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Nós, mulheres, estamos nos libertando de muitos dos padrões impostos que dizem, entre outras coisas, que só seremos bonitas se formos magras e felizes se formos casadas. Esse processo é muito positivo e reflete uma evolução social, mas, sem perceber, podemos acabar trocando uma opressão por outra ao criar “moldes” de atitude feminina perfeita – fazemos isso sem nos darmos conta, em frases muito comuns. Elaboramos alternativas para você colocar no lugar dessas frases sutilmente opressoras. Que tal usá-las e celebrar cada mulher por sua individualidade?

“Você tem que aceitar seu cabelo natural” 

Em meados dos anos 90, surgiu uma tendência que dizia que cabelos crespos e enrolados eram feios e que, se você quisesse ser bonita de verdade, era preciso alisar os fios. Quando eventualmente a rotina de escova e chapinha falhava, o melhor a fazer era prender os fios em um coque bem apertado.

Graças a mulheres encaracoladas que ousaram lutar contra esse padrão, hoje vemos acontecer um movimento no sentido oposto: muitas mulheres e meninas estão voltando a valorizar e cultivar os cachinhos. E o melhor de tudo: sentindo-se bonitas com a cabeça toda cheia de caracóis.

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Azul, vermelho, crespo, liso, curto ou comprido: o cabelo é seu para fazer com ele o que desejar

É comum que essa quebra de paradigma inspire muitas mulheres a influenciar outras a fazerem o mesmo e não há nada de errado nisso. Mas quando fazemos isso de um modo imperativo com o objetivo de impor a uma mulher o que ela deve fazer com o próprio corpo – como na frase “você tem que aceitar seu cabelo natural” – o que estamos fazendo é trocar uma opressão por outra.

Ao invés disso diga: “Crespo, ondulado ou liso, você deve usar seu cabelo como bem entender, afinal, ele é só seu”.

“Você tem que ter um parto humanizado” 

Nós sabemos que o índice de cesárea no Brasil está muito acima do que deveria e que esse tipo de parto só deve ser feito em casos muito específicos de risco à saúde da mãe ou do bebê. O parto humanizado, por outro lado, é uma ótima maneira de transformar o nascimento em um momento de protagonismo e acolhimento da mãe e do bebê.

É importante que, antes do parto, a mulher se informe muito bem sobre todas as possibilidades, do parto humanizado à cesárea, o que a torna mais preparada para escolher a melhor opção para si. Caso seja necessário fazer uma cesárea, não se preocupe, isso não fará de você uma mãe pior que uma mulher que conseguiu um parto normal.

Ao invés disso diga: “Você já ouviu falar sobre parto humanizado? Vou te contar um pouco sobre ele”.

“Você tem que aceitar seu corpo como ele é”

Nós, mulheres da virada do século, estamos realmente de parabéns. Afinal, estamos lutando muito – e já tivemos importantes conquistas – contra padrões impostos, como a ditadura da magreza, por exemplo. Nós passamos a entender que mulheres gordas também são bonitas e que não é direito de ninguém discriminá-las ou legislar sobre seus corpos.

O mesmo vale para outras características físicas que costumam ser julgadas, como peito pequeno ou grande demais, coxas grossas, pernas finas, nariz protuberante, enfim, a lista de regras irreais e sem propósito é longa.

Por outro lado, sabemos que existem muitas mulheres gordas que gostariam de emagrecer, mulheres com pernas finas que gostariam de ter mais músculos, mulheres com narizes grandes que gostariam de fazer uma cirurgia plástica, etc., e tudo bem também, afinal esses corpos são delas e o que fazer com eles é uma escolha individual. Por isso, nunca diga para uma mulher que ela TEM que aceitar o próprio corpo ou que ela TEM que mudar algo. Essa escolha é só dela.

Ao invés disso diga: “O corpo é seu, você pode aceitá-lo ou você pode mudar algo se quiser. O mais importante é que você o ame”.

“Mãe de verdade não tem babá” 

Uma mãe de verdade pode sim ter ajuda de uma babá, assim como pedir o auxílio dos avós, tios, amigos e quem mais oferecer uma mãozinha, afinal, cuidar de um bebê ou de uma criança não é tarefa fácil. Além disso, 50% da responsabilidade de criação dos filhos é do pai e vai muito além do pagamento da pensão caso o casal seja divorciado.

Ao invés disso diga: “Mãe de verdade precisa de auxílio. Como posso te ajudar?”.

“Quem usa muita maquiagem não aceita a beleza real” 

Mais uma vez, o corpo é da mulher e se ela quiser usar muita maquiagem, pouca maquiagem ou nenhuma maquiagem, a decisão é só dela.

Ao invés disso diga: “Quem usa muita maquiagem gosta de maquiagem”.

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A regra é simples: é preciso respeitar as decisões do outro sobre seu próprio corpo

“Ser dona de casa não é tão bom quanto trabalhar fora” 

Existem mulheres – e alguns homens, por que não? – que sentem muito prazer em cuidar da casa, cozinhar, criar os filhos e fazer todas as outras tarefas consideradas “do lar” e preferem isso a sair para trabalhar fora. Esse trabalho é tão digno quanto qualquer outro. O que é errado é tratá-lo como uma tendência natural a ser seguida por todas as mulheres.

Ao invés disso diga: “Ser dona de casa e trabalhar fora são algumas das opções das mulheres”.

* Essa matéria foi inspirada pelo post no Facebook feito pela psicóloga Fernanda Brunkow.

Fonte: Bolsa de Mulher