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É comum ter alergia na vulva e na vagina em decorrência do uso de alguns tipos de amaciante, sabonete, absorvente e outros itens de uso diário. Mas existem outras substâncias que, surpreendentemente, também podem gerar reações alérgicas. O sêmen – o líquido liberado na ejaculação masculina que carrega os espermatozoides – é uma delas e causa alterações bem específicas.

A ginecologista e obstetra Lilian Fiorelli, da Alira Medicina Clínica, explica que o corpo da mulher pode reconhecer alguns dos componentes do sêmen, geralmente as proteínas, como se fossem um micro-organismo nocivo, como uma bactéria ou um vírus, por exemplo.

Em seguida, o organismo começa a produzir células de defesa para “matar” esse agente. A produção excessiva de anticorpos, chamada de reação de hipersensibilidade, é a causa dos sintomas da alergia ao sêmen. A reação costuma acontecer em 3% a 5% das mulheres.

Sêmen que causa alergia 

A médica explica que a alergia pode aparecer por causa do contato com proteínas presentes no sêmen de todos os homens ou em decorrência da exposição a componentes do sêmen de um homem em particular. A alergia pode até ocorrer em consequência de algo que o parceiro comeu e, nesse caso, ela passa depois de algumas relações.

Sinais da alergia ao sêmen 

Como consequência da reação alérgica, pode haver coceira e ardor após as relações sexuais, sintomas acompanhados de inchaço e vermelhidão na vagina e na vulva, que pode se espalhar pelo corpo todo.

Em alguns casos, o único sinal da alergia é a dificuldade de engravidar, uma vez que o corpo da mulher entende o sêmen do parceiro como um corpo estranho, mas casos como esse são de difícil de diagnóstico.

Em casos extremamente graves, pode acontecer um choque anafilático – uma reação do corpo frente a um agente causador de alergia que causa erupção cutânea, choque e pode levar até ao fechamento da glote e parada cardiorrespiratória.

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A alergia ao sêmen pode causar ardor e dor depois do sexo

Tratamento 

Uma boa opção é evitar o contato do sêmen com a vagina usando camisinha e, de quebra, prevenir Doenças Sexualmente Transmissíveis.

“Outra possibilidade é fazer um tratamento médico utilizando pequenas doses do próprio sêmen em forma de vacina para fazer a dessensibilização”, explica a médica. Caso a mulher não consiga engravidar mesmo após essa terapia, os métodos de reprodução assistida, como a fertilização in vitro, podem ser boas opções. 

Fonte: Bolsa de Mulher