Cada vez mais o aborto voluntário se mostra um problema de saúde pública. Para avaliar o impacto desta prática sobre a sociedade, a Organização Mundial da Saúde (OMS), em parceria com o Institute Guttmacher, solicitou informações a agências governamentais de vários países e compilou dados de diversos estudos. Com base nessas informações – todas elas colhidas entre 1990 e 2014 – foi estimada a taxa mundial de aborto e sua relação com diferentes fatores, como estado civil e uso de contraceptivos.

O objetivo da OMS é, através da informação, ajudar as mulheres a evitarem gravidezes indesejadas e monitorar esse aspecto da evolução mundial. Por ora, os números encontrados são, no mínimo, surpreendentes e refletem realidades que dificilmente imaginaríamos reais.

Com base em informações colhidas entre os anos de 2010 e 2014, o estudo chegou à conclusão de que 73% dos abortos intencionais foram realizados por mulheres casadas, enquanto apenas 27% foram feitos por mulheres solteiras.

De acordo com o estudo, cerca de 25% das gestações terminaram com a realização de abortos ao redor de todo o mundo. Esse dado equivale a dizer que uma em cada quatro mulheres grávidas fez um aborto para finalizar sua gestação e, de acordo com a autora do levantamento, reflete que ainda há dificuldades em garantir acesso ao planejamento familiar e uso de anticoncepcionais.

Segundo uma escala própria do levantamento, nos países desenvolvidos, como os Estados Unidos, a taxa de aborto caiu 19 pontos, enquanto nos países em desenvolvimento, como o Brasil, a queda, de apenas 2 pontos, foi considerada estatisticamente insignificante.

Na América Latina, região que inclui o Brasil, foi encontrado o índice mais alto de abortos em todo o mundo: uma em cada três mulheres faz aborto intencional.

A conclusão tirada desse achado é que o acesso à saúde, à orientação sexual e ao planejamento familiar (que garantem um adequado uso de métodos anticoncepcionais como camisinha e pílula) ainda é muito escasso em países em desenvolvimento e isso leva mulheres que muitas vezes não têm condições de criar um filho a procurar o aborto ilegal.

Segundo o levantamento da OMS, nos países que proíbem o aborto ou que o permitem apenas em casos de risco de vida, anencefalia fetal ou estupro (caso do Brasil, por exemplo), 37 em cada 1.000 mulheres fazem o procedimento. Já nos países que legalizaram o aborto, 34 em cada 1.000 mulheres o realizam – ou seja, uma diferença estatisticamente insignificante.

Isso significa que a legalização do aborto não incentiva o aumento no número de procedimentos.

Nos países em desenvolvimento, onde as leis de aborto tendem a ser altamente restritivas, 6,9 milhões de mulheres foram tratadas por complicações do aborto apenas no ano de 2012.
Os números refletem que a busca por serviços clandestinos – que não oferecem cuidados básicos de saúde e cujos números são gritantes – e o consequente aparecimento de complicações se transformam em gastos para a saúde pública e para o governo.

Fonte: Bolsa de Mulher