A atriz Vanessa Giácomo comentou, durante participação no quadro da sexóloga Laura Muller do programa Altas Horas, da TV Globo, sobre um comportamento de seu filho Moisés, de 6 anos, que a deixou sem reação. Ela revelou que o menino disse “gostar de peitos e ver meninas peladas”. Na época, ele tinha apenas 4 anos.

Apesar de o interesse da criança por sexo ser absolutamente natural, a situação quase sempre deixa mães e pais desesperados, sem saber lidar com a curiosidade e cheios de tabu.

Afinal, qual é o momento ideal para falar de sexo com as crianças? E o que fazer se, ainda pequenas, elas demonstrarem características da própria sexualidade?

Curiosidade sobre sexo: como lidar? 

A declaração feita pelo filho de Vanessa, na interpretação de um adulto, parece ter apelo sexual. No entanto, segundo especialistas, no contexto infantil, ela pode ser apenas o indício de pura curiosidade.

A sexóloga Laura Muller explicou à atriz qual atitude a mãe pode ter com seu filho nestes casos, em que ele fala de desejos e interesses que, para adultos, estão ligados diretamente a um comportamento sexual.

Quando tocar no assunto? 

“O ideal é ampliar mais o assunto e iniciar a conversa quando a criança começa a trazer coisas”, comenta. “A gente já pensa em sexo, mas ele pode gostar de peito porque lembra amamentação, porque acha bonito esteticamente. Ele pode ter uma referência de identificação com a mãe também”.

A especialista destacou que a opinião da criança está contextualizada dentro do mundo infantil – ou seja, sem os pudores ou malícia que estamos acostumados a vivenciar em nossas relações. “A ‘maldade’ só aparece a partir da pré-adolescência”, complementou a sexóloga.

Como falar sobre sexo com crianças? 

E se as crianças começarem a perguntar de onde vieram, o que é beijo, sexo, entre outros questionamentos “cabeludos”?

De acordo com a psicóloga infantil Raquel Benazzi, do Núcleo Terapêutico Corujas, é importante que os pais esteja preparados para esta fase, que se inicia por volta dos 5 anos.

“A criança é um livro em branco. Ela não pergunta com malícia. É pura curiosidade. Mas, a forma como os pais lidam com essas questões é o primeiro registro nas páginas em branco que a criança vai ter sobre sexualidade. A angústia, os receios, os tabus, as inseguranças, o pudor e o moralismo dos pais podem passar para a criança, mesmo sem que eles percebam, e afetar seu desenvolvimento”, explica a especialista.

Dicas para falar sobre sexo com os filhos 

Não antecipe respostas – espere que ele traga as dúvidas e controle a ansiedade para não disparar informações que a criança não terá referências para entender.

Não reprima perguntas e atitudes – se ele fala, sente ou pergunta alguma coisa que tenha conotação sexual, não faça com que o assunto seja intocável ou proibido; fale abertamente e de maneira natural, sem repressões.

Não desvie da resposta – dizer que não vai falar sobre isso ou despistar a resposta pode fazer com que a criança busque informação em outras fontes, desconhecidas pelos próprios pais.

Não dê exemplos pessoais – fale de maneira genérica sobre a vida sexual dos adultos e não “eu e seu pai” ou “eu e sua mãe” fazemos assim.

Não fale com agressividade – essa atitude pode passar a ideia de que o assunto é desconfortável e atrapalhar a criação do vínculo de confiança.

Fonte: Bolsa de Mulher