamos no estadual, pois com essas ausências
acabamos perdendo alguns jogos, até porque não tínhamos fôlego para
suportar as duas competições ao mesmo tempo.

Encerrado o Brasileiro,
ficamos só com o estadual e já tínhamos perdido alguns jogos do
Confiança, mas na reta final conseguimos vencê-los e graças a Deus
conquistamos o título, o tão almejado pentacampeonato. Pra mim, muito
marcante, pois foi meu primeiro título como titular no Sergipe e pelos
prêmios que eu conquistei.

#1996- Não foi um ano tão brilhante como 95, apesar de termos
conquistado o hexa. Tivemos um ano difícil, tivemos problemas
financeiros, salários atrasados e até fomos rebaixados no Brasileiro.

A
nossa maior alegria foi justamente o hexacampeonato. Mesmo com todas
essas dificuldades, conseguimos superar e vencer pela sexta vez seguida o
estadual, derrotando equipes consideradas muito fortes naquela época
como o Vasco EC, que tinha o meia Geraldo, e o Olímpico de Itabaianinha.

Portanto, 96 foi um ano legal apenas pelo hexa e só!O que fica do
hexa: É algo inexplicável! Quando você entra no futebol, você projeta
muitas coisas e muitas vezes acontecem tantas coisas que você nem
imaginava que aconteceria. Como torcedor na época, ainda pequeno, eu me
inspirava em Paulinho, ex-jogador do Sergipe.

Falar do Sergipe
hexacampeão é muito gratificante. Aí veja o meu lado, imaginar que um
dia estaria ao lado daqueles grandes jogadores que eu admirava e ao
chegar lá para jogar ainda conseguir fazer parte da história com um
hexacampeonato, isso jamais será apagado.

Foi a melhor coisa que
aconteceu em minha vida, depois do nascimento das minhas filhas.   01MOTINHA- Hoje já falecido, Antônio Soares da Mota, o Motinha, presidiu o Sergipe por quase 30 anos.

Logo, durante o hexa ele fazia parte do Mais Querido. Chicão rasgou elogios ao cartola polêmico, disse que foi um grande amigo e afirma ter sido o maior presidente da história do clube.

– Motinha era um presidente folclórico, uma figura emblemática. Um homem da melhor qualidade possível e todos os atletas tinham um enrome respeito por ele.

Eu sou suspeito para falar dele porque sempre fomos bons amigos, tínhamos um bom relacionamento. Lógico que alguns falavam que ele tinha um jeito meio ignorante, mas ele era um cara tranquilo e sempre lutava pelo bem do Sergipe.

Tenho muitas lembranças boas dele, ele se emocionando conosco nas vitórias, nos títulos. Ele também esteve conosco nos momentos difíceis, nas derrotas, era um cara sempre presente.

Motinha, pra mim, foi o maior presidente da história do Sergipe. Não vi outro conquistar tanta coisa no clube como ele conquistou – ressaltou o ex-jogador rubro.

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.prazer, Rocha, Nego VéioSuper fantástico! Relembre esse “trio mágico”: Sandoval, Elenilson e Leniton 
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Fonte: Globo Esporte