surto de microcefalia causado pelo zika vírus colocou em alerta pesquisadores de todo o mundo. Em cada nova forma de manifestação da doença, a ciência busca uma maneira de impedir seu desenvolvimento. Os gêmeos Laura e Lucas, filhos de Jaqueline Jessica Silva de Oliveira, são, ao que tudo indica, o mais novo objeto de estudo. Isso porque Laura nasceu com microcefalia, enquanto Lucas nasceu perfeitamente saudável. Mas por que será que isso aconteceu?

Microcefalia em gêmeos: caso de Laura e Lucas

Em entrevista ao site da agência de notícias Reuters, Jaqueline contou que foi um ultrassom de rotina que mostrou que um de seus bebês nasceria com microcefalia. “Quando eu descobri que um deles tinha microcefalia, o chão caiu sob meus pés”, disse.

Jaqueline teve zika no começo da gestação e sabia que seria um desafio criar um filho com problemas de desenvolvimento. “Você sempre espera que eles nascerão bem, pensando que [o diagnóstico de microcefalia] poderia ser um erro do médico ou do ultrassom”.

Lucas e Laura nasceram em novembro do ano passado. Apesar de a família morar em Santos, cidade que fica na região litorânea do estado de São Paulo, a menina faz tratamento com médicos e fisioterapeutas em São Paulo para amenizar as consequências da microcefalia.

“Eu agradeço a Deus por ter me dado ela. Eu nunca a abandonaria”, disse Jaqueline, que explica que nunca questionou o porquê de apenas um bebê nascer com microcefalia e conta: “Os médicos querem estudá-los para saber o que protegeu o Lucas e ajudar outras crianças.

Por que isso aconteceu? 

Lucas e Laura são um dos cinco casos de zika em gêmeos que estão sendo estudados por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP).

A diretora de Pesquisa do Genoma Humano da universidade, Mayana Zatz, explicou, também em entrevista à Reuters, que existem algumas hipóteses para justificar a transmissão de zika para apenas um dos bebês gêmeos.

Quatro hipóteses

A primeira delas é a possibilidade de a criança que não desenvolveu a microcefalia possuir um gene que o protegeu, eliminando a chance de infecção pelo zika.

Mas também é possível que a placenta que circundou um dos bebês dentro do útero fosse permeável ao zika, enquanto a do outro foi capaz de barrar o vírus.

Outra justificativa para a microcefalia em apenas um bebê é que o vírus tenha penetrado as duas placentas, mas tenha encontrado neurônios resistentes em um dos bebês.

Por último, também está sendo investigada a chance de que haja genes que predispõem a microcefalia no bebê e que eles sejam alterados pela presença do zika vírus. De acordo com a médica, há 15 genes que controlam o surgimento da microcefalia.

Veja a reportagem completa abaixo: 

Fonte: Bolsa de Mulher