A participação de homens e mulheres no mercado de trabalho sempre foi desigual e pautada em questões de gênero que, até hoje, barram o crescimento profissional da população feminina. Embora seja evidente o desprendimento gradativo das mulheres das tarefas domésticas e da dedicação exclusiva ao lar, engana-se quem pensa que as chances de desenvolvimento sejam iguais para ambos os sexos.

Na realidade, ao observar os números mais de perto, a conclusão é assustadora: de acordo com a Organização Internacional do Trabalho, no ritmo atual, ainda vai levar pelo menos 70 anos para que homens e mulheres tenham chances iguais no mercado de trabalho.

Além de questões históricas (a mulher levou muito mais tempo para poder circular na esfera pública e estudar já foi proibido), a desigualdade na educação é consequência da profunda discriminação de gênero de maneira geral. Em média, as mulheres continuam recebendo menos educação do que homens que, por sua vez, recebem mais incentivo social para priorizar seu próprio desenvolvimento.

Prova disso é que, até hoje, a carga de trabalho doméstico é muito maior sobre as mulheres do que sobre os homens – elas fazem mais do que o dobro de tarefas domésticas (incluindo cuidado com filhos). O resultado? É claro, sobra menos tempo para se dedicar a outras coisas.

As consequências da disparidade de gêneros na sociedade se refletem, então, no espaço da mulher no mercado de trabalho – até mesmo economicamente. Além de ocuparem muito menos cargos de chefia do que homens (cerca de 95% dos grandes líderes empresariais são do sexo masculino), o salário para desempenho da mesma função é menor para mulheres.

O relatório da Organização Internacional do Trabalho reforça também que essa diferença é consequência não só da desigualdade na educação, mas também da desvalorização do trabalho da mulher, da discriminação e da necessidade de muitas mulheres de interromper a carreira profissional por conta de outras responsabilidades, como cuidar dos filhos enquanto o homem continua trabalhando.

De acordo com relatório do Fórum Econômico Mundial, o Brasil ainda é um dos países mais atrasados no quesito igualdade salarial: estamos em 124º lugar, entre 142 países, no ranking de igualdade de salários. No continente americano, estamos à frente apenas do Chile.

A responsabilidade de conciliar a carreira profissional com a vida em casa ainda é um traço cultural muito forte e nocivo ao desenvolvimento das mulheres, assim como a ideia de submissão, que freia a competição pelo espaço em ambientes profissionais que, culturalmente, ainda são visto como masculinos.

Ainda é necessário que haja um esforço multilateral social, empresarial e educacional e de políticas públicas para que a mulher tenha mais incentivo e segurança também na autonomia econômica e no desenvolvimento pessoal.

Dados:

Fonte: Bolsa de Mulher