Por conta dos padrões de beleza que nos atingem diariamente na sociedade, poucas mulheres gordas se sentem à vontade de mostrar seu corpo e, quando são atacadas por não terem “tamanhos perfeitos”, recuam ou se sentem constrangidas. Não é o caso da jornalista mineira Jéssica Balbino, de 30 anos. Depois de ver o muro de sua casa pichado com as palavras “Jéssica gorda”, ela reagiu de uma maneira digna de aplausos em um texto que bombou entre os internautas. Em um trecho, ela dá o recado: “Se a intenção era me ofender, deu errado, porque me representa”.

Reação à gordofobia 

Em entrevista ao Bolsa de Mulher, Jéssica contou que a pichação apareceu no muro de sua casa, em Poços de Caldas (MG), e seu pai foi a primeira pessoa a ver.

“Eu tirei foto do muro e comecei a compartilhar com meus amigos. Alguns deles disseram que viriam para escrever outros adjetivos”, comenta. “Fiquei tentada a escrever um ‘linda’ na frente”.

Esta foi a primeira vez que ela sofreu um ataque gordofóbico (isto é, que representa o preconceito contra pessoas gordas) explícito. “Já tinha sofrido alguns ataques virtuais, mas nunca assim”.

Entenda a repercussão do caso 

Em sua página no Facebook, Jéssica compartilhou a imagem com uma legenda que quebra todos os paradigmas sociais em relação a pessoas gordas. Afinal, chamar alguém de “gorda” ou “gordo” é mesmo uma ofensa?

Até agora, a foto teve mais de 10 mil compartilhamentos e 117 mil curtidas. Nos comentários, muitas pessoas reagiram positivamente à resposta de Jéssica, destacando o quanto ela é “linda”, “poderosa” e “maravilhosa”.

Jéssica conta que não esperava a repercussão da mensagem, mas que esse é o momento ideal para trazer a imposição social de ser magra ao debate.

Ela falou ao Bolsa de Mulher que pretende deixar o muro para fazer grafite, uma das artes que também valoriza já que, além de ser uma militante no combate à gordofobia, faz parte da cultura hip hop.

“É uma chance de discutirmos os padrões de beleza e se o ‘gorda’ pode ser usado como ofensa ou não”, detalha. “Esse debate empodera demais as mulheres gordas. Algumas me mandaram mensagens falando que queriam ter a mesma atitude que eu”.

Como aceitar o próprio corpo 

Que as mulheres que não se encaixam em padrões de beleza têm dificuldades de encontrar roupas para tamanhos reais, nós já sabemos. Até a MC Carol publicou uma imagem irônica ao falar sobre esse desafio.

Fato é que, cada vez mais, conversar sobre gordofobia e a importância da aceitação de suas medidas traz à tona a valorização da mulher real.

“A mulher gorda vive achando que ser assim é um defeito, por uma falta de aceitação muito grande”, comenta.

Com atitudes como a de Jéssica, cria-se um espaço para discutir essa realidade.

“A mulher deixa de achar que tem que esconder seu corpo. Por isso, esse tipo de debate é importante, para mostrar como o gordofobia é presente. O bom é que nunca se debateu tanto sobre isso”.

Mulher gorda de biquíni 

Em sua página no Facebook, Jéssica divulga postagens com mensagens de incentivo ao “seja você mesma”, reforçando a importância de cada mulher se sentir à vontade com seu próprio corpo.

Não ter vergonha de ter um corpo real, com tamanhos reais, que não correspondem ao padrão de beleza que estamos inseridos é uma das bandeiras de quem luta contra a gordofobia.

Neste sentido, Jéssica já publicou algumas fotos suas usando biquíni e dando uma lição de aceitação de seu próprio corpo e da diversidade em que vivemos.

“Eu posto foto de biquíni, sim, porque acho que não tem problema algum. Não vou deixar de postar foto minha no mar do Caribe só porque sou gorda”.

O que é gordofobia: você sabe? 

Como outros tipos de preconceito, muitas vezes a gordofobia é reforçada por algumas expressões comuns em nosso dia a dia.

São piadas ou comentários que fazemos sem nos darmos conta do tipo de discurso que estamos reproduzindo. Você já parou para pensar se usa palavras ou declarações gordofóbicas no seu cotidiano?

Fonte: Bolsa de Mulher