Se uma pessoa pudesse, a qualquer sinal de perigo, acionar um dispositivo que mostre para conhecidos e pessoas próximas que está em uma situação de risco, você se sentiria mais seguro para andar sozinho na rua ou deixar um idoso em casa? Essa é a ideia propagada pela russa Katya Kermlin, de 41 anos que, antes de se unir ao projeto Nimb, foi vítima de um ataque inusitado e muito revoltante.

Violência contra a mulher: história de Katya

Há 16 anos, enquanto andava pela rua do seu bairro, durante o dia, Katya foi abordada por um rapaz que se mostrou interessado em conhecê-la. Com pressa, ela logo dispensou a conversa. Mas, sem que pudesse imaginar, o homem voltou a procurá-la – desta vez, não para tentar conversar, mas sim armado com uma faca.

Ele deu nove apunhaladas na russa, que teve a garganta cortada, o estômago perfurado e o peito machucado. Como ela conta, ele quis atingir seu coração e só não conseguiu porque os ossos da caixa torácica impediram perfurações profundas.

Seu socorro aconteceu em pouco tempo e sua vida só foi salva porque um vizinho ouviu seus gritos e a encaminhou ao hospital.

Com ferimentos graves e muita perda de sangue, Katya quase morreu. Depois de dias internadas e muita mobilização dos familiares, profissionais da área da saúde e conterrâneos que doaram muito sangue, ela se recuperou. “Quando me levantei da cama várias semanas depois do ataque, senti pela primeira vez na vida que eu poderia ficar em pé. Em todos os sentidos da frase. Eu entendi o que significa viver e estar viva, e eu aceitei com total responsabilidade a vida que viria. Deixei de ser vítima de um crime e me tornei uma sobrevivente”, escreveu recentemente em um post feito no Facebook, em que divulgou aos seus amigos o seu projeto.

Como Katya escreveu, muitas vezes não é possível fazer nada para mudar o destino. Mas, isso não significa que acontecimentos terríveis precisam passar a definir o curso da vida. “Ver uma situação ruim cara a cara é difícil e assustador. Mas, o final pode ser incrivelmente feliz. Eu tive muita sorte” escreveu.

Hoje, depois de ter se recuperado dos traumas físico e psicológico, Katya quer tornar o mundo um lugar mais seguro. Para evitar que outras pessoas passem por situações como a sua, ela se juntou ao Nimb, um projeto de tecnologia de segurança.

Anel com botão do pânico

O que é? 

O Nimb é o nome do projeto que, como Katya define, usa tecnologia para salvar vida. O produto consiste em um anel com um botão que, quando acionado, envia alertas de emergência e a localização do usuário para contatos previamente registrados através de um aplicativo.

1) Se você precisar de ajuda

Pressione e segure o botão do anel por três segundos

2) O Nimb envia um alerta

Uma mensagem com a sua localização é enviada a seus círculos de segurança

3) Resposta ao seu alerta

Sua equipe de resgate é avisada que você está em perigo e segue para te ajudar

Para que serve? 

Com isso, Katya diz que pessoas que estão expostas a situações de riscos, como crianças que ficam em casa sozinha, idosos, diabéticos ou mulheres que saem tarde do trabalho, podem garantir sua segurança caso precisem de ajuda.

Como funciona? 

Depois de pressionado, a tecnologia manda sinais de alerta com a localização da pessoa para contatos previamente programados através de um aplicativo instalado nos celulares. Policiais ou autoridades públicas, familiares, amigos, e vizinhos podem ser cadastrados. A ideia é também aceitar que pessoas próximas, desde que tenham o mesmo aplicativo instalado, recebam a mensagem.

O aplicativo ainda carrega funções como a possibilidade de conversar com pessoas cadastradas ou que estão em localizações próximas e enviar ou cancelar os alertas.

A ideia de instalar o botão do pânico em um anel é exatamente para que todos possam usar de forma prática, discreta e útil. O projeto ainda precisa de investimento para ser viabilizado, e doações podem ser feitas pela internet.

Fonte: Bolsa de Mulher