A internet tem, de tempos em tempos, correntes de mensagens que se tornam virais – principalmente no Facebook. Muitas mães e pais têm publicado na linha do tempo uma série de perguntas que fazem às crianças, que devem responder de maneira espontânea. São questionamentos sobre gostos pessoais, preferências, além de dados sobre a família, que costumam gerar respostas inusitadas e muito engraçadas.

No entanto, a divulgação da enquete pode colocar a criança em risco. O promotor da Infância e da Juventude de Criciúma (SC), Mauro Canto da Silva, deu um alerta em seu perfil na rede social a todos os pais que entraram na brincadeira, aparentemente inocente. “Cautela na exposição”, comentou o promotor na publicação. Entenda por que essa nova corrente das perguntas aos filhos pode colocá-los em situação de risco na internet.

Corrente de perguntas aos filhos no Facebook

A brincadeira consiste em pedir para que o filho responda a 18 perguntas, entre elas “qual é seu nome”, “quando é seu aniversário”, “qual é sua comida preferida”, “quem é o seu melhor amigo” e “do que você tem medo”. O questionário é respondido por crianças de várias idades e compartilhado por seus pais no Facebook.

Fato é que a simulação de entrevista pode levar à exposição de crianças em redes sociais, onde as informações podem ser acessadas por qualquer um, como destacou o promotor em entrevista à Rádio Gaúcha.

“Num ambiente vulnerável de rede social, mesmo que a maioria a utilize para interação e distração, não podemos ignorar as que utilizam para cometer crimes, especialmente aproveitando-se de crianças e adolescentes”.

Ação de pedófilos pode ser facilitada

Apesar de não haver a divulgação de fotos, alguns dados, se divulgados publicamente, podem se tornar uma porta de entrada para a aproximação de desconhecidos que tenham acesso às respostas publicadas na internet.

“Crianças, em especial, acabam confiando em adultos que demonstram afinidade. As respostas ao questionário são muito pessoais e uma pessoa querendo fazer o mal saberá utiliza-las para ganhar empatia com a criança. Depois de acontecer, ficaríamos nos perguntando: ‘como ele sabia do nome do melhor amigo ou a cor preferida do seu pai?’”, reforçou o promotor.

Como os criminosos agem

Segundo material da cartilha Todos contra a Pedofilia, a aproximação de criminosos, como pedófilos, se dá justamente quando a pessoa dá “o que a criança quer ou o que gosta ou precisa”.

“Dessa maneira, o pedófilo diminui a chance de ela se defender das situações de abuso e de negar seus pedidos: a criança passa a se sentir devedora da ajuda recebida. De modo geral, o pedófilo recorre a um modo de aproximação com a criança que se inicia pela fabricação de interesses comuns, brincadeiras ou jogos, através dos quais vai angariando a amizade, aceitação e confiança da criança”, detalha a cartilha, publicada em 2013.

O material produzido pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais destaca ainda que o Brasil é um dos três países que mais utilizam a internet para cometer crimes ligados à pedofilia.

Como proteger meu filho na internet

Para evitar que as respostas do seu filho se tornem públicas, o ideal é que você altere suas configurações de privacidade no Facebook, tornando restrito o acesso à sua publicação.

Para isso, você pode acessar o ícone “Quem pode ver isso?”, ao lado do conteúdo publicado em sua linha do tempo, e selecionar apenas “Amigos” ou ainda personalizar a privacidade para que apenas as pessoas que você escolher possam ver aquela postagem.

Outros cuidados

  • Evite publicar conteúdos que mostrem a localização do seu filho, como quando você o deixa na escola ou em locais aonde ele vai com frequência; essa pode ser uma informação que, para um criminoso, contribuirá para uma abordagem pessoal.
  • Não publique detalhes de preferências de seus filhos, que podem expor particularidades da criança e da família.
  • Devem ser evitadas, ainda, fotos da criança nua, fotos que possam envergonhá-la no futuro, fotos em que apareçam outras crianças e fotos que mostrem objetos de valor e bens materiais da família, como carros ou itens tecnológicos.
  • Se seu filho tem um perfil em uma rede social, se atente aos contatos que ele cria e às publicações e trocas de mensagens que ele tem na conta.
  • Não publique fotos de seu filho com amiguinhos sem a autorização dos pais das outras crianças.

Fonte: Bolsa de Mulher