Anitta/Instagram

Toda celebridade que se torna muito comentada na mídia acaba sendo alvo dos mais diversos tipos de críticas. Mas você já reparou que, muitas vezes, quando a pessoa famosa é uma mulher, os ataques são muito mais pessoais e revelam julgamentos de valores machistas e preconceituosos?

A cantora Anitta é uma prova disso. Destaque em um meio dominado por homens, a ousadia das letras, coreografias e do comportamento da artista acabam fazendo com que o trabalho, de fato, seja a último critério a ser avaliado. E por mais que você não goste da cantora, algumas críticas que você pode fazer dizem mais sobre você do que sobre ela. Entenda.

“As roupas dela são muito curtas” 

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Ipea em 2014, uma parcela considerável dos brasileiros acredita que mulheres que usam roupas curtas merecem ser atacadas e isso nos coloca frente a uma conclusão assustadora: muitas pessoas ainda consideram a vítima culpada pela violência que pode sofrer.

Por isso, atacar o tipo de roupa que uma mulher usa na tentativa de desqualificá-la ou rebaixá-la reforça um conceito ainda muito forte na sociedade: mulher que usa roupa curta não merece respeito. Logo, a crítica não se dirige apenas à cantora, mas a todas as mulheres.

Usar roupas curtas (ou qualquer outro tipo de roupa) não é um crime e não permite qualquer julgamento ao caráter e dignidade da mulher.

“Ela só faz músicas apelativas”

“Vê se abaixa o tom, você não manda em mim”, “se não quiser me olhar, vira de costas” e “hoje eu quero e você sabe que eu gosto assim”, são alguns dos versos das canções da cantora. Basta ler as frases para encontrar uma mulher que faz valer sua opinião e que não submete à vontade de outra pessoa.

De acordo com a definição do dicionário, “apelativo” é o que utiliza recursos excessivos ou antiéticos para chamar atenção. No entanto, as canções não ofendem, nem atacam outras pessoas – ao contrário: reforçam a ideia de que a mulher é, sim, a única dona de seu próprio corpo e de que não precisa de permissão ou aprovação masculina.

“É piriguete e pega vários caras”

Não sabemos com quem Anitta se envolve ou deixa de se envolver. E isso não importa. Toda mulher tem o direito de se relacionar com quem e quantos parceiros quiser. Apesar de ter a vida amorosa exposta e julgada à exaustão, ela pode, assim como qualquer outra pessoa, escolher seus parceiros e se envolver com quem quiser.

“Ela faz muita plástica” 

Em uma sociedade na qual a beleza é uma das principais medidas utilizadas para “qualificar” uma mulher, atacar a aparência é uma forma de realçar padrões e comportamentos que são nocivos não só a Anitta, mas a todas. Faça uma reflexão rápida: se pudesse, você faria alguma mudança no seu corpo? Por que a cantora não pode?

É muito importante a reflexão sobre os motivos e pressões sociais que levam uma mulher a ser tão insatisfeita com o imagem a ponto de se submeter a uma intervenção. No entanto, o direito de qualquer pessoa sobre o próprio corpo não abre margem para julgamentos.

“Rebola e faz danças sensuais mostrando muito o corpo”

Dizer que ela mostra demais o corpo como forma de desqualificar sua dignidade reforça o perigoso conceito de que a mulher precisa se fazer respeitar – e que exibir o corpo é sinal de que não faz isso. Além disso, usar esse argumento para desqualificar o trabalho da cantora reforça outro conceito machista – o de que a mulher só pode se destacar na carreira se usar o corpo.

Mais uma vez,a crítica a uma pessoa reforça ideias que atingem e oprimem não só ela, mas todas as mulheres.

“Ela não tem talento” 

Tudo bem, você tem o direito de não gostar e de achar que ela não tem talento para a carreira que escolheu. Essa, aliás, é a única crítica que deveria ser feita ao trabalho de um músico ou cantor. No entanto, vale a reflexão: por que você pensa assim? É pela realmente música ou as atitudes e críticas citadas acima te influenciam?

O contexto social incentiva uma competição e rivalidade entre mulheres que só faz reforçar o machismo e opressão. É fundamental a desconstrução da ideia de que para ser boa em algo, você precisa desbancar outra mulher.

E então, como agir? O que dizer?

Você não precisa proferir ou se calar diante de críticas que ofendem o gênero de maneira geral. A sororidade (união ecomplicidade entre mulheres) é um passo importante e indispensável para, juntas, nos fortalecemos. Se você passar a praticar essa ideia, vai contribuir muito para que você, e todas nós, não continuemos sofrendo com a distinção de gênero. Afinal, não somos inferiores aos homens e não devemos continuar disseminando essa ideia que nos oprime diariamente. Fazemos esse convite a você: vamos refletir a respeito das nossas atitudes?

10 coisas que as mulheres precisam parar de dizer às outras

Fonte: Bolsa de Mulher