A atriz Elke Maravilha está internada em coma induzido na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) de um hospital no Rio de Janeiro, após a realização de uma cirurgia de úlcera duodenal.

Com 71 anos, ela deu entrada na Casa de Saúde Pinheiro Machado há algumas semanas sentido dores abdominais. Ela teria retornado à unidade neste final de semana com as mesmas queixas e, depois de identificado o problema, foi submetida à cirurgia na segunda-feira (18). Ela não tem previsão de alta, mas segundo informações de seu irmão ao site de entretenimento Ego, “ela está ótima, tem reagido bem aos medicamentos, lúcida e interage normalmente com as pessoas”. Ao jornal Extra, Elke tranquilizou os fãs: “Estou me recuperando e logo estarei de volta”.

Para saber mais detalhes sobre a cirurgia de úlcera duodenal, tratamento, riscos e por que Elke precisou ficar em coma induzido após o procedimento, conversamos com o cirurgião de aparelho digestivo Roberto Rizzi, do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim (que não está acompanhando o caso da atriz).

A incidência de úlcera no duodeno nada mais é do que o surgimento de ferimentos na primeira parte do intestino delgado.

De acordo com o especialista, a cirurgia de úlcera duodenal é um procedimento muito raro, pois a doença tem tratamento clínico. Só é necessário operar quando a úlcera já está em condições emergenciais, as quais o médico detalha:

  • Quando está perfurada

“Algumas pessoas são sensíveis ao uso de remédios anti-inflamatórios, o que pode fazer com que apareça a úlcera e ela pode, então, ser perfurada”.

  • Quando há um quadro de infecção

“Quando há perfuração da úlcera, a pessoa pode ter peritonite (infecção da membrana que reveste as paredes internas do abdome e as paredes externas dos órgãos digestivos), que dói muito”.

  • Quando há sangramento

“Neste caso, a pessoa pode até chegar a vomitar sangue e entra no chamado choque hemorrágico”.

  • Quando o duodeno entope

“O duodeno pode fechar e, então, a comida não passa e ela vomita. Neste caso, é preciso fazer cirurgia”.

A gravidade da doença, segundo o cirurgião, não tem necessariamente a ver com falta de tratamento. “Às vezes, a pessoa nem sabe que tem úlcera antes de sentir as dores”.

Causas da úlcera

O médico ressalta que a ingestão indiscriminada de anti-inflamatórios e o uso de cigarro podem comprometer a saúde tanto das pessoas que já têm úlcera quanto das que nem sabem que têm.

“A pessoa pode ter úlcera aguda, que surge geralmente por estes dois fatores, ou crônica, que é hereditária e provavelmente provocará crises de dor”, comenta. “No segundo caso, os dois hábitos podem agravar a situação”.

Como a cirurgia é feita

A cirurgia de úlcera duodenal pode ser feita de duas maneiras: por incisão (corte) ou por videolaparoscopia. Na primeira, o procedimento é feito por uma incisão cirúrgica na cavidade abdominal. Já a segunda é realizada com o uso de uma câmera de vídeo para localizar a região a ser operada.

“No caso da úlcera perfurada, é preciso fazer um processo para lavar a peritonite e suturar a úlcera. As condições do paciente vão dizer se a cirurgia será por corte ou por videolaparoscopia; isto porque a segunda opção pode agravar a situação da doença se o paciente estiver em um estado de choque”.

Coma induzido pós-cirúrgico

O cirurgião de aparelho digestivo explica que, se o paciente está em uma fase crítica pós-cirurgia, é necessária a indução do coma.

“No caso da atriz, possivelmente, ela já estava com a úlcera perfurada e em um quadro de choque, isto é, com infecção generalizada. Neste caso, ela precisa ficar em coma induzido, entubada e sedada”, avalia.

Isto quer dizer que é normal que, após uma cirurgia a que Elke foi submetida, o paciente permaneça em estado de coma induzido até conseguir completar o tratamento no hospital. “Afinal, ninguém aguenta ficar entubado acordado, por conta das dores”.

Nesta etapa, de acordo com o médico, o paciente permanece com um tubo na boca para facilitar a oxigenação, já que pode sentir dores e dificuldade para respirar. São ministrados medicamentos como antibióticos, anestésicos e diuréticos, além de remédios para controlar a pressão arterial. “Tudo para conseguir tirar a pessoa do choque com mais facilidade”.

Ao longo dos dias, o coma induzido se torna mais superficial e, então, o paciente tem condições de conversar e sentir-se recuperado. “É possível que isso aconteça cinco dias após a cirurgia, sim, mas não há um tempo médio para essa saída do coma”.

Fonte: Bolsa de Mulher