Uma foto de um bebê usando alguns equipamentos típicos de uma UTI neonatal e mamando no seio de sua mãe viralizou depois de ser compartilhada por uma página no Facebook chamada Breastfeeding Mama Talk (Conversa de mães que estão amamentando, em tradução livre). O vínculo e a história de superação emocionam, mas o que mais impressiona é como um bebê tão pequeno é capaz de mamar. Conheça, a seguir, a história de Dahlia e entenda melhor como está sendo sua recuperação.

Bebê prematuro: a história de Dahlia 

Dahlia nasceu depois de apenas 28 semanas de gestação e da insistência de sua mãe, Keri, que, aos quatro meses, foi orientada a interromper a gravidez em função de uma ruptura prematura de membranas, que ocorre quando a bolsa amniótica se rompe e mãe entra em trabalho de parto. O neonatologista José Maria Lopes, presidente do Departamento de Neonatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, explica que quanto mais cedo isso acontecer, maior o risco de morte do feto.

De acordo com a postagem no Facebook, Keri passou duas semanas de repouso em casa e mais cinco semanas internada no hospital tomando medicamentos para prolongar a gestação. Quando Dahlia finalmente nasceu, os médicos duvidaram que ela “vingaria” por causa da prematuridade e da água em seus pulmões. Mas, segundo a mãe, pouco mais de um mês depois, a menina já estava tentando mamar e sem dependência de oxigênio.

Bebê de 28 semanas: quais são as expectativas? 

O neonatologista José Maria explica que 28 semanas é o limite de tempo gestacional para que o bebê não seja considerado um prematuro extremo. “Ele deverá ter mais ou menos 1 kg de peso e precisará de muito suporte nos primeiros meses de vida”.

Graças aos avanços da neonatologia, em média, a chance de sobrevida é de 90%, mas, para isso, o bebê precisará ficar por alguns meses na UTI neonatal, com aparelhos que o ajudem a respirar, recebendo alimentação através de sondas, tomando medicamentos e mantendo sua temperatura corporal estável com ajuda da incubadora.

Correndo tudo bem, seu desenvolvimento será um pouco mais atrasado que o de bebê nascido a termo (no tempo certo), ele ficará mais maduro, respirando sozinho e começando a mamar, por exemplo, por volta da 33ª semana considerando ainda o tempo de gestação, mesmo estando o bebê aqui do lado de fora.

É normal o bebê prematuro mamar? 

O médico explica que o bebê que nasce depois de cerca de 28 semanas de gestação vai demorar mais ou menos um mês e meio fora do útero para desenvolver a capacidade de sugar – o mesmo tempo de vida com que Dahlia começou a estimulação para sugar. Enquanto isso ele receberá alimentação especial através de sondas. A mãe, por sua vez, deverá continuar fazendo ordenha para não perder a capacidade de produzir de leite.

Quando o bebê já estiver respirando sem ajuda de aparelhos e com um quadro mais estável, a mãe poderá começar a estimular o bebê a sugar e a começar a mamar, colocando o bico do seio em sua boca.

Benefícios do aleitamento materno para o prematuro 

Segundo o neonatologista José Maria, o leite materno é o mais apropriado para o adequado desenvolvimento do bebê. De acordo com um estudo realizado pela Universidade de St. Louis, nos EUA, bebês prematuros alimentados principalmente com leite materno durante o primeiro mês de vida têm cérebros maiores em comparação com os bebês que receberam pouco ou nenhum leite materno.

Além disso, o alimento é importante para a formação do sistema imunológico do bebê, se adapta bem ao sistema digestivo do recém-nascido e atende todas as necessidades nutricionais dele.

Fonte: Bolsa de Mulher