A funcionária pública Damaris Carvalho, 36 anos, deu à luz gêmeos de parto normal e, por ter de esperar o reinício das contrações, o segundo bebê nasceu com um intervalo de 7 horas do irmão. A espera pelo nascimento, sem pressa para que o bebê seja retirado da barriga, é uma das diretrizes do parto humanizado – em que a mulher tem suas vontades respeitadas e tem o trabalho de parto da maneira mais natural possível. Damaris, que mora em Cuiabá (MT), contou ao Bolsa de Mulher que tudo foi muito tranquilo, desde as primeiras contrações até o nascimento dos bebês Gael e Athos. “Quando a bolsa estourou, eu até fui ao salão fazer as unhas e escova para me preparar”, comentou.

Ela ainda nos falou sobre o dia anterior ao parto, a importância de ter apoio de seu marido, filho mais velho e doulas neste processo e como ter informação sobre o parto a preparou para estar mais confiante na hora. A fotógrafa Elis Freitas acompanhou todos os momentos em fotos que ilustram essa matéria.

Consultamos ainda a ginecologista e obstetra Heloisa Brudniewski para saber se há riscos em um parto normal de gêmeos e de o segundo bebê esperar tanto para vir ao mundo. Entenda.

Parto humanizado de gêmeos 

Grávida de 37 semanas e 6 dias, Damaris Carvalho sentiu a bolsa romper quando estava na rua, mas não foi correndo para o hospital, “como acontece nas cenas de novela”, conforme destacou.

“Eu percebi que o líquido que saía era claro e não tinha ainda contrações. Estava perto de um salão de beleza, então, resolvi ir fazer as unhas e o cabelo”.

Ao chegar em casa, ela ligou para o médico, que fez uma avaliação clínica de Damaris no início da tarde.

“Por três semanas eu já sentia as contrações iniciais, os pródomos. Minha dilatação também já era mais fácil, porque eu estava na segunda gestação”. Os pródomos são uma etapa comum vivida por mulheres que entram em trabalho de parto.

“Para aliviar, pegava uma bola de pilates e ficava embaixo do chuveiro com água quente por uma hora”, relembra.

Na noite do dia anterior ao nascimento, Damaris se preparou em casa para o trabalho de parto ativo. Neste momento, ela contou com a ajuda de duas doulas, que a acompanharam também no nascimento do primeiro filho, Davi, que hoje tem 2 anos e 4 meses e, antes das contrações mais fortes, todos até comeram pizza juntos.

“Depois, comecei a buscar posições para sentir menos dores, me agachando e fazendo movimentos em aparelhos de barra. Fiquei pendurada com tecidos para amenizar as dores”.

Tranquilidade durante o trabalho de parto 

Damaris relata que, em todo o processo, se manteve calma por ter pesquisado bastante sobre as opções do parto normal desde a primeira gravidez. Apenas quando as contrações começaram a ter intervalo de menos de 1 minuto, ela foi para o hospital Santa Rosa, que tem uma suíte para parto humanizado.

Nascimento do primeiro bebê

“Em 15 minutos, o primeiro bebê nasceu. Fui colocada em uma cadeira de rodas e, antes mesmo de eu subir na cama, eu segurei Gael com a mão, em pé, na beira da cama”, conta Damaris que, neste momento, estava com a equipe médica e as doulas no quarto. “Meu marido foi correr para buscar uma luva e, quando voltou, ele já tinha nascido”, comenta. “Foi incrível, surreal e a adrenalina foi muito grande”.

Tanta que as contrações foram diminuindo e o segundo bebê, Athos, que estava em bolsa e placenta diferentes de Gael, demorou 7 horas para nascer – e Damaris recebeu uma dose de ocitocina, o hormônio para estimular as contrações.

Intervalo para o nascimento do segundo bebê 

“Saímos da suíte e fui para a banheira, então fiquei mais relaxada ainda. Ficamos esperando a volta da contração, enquanto o médico monitorava o coração do bebê. Quando eu amamentava Gael, o nível de ocitocina aumentava, mas precisamos ter uma pequena dose para estimular o nascimento”, relatou Damaris ao Bolsa de Mulher.

“Eu já estava cansada, o dia estava amanhecendo, então resolvemos aplicar uma pequena dose de ocitocina. Athos também nasceu rápido, desta vez eu estava sentada em um banquinho”.

Os dois bebês estavam de cabeça para baixo (cefálicos) dentro da barriga, o que facilitou o nascimento de parto normal sem complicações. Gael nasceu com 43 cm e 2,500 kg e Athos, com 48,5 cm e 2,965 kg.

Parto normal de gêmeos é seguro? 

De acordo com a ginecologista e obstetra Heloisa Brudniewski, o nascimento de parto normal de gêmeos depende, basicamente, da posição dos bebês. “É importante que pelo menos o primeiro esteja com a cabeça para baixo”, avalia.

Se eles estão em placentas e bolsas separadas, o que era o caso de Gael e Athos, as chances de o segundo ficar “esperando” para nascer são maiores, como aconteceu com os gêmeos. “Se eles estão na mesma placenta, na hora que nasce o primeiro, o segundo já se encaixa para nascer também”.

É normal o segundo bebê demorar a nascer? 

A médica explica que a espera pode acontecer, sim, e até por dias. “Se por algum motivo o primeiro bebê nasceu prematuro, o segundo não precisa nascer logo após, por exemplo”, comenta.

Por questões de segurança com a saúde do bebê, ele deve passar por um monitoramento enquanto estiver dentro da barriga. “É como se começasse um trabalho de parto novamente”.

Em casos que o intervalo entre um nascimento e outro é de dias, o risco de infecção do bebê pode aumentar. “A mulher é monitorada com exames de sangue, avaliando secreção vaginal, entre outros fatores”, comenta Heloisa.

Como se preparar para um parto normal de gêmeos? 

A médica orienta que grávidas que desejam ter um parto normal de gêmeos devem ficar tranquilas e ter bastante paciência.

“A paciência influencia muito no sucesso do parto normal. Se sentir romper a bolsa e começar a ter contrações, a mulher pode ficar algumas horas em casa. Não precisa necessariamente sair correndo para o hospital, para que a internação aconteça no momento favorável ao nascimento”.

Acompanhamento pré-natal e cuidados, como prática de exercícios físicos, também são importantes. Se informar sobre os tipos de parto e cada etapa que acontece antes de dar à luz também contribuiu para uma gestação e nascimento tranquilos.

Fonte: Bolsa de Mulher