Tirar o frango e a carne vermelha do cardápio é um hábito que tem cada vez mais adeptos, seja por questões religiosas, ideológicas ou nutricionais. A lista de famosas que aderiram à dieta vegetariana, por exemplo, é grande: Isabella Fiorentino, Fiorella Mattheis, Gianne Albertoni já se tornaram seguidoras desta prática alimentar. A atriz Mariana Rios cortou a carne e o frango para perder peso e, na ocasião, eliminou 6 kg.

Mas, o que será que acontece com o corpo se você ficar por muito tempo sem esses 2 alimentos? Conversamos com uma nutricionista que explicou se a prática é saudável: como o corpo reage? É preciso fazer substituições? Entenda.

Não comer carne e frango: o que acontece? 

Benefício 

No dia a dia, a ausência destes alimentos não reflete em mudanças muito drásticas no organismo. O efeito mais notável, ao longo do dia, é a sensação de estômago mais leve por conta do “alívio” dado ao metabolismo com a retirada dos alimentos que têm digestão mais demorada, como explica a nutricionista Patrícia Cruz.

“Podemos pensar que fazer digestão é como se fosse o nosso trabalho. Se eu reduzo a quantidade de papeis em cima da sua mesa, você fica mais leve para trabalhar”, define. “Por isso, a falta de proteína animal deixa o metabolismo diferente”.

Por ser fonte de gordura saturada, retirar a carne vermelha da dieta também contribui para a perda de peso.

Prejuízo 

A falta da carne bovina e de frango durante muito tempo, entretanto, tem um malefício: pode provocar deficiência de vitamina B12.

Esse componente é fundamental para a formação de células vermelhas e manutenção do sistema nervoso central. Por isso, sem essa vitamina do complexo B, podemos sentir fraqueza, fadiga e falta de concentração, além de anemia e deficiências neurológicas.

“A carne vermelha é fonte importante de proteínas essenciais, necessárias para construção muscular e fortalecimento do sistema imunológico; ferro, mineral que compõe a hemoglobina e é fundamental para o transporte de oxigênio aos tecidos; zinco, importante também para o sistema imunológico, e vitaminas do complexo B”, explicou a nutricionista Cintya Bassi, do Hospital e Maternidade São Cristóvão, em entrevista ao Bolsa de Mulher.

“Pode acontecer queda de cabelo e mudança na pele, porque a proteína presente na carne é construtora de tecido, por exemplo”, comenta Patrícia. “Há casos em que a menstruação pode até falhar”.

Como tirar a carne e o frango da dieta? 

Você já ouviu alguém falar que, se não comer um bife ou um frango grelhado, fica fraco e indisposto?

Essa sensação, de acordo com Patrícia, se dá por conta do desequilíbrio nutricional no dia a dia da pessoa. “Geralmente, quem se sente fraco é porque anteriormente ingeria carne vermelha e o frango em excesso e não fez o equilíbrio adequado com a nova dieta”.

Portanto, é importante que essa restrição alimentar seja acompanhada por um profissional da saúde, que avaliará as necessidades nutricionais do seu organismo. Vale lembrar que a proteína animal é importante para a construção e tecidos e, por isso, não deve ser retirada de forma radical e muito menos sem que haja compensação de nutrientes.

Frequência de consumo 

De acordo com Patrícia, não é indicado para de comer de uma vez. “Se a ideia do paciente é ser mais saudável, a orientação é, primeiro, diminuir a frequência de consumo e não retirar de uma vez”.

Substituições 

Fato é que várias pessoas no mundo mantêm uma dieta livre de frango e carne e continuam saudáveis. O segredo, segundo Patrícia, está na prática das substituições.

Leguminosas 

“Com a ausência do frango e da carne, é indicado o aumento de consumo de leguminosas, ovo, leite e seus derivados”, explica a nutricionista. Apesar de as primeiras terem proteína de baixo valor biológico, elas são ricas em fibras, o que facilita a digestão e ajuda a perder peso, caso seja esse o objetivo da restrição alimentar. Escolha aquelas que têm coloração escura, geralmente mais ricas em ferro.

Peixe 

Os peixes também devem ser incluídos na dieta.  Por ter baixo teor de gordura e ser fonte de ômega 3 e vitamina B12, o alimento pode até ser consumido todos os dias, “desde que seja saudável, cozido ou grelhado”.

“Também há alguns estudos que mostram que a dieta composta por vegetais e peixe aumenta o fator protetor de doenças cardiovasculares”, explica Patrícia. “Esse benefício é aliado com a redução do consumo de carne, que é uma fonte de gordura saturada”.

Soja 

“A soja, que também é uma proteína completa, é mais indicada para substituir a carne. Com ela, também são indicados feijão, lentilha e vegetais, que são fontes de ferro”.

Fonte: Bolsa de Mulher