Uma foto publicada pela página Breastfeeding Mama Talk (Papo de mãe que amamenta, em tradução livre para o português) comoveu milhares de pessoas na internet. Nela, Xenia Journey, uma bebê de oito meses com uma cicatriz na cabeça, aparece mamando. Na legenda, a mãe explica que a pequena está em tratamento contra o câncer e que a amamentação tem permitido o estreitamento do vínculo entre elas.

Bebê com câncer: entenda o caso

Xenia, aos dois meses, foi diagnosticada com um grave tumor no cérebro. Categorizado como maligno, ele era do tipo mais grave e podia resultar em metástase – migração das células cancerígenas pela via sanguínea e alojamento em outros órgãos.

Como tratamento, os médicos optaram por três cirurgias diferentes e, por causa da pouca idade da bebê, as sessões de radioterapia foram substituídas por seis ciclos de quimioterapia.

Agora, aos oito meses, a pequena já completou quatro ciclos. Foi em um desses momentos que a mãe decidiu compartilhar a foto dela mamando o peito e dizer: “Minha filha nasceu com câncer de grau 3 no cérebro. Estou imensamente feliz por ter a oportunidade de amamentar enquanto ela passa pela quimioterapia. Tem sido uma experiência de ligação para nós duas, especialmente porque nenhum dia é garantido”.

O caso é grave é as chances do câncer reincidir é de 95%. A mãe, no entanto, permanece esperançosa e acredita na sua filha, que já define como uma pequena grande lutadora.

Repercussão

A foto emocionou, mas a idade e a gravidade da doença da pequena também deixaram as pessoas perplexas. Crianças podem ter câncer? Qual é o tipo mais comum?

Câncer infantil

Embora tenha o mesmo surgimento fisiológico – multiplicação desordenada das células de determinada região –, o câncer em criançastem incidências diferentes daquele que surge em adultos. Isto é, enquanto nos adultos é mais comum surgir os tipos de mama, próstata ou pulmão, por exemplo, nas crianças os tipos mais comuns estão associados às células do sangue ou do sistema nervoso central.

Causas

De acordo com Cristiana Meirelles, pediatra diretora da HomePed, do Rio de Janeiro, nos adultos, grande parte dos cânceres está relacionada a fatores de riscos, como tabagismo, alcoolismo ou histórico família. Já nas crianças, embora possa haver predisposição genética, ainda não se sabe o que estimula o desenvolvimento da doença tão precocemente. “Em crianças, não conseguimos definir um fator de risco como identificamos em adultos. Algumas vezes existe histórico familiar positivo, mas essas situações são bem raras. A maioria é fruto de uma mutação aleatória e não identificamos a causa”, explica.

O bebê pode desenvolver o câncer mesmo antes de nascer, como aconteceu com a pequena Xenia, e também contrair a doença logo na primeira infância.

Tipos de câncer mais comum em crianças 

Entre os tipos mais comuns estão aqueles hematológicos (ou seja, que aparecem em células sanguíneas, como a leucemia e os linfomas); o tumor de wilms, que afeta o sistema renal; e os tumores no sistema nervoso central, como é o caso da pequena Xenia.

Tratamentos

Assim como nos adultos, o tratamento do câncer infantil pode contar com químio e radioterapia e cirurgias, a depender do tipo de tumor e da região.

Para as terapias com medicamentos e radioatividade, o tratamento é basicamente o mesmo, variando apenas a dosagem de acordo com o peso da criança. “As cirurgias são realizadas quando um tumor benigno começa a comprimir outras estruturas, afetando o sistema motor ou visual, por exemplo, ou quando é maligno e pode gerar metástase”, comenta Cristiana.

Como saber se meu filho tem um câncer?

Mas, mesmo existindo tipos mais comuns que afetam as crianças, é muito importante não viver em pânico e nem com medo do aparecimento das doenças. De acordo com a médica, basta observar os pequenos e consultar-se regularmente com o pediatra. “Às vezes os sinais ou os sintomas que levam à suspeita de câncer não são perceptíveis e só uma consulta com um especialista pode identificá-lo e partir para uma investigação mais profunda”, explica.

Sintomas de câncer infantil

Entre os sintomas mais comuns para os casos de câncer no sangue, Cristiana lista cansaço, palidez, sangramento que não cessa, manchinhas roxas e febre contínua sem causa aparente.

Já para os tumores no sistema nervoso central, dor de cabeça súbita e perda dos movimentos de partes do corpo ou da visão podem estar entre os sintomas.

Quais são as chances de cura?

Crianças 

Caso seja diagnosticada, uma criança com câncer com mais de um ano tem maiores chances de se recuperar. “De forma geral, na criança, a perspectiva de cura costuma ser melhor do que em adultos. Tem diferenças, mas de modo geral a resposta é melhor”, comenta a pediatra.

Bebês

Com bebês, no entanto, o caso pode ser mais delicado devido à fragilidade deles. No entanto, Cristiana reforça que tudo depende do tumor diagnosticado e dos tratamentos adotados.

Meu filho está com câncer: e agora? 

Caso uma criança seja diagnosticada com câncer, o ideal é buscar os melhores tratamentos e fornecer as melhores relações possíveis. No caso de Xenia, sua mãe prosseguiu com a amamentação, fator importante para o estreitamento de vínculo, mas essencial para a nutrição da pequena, que continua recebendo o melhor alimento do mundo para que possa lutar contra a doença.

De acordo com o pediatra Edward McCabe, em entrevista sobre doenças graves em bebês ao site americano Health, a primeira reação dos pais é a negação. Depois desse período, é importante que iniciem o tratamento com uma equipe de confiança, busquem muita informação sobre a doença e deem muito carinho e presença ao bebê ou à criança. Embora não seja um tratamento médico, a presença e o acolhimento contribuem para a recuperação dos pequenos. “É sempre importante ajudar os pais a enxergarem algo especial no bebê. Isso faz com que eles se concentrem em outras caraterísticas positivas além da doença”, diz.

Fonte: Bolsa de Mulher