Na última terça-feira (14), o adolescente Matheus Oliveira morreu por causa de uma meningite com encefalite herpética. Esse não foi o primeiro caso de morte pela doença no ano e se antes a correria dos pais às clínicas de imunização era motivada pela gripe H1N1, agora é a infecção das meninges que está gerando preocupação. Será que há mesmo motivo para tanta apreensão? Conversamos com o Ministério da Saúde e especialistas para entender melhor e te ensinar a se proteger.

Há mesmo um surto de meningite? 

De acordo com o Ministério da Saúde, a circulação da meningite este ano ainda está dentro da normalidade, ou seja, o número de casos e de óbitos não difere do esperado para 2016 levando em consideração os últimos anos. Segundo dados preliminares do órgão, foram 15.670 casos e 1.534 mortes em 2015. Ou seja: não há epidemia.

O órgão explica também que, no Brasil, a meningite é considerada uma doença endêmica, ou seja, um número expressivo de casos da doença é esperado ao longo de todo o ano no país, sendo mais comum a ocorrência das meningites bacterianas no inverno e das virais no verão.

Vacina contra meningite: como age cada uma?

Existem seis tipos de vacina contra a doença. O Ministério da Saúde oferece quatro delas no Calendário Nacional de Vacinação:

– BCG: dada com uma dose ao nascer, protege contra a bactéria que causa tuberculose, que também pode desencadear a meningite;

– Pentavalente: dada com doses aos dois, quatro e seis meses de vida, protege da meningite causada pelo H. influenzae tipo B. Também previne outras doenças – difteria, tétano, coqueluche e hepatite B;

– Meningocócica C: administrada aos três e cinco meses de idade, previne a meningite por N.Meningitidis do sorogrupo C;

– Pneumocócica conjugada 10-valente: dada aos dois, quatro e seis meses, protege contra doenças invasivas e outras infecções causadas pelo S. Pneumoniae.

Já no sistema particular, está disponível uma vacina nova, que protege contra a meningite B. A alergista e imunologista Fátima Rodrigues Fernandes, coordenadora do grupo de imunização da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, explica que essa nova opção protege contra o meningococo B. A especialista explica que a proteção dada por essa vacina é importante e que as instituições médicas recomendam que ela seja tomada, sempre de acordo com a recomendação individual dada por um médico.

No entanto, a vacina é cara: cada dose custa cerca de R$ 550 e são necessárias duas para crianças e adolescentes. O Ministério da Saúde precisa estudar a farmacoeconomia, que é a avaliação do impacto financeiro e do impacto na saúde pública de colocá-la ou não no calendário nacional de vacinação, para definir se a adotará.

A imunologista explica também que o aumento da preocupação com a meningite B está relacionado à diminuição dos casos decorrentes da infecção por outros micro-organismos mais comuns, como a bactéria da tuberculose, em função da abrangência da vacinação oferecida pelo Governo. Com a diminuição desses diagnósticos da meningite “tradicional”, passam a ser feitos, relativamente, mais diagnósticos de meningites antes mais raras, e elas “sobem de posição” no ranking das causas da doença.

Existe ainda outra vacina para meningite disponível apenas no sistema privado, a vacina meningocócica ACWY, que protege contra outros causadores de meningite.

Posso tomar vacina de meningite depois de adulto? 

De maneira geral, caso você não tenha tomado alguma das vacinas contra meningite, você poderá tomá-la depois de adulto. A mesma conduta pode ser tomada se você perder sua caderneta de vacinação e não se lembrar se tomou ou não alguma imunização. A vacina meningocócica B, que só chegou agora ao Brasil, pode ser dada em duas doses ao adulto.

Eficácia das vacinas contra meningite 

A médica explica que qualquer micro-organismo patológico pode gerar uma meningite. Isso significa que há inúmeros vírus, bactérias, parasitas e fungos que podem provocar a doença e, portanto, é impossível vacinar-se contra todos eles e estar 100% protegida da meningite. Além disso, nenhuma vacina tem eficácia de 100%, a taxa varia de acordo com o fabricante e, no caso da meningite, elas costumam girar entre 70% e 80%.

Mas vale lembrar que a vacinação é considerada a forma mais eficaz na prevenção da meningite bacteriana, que é uma das mais importantes do ponto de vista de saúde pública.

O que é meningite? 

As meninges são três camadas que formam uma espécie de invólucro do cérebro e da medula espinhal, protegendo-os de micro-organismos causadores de doenças e lesões. Mas essas bactérias, vírus, parasitas e fungos que ela impede que cheguem ao sistema nervoso também podem infectá-la, causando a meningite.

Quais são os sintomas 

Os principais sintomas da meningite são rigidez e dor na nuca e dor de cabeça, febre e vômitos em jato. Em bebês recém-nascidos, podem ser observados outros sinais da doença, como dificuldade para sugar e intercalação de períodos de apatia e choro intenso.

Tratamento 

Antes de tratar a doença, é preciso fazer o diagnóstico através do exame de punção do liquor, que analisa a presença de infectantes no líquido que fica entre a medula e o sistema nervoso. Depois disso, é estabelecido qual é o agente causador – que pode ser bactérias ou vírus, entre outros micro-organismos – e qual o melhor medicamento para combatê-lo (antibióticos ou antivirais).

Como se pega meningite 

A principal forma de transmissão da meningite é através de gotículas e secreções provenientes das vias respiratórias. Em casos de infecções causadas pelo Enterovírus, a via de transmissão fecal-oral – que acontece quando é consumido algum alimento contaminado por material fecal de outra pessoa, por exemplo – também deve ser considerada.

Formas de prevenir 

Além de se vacinar, o ideal é evitar o contato com pessoas com meningite. Caso você more com alguém que esteja doente, o recomendado é conversar com o médico para avaliar a possibilidade de também tomar os medicamentos para prevenir infecção, no caso de meningite bacteriana, e manter um monitoramento por pelo menos 10 dias.

É importante avisar a escola, no caso das crianças, e o trabalho da doença, que pode ser transmitida para outras pessoas que trabalhem nesse mesmo espaço. O médico, por sua vez, deve avisar o sistema de vigilância sanitária.

Outros cuidados para evitar a transmissão da doença é manter uma boa higiene das mãos, com uso de água e sabonete ou álcool em gel periodicamente, e evitar levá-las aos olhos e a boca, onde os micro-organismos podem ser levados para dentro do corpo.

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Fonte: Bolsa de Mulher