Para que a mulher possa dar à luz por parto normal, é preciso que ocorra uma série de mudanças em sua vagina. A principal delas é seu “alargamento”, que permite a passagem do bebê. Mas existem muitos outros processos que tomam conta do corpo materno e encontram seu desfecho lá embaixo. Em alguns casos, eles são permanentes. Descrevemos um por um a seguir.

Mudanças na vagina durante o parto 

Alargamento 

A ginecologista e obstetra Ana Lucia Beltrame, especialista em reprodução humana, explica que a vagina é composta por fibras musculares elásticas e que, assim como os músculos do corpo, ela é capaz de se esticar muito.

Além disso, durante a gravidez, o canal vaginal vai sofrendo modificações para se preparar para o parto: ele fica mais úmido e vascularizado.

Chegada a hora do parto, ela se distende o quanto for preciso para dar passagem ao bebê. Não existe uma medida certa, isso depende de cada mulher, mas, de maneira aproximada, uma dilatação vaginal de 10 cm é considerada normal.

Mudanças na vulva e nos lábios 

Assim como a vagina, é esperado também que a vulva – que inclui grandes e pequenos lábios – também seja distendida. Uretra, reto, pele e mucosas também sentem os efeitos do esticamento.

Para evitar lacerações de todas essas estruturas, a especialista recomenda fisioterapia uroginecológica, conjunto de técnicas e exercícios feito por fisioterapeuta que ajuda a preparar a região íntima para o parto, com ganho de força e mobilidade em toda a região íntima.

Secreções expelidas

Corrimento normal

A ginecologista explica que toda grávida tem secreção vaginal aumentada, que fica mais volumosa de acordo com o correr da gravidez, mas que não tem cor nem cheiro e tampouco gera coceira.

Tampão mucoso

A primeira secreção diferente eliminada pela vagina é o tampão mucoso, uma secreção mais gelatinosa que o corrimento comum e com coloração esbranquiçada, rosa, amarronzada ou até com vestígios de sangue.

Esse muco protege o útero de bactérias e pode indicar que o colo do útero começou a se dilatar e, em breve, o bebê irá nascer. No entanto, muitas mulheres “perdem o tampão mucoso” semanas antes do parto, o que faz dele um sinal apenas relativo de que o nascimento está muito próximo.

Líquido da bolsa

Quando a bolsa amniótica estoura, o líquido que ela continha flui através da vagina até chegar ao meio externo. Ele deve ser claro e pode conter algumas secreções, mas se a coloração for verde ou amarronzada pode ser sinal de presença de mecônio no líquido amniótico e, portanto, risco ao feto.

O rompimento da bolsa pode acontecer até 72 horas antes do parto, mas o mais comum é que ela ocorra na primeira fase do trabalho de parto, a fase latente.

Pressão 

Quando o bebê começa a descer do colo do útero, chegando à vagina, é comum sentir uma sensação de pressão na região.

Ardência 

Essa sensação, que é também conhecida pelo nome “círculo de fogo”, indica que o períneo está totalmente distendido. O sintoma costuma ocorrer quando o bebê está coroando, ou seja, sua cabecinha está começando a exteriorizar.

Prazer 

Você já ouviu falar em parto orgásmico? O ginecologista e obstetra Braulio Zorzella, do espaço Bem Gerar, explica que esse tipo de nascimento é aquele em que a mulher está tão segura em relação aos seus anseios e medos, que consegue se soltar, relaxar e transformar a dor do momento em prazer.

Uma das explicações para esse desfecho prazeroso é que o estímulo de certas terminações nervosas próximas à vagina durante o parto é o mesmo que ocorre durante a relação sexual, gerando um orgasmo.

Mudanças na vagina depois do parto 

Fica mais larga? 

A ginecologista Ana Lucia Beltrame explica que a vagina passa por um alargamento importante durante o parto e que essa alteração muda sua anatomia de maneira permanente, mas não necessariamente sua funcionalidade. “Se a mulher fizer uma preparação, praticando exercícios físicos e fisioterapia uroginecológica, a parte sexual pode permanecer intacta, com a mesma satisfação”, explica.

A médica explica também que a mudança das estruturas íntimas depende do número de partos e da ocorrência de lesões durante o nascimento. Caso haja ruptura do músculo ou da fáscia muscular, por exemplo, pode haver modificação da estruturação da bexiga e sua localização na pelve.

Fica fraca? 

Durante a gravidez, o aumento da circulação do hormônio relaxina, que deixa os ligamentos mais frouxos, e o peso da barriga geram sobrecarga à musculatura do assoalho pélvico. Já no parto, essa musculatura pode sofrer rupturas com a passagem do bebê.

Para garantir que os músculos mantenham sua força, não entrem em fadiga e não se rompam durante o nascimento, é preciso fazer exercícios de fisioterapia ginecológica durante a gestação. As sessões, que envolvem exercícios de Kegel e estimulação muscular, ajudam a musculatura a chegar íntegra ao fim da gestação.

Fonte: Bolsa de Mulher