A atriz Anaju Dorigon, que interpretou Jade na novela Malhação, emagreceu 9 kg nos últimos seis meses. A perda rápida de peso chamou atenção de seus seguidores nas redes sociais. Muitos deles criticaram o emagrecimento e disseram que ela estava procurando um padrão irreal de beleza. Anaju, no entanto, contou que a real causa da mudança de seu corpo é uma doença que ela tem há muito tempo, mas que só começou a tratar recentemente.

Anaju Dorigon criticada por magreza excessiva

“Meu Deus, como ela está magra”, “O que houve com seu corpo?”, “Ela tinha um corpão antes”: basta rolar algumas das fotos da atriz Anaju Dorigon no Instagram para ver dezenas de comentários como esses, proferidos por seguidores que parecem gostar de “fiscalizar” o corpo da atriz.

A atriz explicou durante o programa Encontro, da Rede Globo, que durante muitos anos sofreu com uma doença chamada hipoglicemia reativa, que foi indiretamente responsável pela perda de peso:

“Eu passava muito mal de vez em quando, tinha um diagnóstico de depressão que não entendia muito bem de onde vinha, por que estava acontecendo, e, aos 18 anos, eu tive uma crise muito forte, comecei a passar muito mal, um enjoo terrível. Comecei a convulsionar, desmaiei. [Depois] voltava, convulsionava, apagava. Isso foi acontecendo durante algumas horas. Até que eu apaguei de vez e na hora em que eu acordei, eu não conseguia falar, andar, não sabia onde estava. E aí eu me toquei que tinha alguma coisa acontecendo que eu tinha que ir atrás. Aí eu descobri que tinha hipoglicemia reativa, que por eu não ter cuidado da maneira certa me desencadeou depressão e síndrome do pânico em um grau seríssimo, eu tinha 7 ataques de pânico por dia”.

Diante do problema, Anaju decidiu fazer um tratamento sem medicações. “Foi o que funcionou para mim, pode ser que não funcione para todo mundo”, conta. A atriz começou a praticar muitos esportes e se apegou à religião. Também houve uma mudança drástica na alimentação: Anaju se tornou vegetariana, o que a fez perder 9 kg em 6 meses. “Meu biotipo sempre foi magrinho, e como eu descuidei da hipoglicemia, eu acabei inchando um pouco”, finalizou, ressaltando que agora está de volta ao corpo que sempre teve.

O que é hipoglicemia reativa?

A endocrinologista Isabela Bussade, diretora médica da All Clinik (Rio de Janeiro), explica que a hipoglicemia reativa é um fenômeno secundário à hiperinsulinemia, que é a liberação excessiva de insulina pelo pâncreas, logo depois da ingestão de carboidratos.

Portanto, depois que a pessoa consome carboidratos, a quantidade de glicose do sangue cai bruscamente em função da grande quantidade de insulina, hormônio que é responsável por levar a glicose da corrente sanguínea para dentro da célula.

“Pode acontecer em pacientes que ingerem muito carboidrato, principalmente com índice glicêmico alto, mas também em pessoas que possuem doenças que resultam na secreção excessiva de insulina pelo pâncreas, como a nesidioblastose, caracterizada pela hiperplasia das células da pâncreas”, conta.

Sintomas

A endocrinologista explica que os sintomas clássicos da hipoglicemia são:

  • Sensação de fome: que surge justamente em uma tentativa de aumentar a glicose no sangue;
  • Sintomas neuroglicopênicos: que são causados pela percepção do sistema nervoso de que há pouca glicose no sangue. Exemplos: torpor, fraqueza e náusea;
  • Sintomas adrenérgicos: que surgem em um esforço do corpo para estabilizar os níveis sanguíneos de glicose. Exemplos: sudorese e palpitação.

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Riscos

Isabela Bussade explica que atualmente já se sabe que as pessoas, antes de terem um quadro de diabetes, passam por uma hiperinsulinemia. Caso a ingestão de carboidratos de alto índice glicêmico continue exagerada, a doença provavelmente se instalará.

A hiperinsulinemia também está relacionada à síndrome dos ovários policísticos, um acometimento que muitas pessoas acreditam ser apenas ginecológico, mas que está intimamente relacionado a hormônios como a insulina. Outra complicação possível é a síndrome metabólica, quadro caracterizado pelo aumento da glicose, dos triglicerídeos e da pressão arterial.

Em relação à depressão e síndrome do pânico, a médica explica que não existem estudos clínicos consistentes que fazem a correlação entre hipoglicemia e depressão. “O que existe em termos de comprovação científica é a evidência de que diabetes e os episódios de hipoglicemia dobram o risco de trantornos de humor e depressão.”

Tratamento

Como a liberação exagerada de insulina na hipoglicemia reativa é secundária ao consumo de carboidrato, o tratamento consiste prioritariamente em fazer modificações na alimentação. “A pessoa que tem hipoglicemia reativa poderá comer carboidratos, mas eles deverão ser do tipo complexo, com baixo índice glicêmico, e sempre devem estar dentro de refeições mistas, com proteínas e gordura associadas”, explica a médica. “Portanto, ao invés de comer só um purê de batata, por exemplo, o prato deve ser montado também com um bife e uma salada”.

Fonte: Bolsa de Mulher