Deem as mãos, mães de todo Brasil que se desdobram para criar os filhos e se sentem exaustas, e, por vezes, culpadas, por não conseguir comprar aquilo que eles querem. Uma pesquisa realizada com mais de 1.300 mães brasileiras mostrou que essas e outras questões são as que mais contribuem para que quase metade delas não se sinta uma “mãe perfeita”.

E, pode apostar: tudo bem se declarar assim, já que a maternidade precisa mesmo parar de ser tratada com tantas cobranças. Se você também acha que a mãe verdadeira está longe dos modelos de família de comerciais de TV, essa pesquisa tem tudo para provar o que já sabemos: ser uma mãe real, admitindo erros e comemorando acertos, é uma das melhores escolhas para ser e tornar seus filhos mais felizes.

Perfil da nova mãe brasileira: o que elas pensam

A pesquisa foi realizada pelo Instituto QualiBest e pelo site Mulheres Incríveis e divulgada em maio de 2016. Foram entrevistadas mais de 1.300 mães de bebês, crianças e adolescentes de todas as regiões do País, por meio de um questionário online. Das entrevistadas, 81% declararam ter de um a dois filhos e mais de 60% têm de 25 a 44 anos.

Dificuldades da maternidade

Dizem que um dos motivos que podem acabar com um casamento é ter problemas financeiros. E, apesar disto não ser razão para o fim de uma relação entre mãe e filho, esta também foi uma das dificuldades mais apontadas pelas mulheres: 75% delas, independente da condição social, destacaram que a falta de dinheiro para dar o que os filhos querem ou precisam faz com que a vida fique muito mais dura.

Pior: 55% se sentem culpadas por não ter condições financeiras para oferecer coisas como melhor escola, roupas novas, itens eletrônicos e viagens.

Mais da metade das mães (60%) indicou a falta de tempo para o trabalho e para cuidar de si como outra dificuldade na criação dos filhos. A pesquisa destaca que, além dos compromissos do dia a dia e da cobrança da sociedade para que nós sejamos cada vez mais multitarefas, as horas gastas em atividades domésticas comprometem ainda mais a disponibilidade da mulher.

Outro desafio destacado pelas entrevistadas diz respeito à educação dos pequenos: 52% apontaram dificuldades em “alcançar o equilíbrio entre ser exigente demais e permissiva demais”.

Quem ajuda na criação dos filhos?

A pesquisa levantou que, para 6 em cada 10 mulheres, o marido ou o pai dos filhos são o melhor parceiro para cuidar das crianças. Em segundo lugar, aparecem as avós maternas como as que dão uma força na criação.

“A escola é citada por 6% das entrevistadas e as babás ou empregadas domésticas por apenas 1%; mesma porcentagem para a sogra”, destaca a pesquisa.

Se elas pudessem mudar esse quadro, 40% afirmaram que prefeririam ter ajuda de pessoas nas tarefas domésticas; 13% afirmaram que gostariam de ter pessoas com quem dividir dúvidas sobre a criação e 12% adorariam ter pessoas disponíveis para ajudar a cuidar dos filhos.

Culpa na maternidade

A forma como as mães se comportam com seus filhos é mesmo uma das maiores preocupações. Veja em números:

  • 36% se sentem culpadas por perder a paciência com frequência;
  • 32% se sentem culpadas por não ter paciência ou energia para brincar, ajudar com a lição de casa ou por perder a paciência com frequência (sendo que 49% gostariam que esse quadro mudasse);
  • 28% acreditam que são mães muito rigorosas e exigentes.

Uso de tecnologia e eletrônicos

A pesquisa incluiu um assunto bastante polêmico entre as mães: o uso de tecnologia e mídias eletrônicas para acalmar as crianças. Seria um recurso inevitável ou uma forma prejudicial de entreter os bebês? Fato é que 31% das entrevistadas se sentem culpadas por dar tablets, jogos e celulares para os filhos, que também acessam as redes sociais.

Esta é uma percepção muito próxima ao sentimento de julgamento que parte das mães sente. Em algum momento, você já se sentiu uma péssima mãe, com medo de receber críticas da sociedade, da família e do seu próprio filho? Você faz parte, infelizmente, das 70% das entrevistadas que se sentem cobradas em seu papel.

“São 72% que se sentem cobradas por si mesmas. As mães delas e as sogras aparecem num surpreendente segundo lugar, se somadas: 30% declaram que as mães são as maiores críticas e 15% dão este lugar às avós paternas das crianças”, cita a pesquisa. “Os maridos julgadores ficam com 29% das respostas e os próprios filhos, 19%”.

As redes sociais, mais uma vez, aparecem como problemática da pesquisa – 6% das entrevistadas responderam que outras mulheres costumam “meter o bedelho” nas ações maternas a cada publicação no Facebook, Twitter e outras plataformas.

Vale a reflexão: sendo mãe, pai, tia ou mesmo sem nenhuma criança em nossa convivência, que tal revermos essa postura de julgamento público e respeitar mais as decisões de cada mulher com seus filhos? Afinal, 70% das mães se sentem julgadas e cobradas para serem mães melhores.

Atitudes vergonhosas

Com o intuito de desmitificar a maternidade, a pesquisa ainda abordou atitudes que as mães sentem vergonha de terem tomado, relacionadas à agressividade, permissividade e mentiras e chantagens contadas a seus filhos. Veja o ranking de arrepedimentos:

  • 33% se envergonham de terem dado umas palmadas nas crianças;
  • 32% sentem vergonha de terem gritado a ponto de as assustar;
  • 28% sentem constragimento por terem deixado o filho ficar assistindo TV ou vídeos na internet para poder descansar, dormir ou fazer alguma outra atividade;
  • 22% se sentem envergonhadas por terem feito chantagem;
  • 18% afirmaram que não existe nada que tenham feito de que sintam vergonha de comentar com os outros.

Apesar de ser motivo de arrependimento das mulheres, nenhuma ação deve ser julgada, mesmo por outras mães; até porque só quem está dentro do contexto consegue identificar os erros e acertos de comportamento.

Fonte: Bolsa de Mulher