Quando o assunto é gestação, é comum ouvir a crença popular de que bebês que nascem de oito meses correm mais riscos do que aqueles que nascem de sete. Mas, será que existe algum fundamento nessa afirmação?

Parto prematuro

Os dois cenários – nascimento aos 7 ou 8 meses – são delicados. De acordo com o ginecologista e obstetra Alberto Guimarães, idealizador do projeto Parto sem Medo, de São Paulo, na teoria, até a 23º semana (entre 5 e 6 meses), o bebê apresenta chances mínimas de sobrevivência. Aqueles nascidos até a 30º são chamados de prematuros extremos; da 30º a 34º, prematuros moderados; e da 34º até a 37º, prematuros tardios – mas, ainda assim, requerem cuidados específicos.

É mais perigoso nascer de 7 ou 8 meses?

O médico diz que, embora muito difundida, a ideia de que o nascimento do bebê aos 8 meses seja mais grave do que aos 7 é um grande mito. Isto porque, cada dia dentro do útero é essencial para o desenvolvimento do feto e, portanto, um bebê que nasce com oito meses está exposto a menos riscos que aqueles ainda mais prematuros. O prognóstico da criança melhora com cada dia a mais que ele passa dentro barriga da mãe. “Cada semana que conseguimos manter um bebê no útero, muito provavelmente diminui seu tempo da UTI (Unidade de Tratamento Intensivo)”, explica.

O que pode acontecer com bebês prematuros?

A grande preocupação em evitar um parto prematuro está na manutenção da saúde do bebê, que antes da 37ª semana não está pronto para a vida externa e pode sofrer, principalmente, com quatro complicações:

Problema respiratórioembora o pulmão já esteja formado, ele ainda não é capaz de produzir substâncias que facilitam a respiração.Assim, a criança pode ter insuficiência respiratória. “A musculatura do tórax ainda está flácida, o que causa sérias complicações e risco de morte”, complementa o médico.

Problema digestivo: com o tempo de gestação reduzido, os órgãos não terminam de ser formados. Por isso, é comum que bebês prematuros também sofram com problemas digestivos, já que o estômago ainda não está pronto para receber o leite.

Problema neurológico: com o nascimento prematuro, o sistema nervoso central pode ser exposto a estímulos externos sem que esteja maduro para isso, acarretando problemas de deficiência mental ou crescimento cerebral.

Imaturidade do sistema imunológico: assim como acontece com outros sistemas, a produção de anticorpos pode ser prejudicada pela prematuridade, acarretando mais dificuldade na defesa contra alguma doença.

Como evitar a prematuridade

O pré-natal adequado continua sendo a melhor forma de evitar o parto prematuro ou minimizar seus riscos. “Esse acompanhamento vai ajudar a diminuir o risco de prematuridade ou, se ele ocorrer, tomar as mínimas providências necessárias para seja o mais tardio possível, como forma de diminuir as complicações da prematuridade extrema que são problemas respiratórios, as infecções e as sequelas neurológicas”, reforça o especialista.

Fonte: Bolsa de Mulher