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Seria melhor guardar o dinheiro que você gasta em suplementos vitamínicos na gravidez para outros custos que a família terá quando o bebê chegar. Pelo menos esta é a recomendação de um grupo de pesquisadores internacionais que publicou um artigo na revista eletrônica Drug and Therapeuratics Bulletin (em inglês) sobre a reposição multivitamínica para gestantes. A ingestão de dois nutrientes, entretanto, continua sendo recomendada às futuras mães, de acordo com o estudo.

A crítica dos pesquisadores é justamente com gastos desnecessários que os pais despendem com esse tipo de produto, que tem forte ação de marketing, fazendo com que as grávidas sejam “vulneráveis à messagem de dar a seus bebês um início de vida melhor”.

O estudo reforçou que não há evidências comprovadas de que tomar complementos vitamínicos na gravidez possa ajudar no desenvolvimento do feto.

“Não encontramos nenhuma evidência para recomendar que todas as grávidas devam tomar suplementos no pré-natal. O foco principal deve ser na promoção de uma alimentação saudável e no crescimento do uso de suplementos de ácido fólico, que tem pouca entrada, principalmente entre as famílias de baixa renda”.

A absorção da maioria desses nutrientes, portanto, pode e deve ser feita por meio da alimentação – por isso, é importante que cada gestante faça um plano alimentar de acordo com suas necessidades.

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Nutrientes importantes para grávidas encontrados em alimentos

Ferro: é essencial para a produção de hemoglobina, a célula vermelha do sangue, em qualquer indivíduo. Nas gestantes, ocorre um aumento do volume de sangue, que requer mais hemoglobina e, em consequência, mais ferro. O nutriente é encontrado em grande quantidade nas verduras de cor verde escura, como espinafre, rúcula e agrião, assim como no feijão e em algumas oleaginosas.

Vitamina A: tem papel no desenvolvimento e crescimento do feto e sua ingestão pode ser feita por meio de alimentos ricos em betacaroteno, como cenoura e beterraba. O estudo reforça que a suplementação desse nutriente pode ter efeito teratogênico (gera defeitos no feto) e que, por isso, deve ser evitada.

Vitamina C: os níveis ideais no organismo da mulher podem ser alcançados por meio da alimentação. A acerola, por exemplo, é uma fruta rica em vitamina C.

Cálcio: a mãe deve ter reservas de cálcio para oferecer ao bebê. Mas a suplementação é reservada para casos específicos, por exemplo, uma mulher que não consome produtos à base de leite.

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Suplementos necessários

Segundo os pesquisadores, no entanto, o ácido fólico e a vitamina D devem, sim, ser suplementados. Isso porque o corpo da gestante exige uma dose extra desses nutrientes que a alimentação, sozinha, não consegue suprimir.

Ácido fólico

O ácido fólico tem importância redobrada porque previne má-formação no tubo neural, o futuro sistema nervoso do bebê formado por neurônios, medula, cérebro, entre outras estruturas. “A alimentação pode não ser suficiente para suprir as necessidades, por isso a suplementação é sempre indicada”, explicou a nutricionista Luciana Costa em entrevista ao Bolsa de Mulher.

A recomendação é que a mulher em idade de engravidar receba 400 microgramas de ácido fólico por dia.

Vitamina D

O artigo ressalta que a importância do consumo de alimentos ricos vitamina D pelas grávidas. Esta vitamina é sintetizada pela exposição ao sol e a suplementação não é consenso entre os obstetras.

“A deficiência de vitamina D na infância tem sido associada a baixos níveis de vitamina D na gravidez e pode afetar negativamente o crescimento e a formação óssea da criança, além da composição do esmalte dos dentes e sua capacidade de absorção de cálcio”, destacou o artigo.

Fonte: Bolsa de Mulher