O Papa é o maior líder religioso dentro da igreja católica. É exatamente por isso que, na maioria das vezes, seus materiais escritos são densos e complexos. O Papa Francisco, no entanto, foi na contramão dessa lógica e lançou recentemente um livro onde, de forma leve a descontraída, responde a perguntas de crianças do mundo todo, incluindo o Brasil. O resultado é apaixonante mesmo para aqueles que não seguem a religião.

A seleção de 26 perguntas de crianças de vários países deu origem ao livro “Dear Pope Francis” (“Querido Papa Francisco”, em tradução para o português). Nele, as perguntas dos pequenos vêm acompanhadas de um desenho. A resposta dada pelo religioso é encontrada na parte de trás da folha.

A ideia foi de outro religioso, o padre Antônio Spadaro, editor da revista jesuíta Civilta Cattolica, que também ficou responsável pela seleção dos participantes.

Perguntas e respostas

Muitas das perguntas têm caráter bem infantil e abordam desde as vestimentas do religioso até o motivo de fazer catequese. Outras, no entanto, são mais pesadas e tocam, inclusive, adultos. O material foi divulgado por agências internacionais e o livro mostrado no programa Fantástico, da TV Globo. A seguir, veja alguma delas e a forma como o líder as respondeu.

O Ryan, um garoto canadense de 8 anos, perguntou o que Deus fazia antes de ter criado o mundo. O Papa respondeu que foi Deus quem criou o tempo. Mas que, acima de tudo, ele amava.

Do Quênia, Natasha, de 8 anos, indagou porque Jesus andou sobre as águas. Francisco explicou que isso aconteceu porque ele é capaz de fazer qualquer coisa.

Faith, que tem 8 anos e mora em Singapura, perguntou por que o líder usa aquele chapéu alto. Com a resposta, aprendeu que é por que ele é o símbolo de que Francisco é um bispo.

Basia, de 8 anos, da Polônia, fez uma pergunta simples: o que o Papa queria ser quando era criança? A resposta foi irreverente: açougueiro.

Alexandra, das Filipinas, tem 10 anos, e quis saber por que os pais dela discutem. O religioso surpreendeu quando disse que todas as pessoas discutem, inclusive ele, mas que é importante que as pazes sejam feitas antes que o dia termine.

Com 10 anos, Karla, da Nicarágua, perguntou se as pessoas más são assim por que não têm anjo da guarda. O líder explicou que todas as pessoas têm um. Mas que, caso ela quisesse, poderia rezar para o seu anjinho ser amigo dos protetores das pessoas que fazem o mal.

O sírio Mohamed, de 10 anos, tocou muita gente quando perguntou se um dia o mundo vai voltar a ser bonito. De acordo com Francisco, sim, porque o sofrimento não vai durar para sempre.

Dos Estados Unidos, William quis saber qual milagre o religioso realizaria caso tivesse apenas uma chance. Na resposta emocionante, o Papa diz que curaria todas as crianças doentes porque ele até hoje não consegue entender o motivo de os pequenos sofrerem.

Lucas, um australiano de 8 anos, quis saber se sua mãe, que hoje está no céu, vai ganhar asas de anjo. Com sensibilidade, Francisco respondeu que asas, não, mas que ela está mais linda do que nunca, sorridente e cheia de amor por seu filho.

Pergunta brasileira

Com crianças de tantas nacionalidades presente no livro, o Brasil não ficaria de fora. Ana Maria Galvão, que tem 10 anos e mora em Salvador (BA), teve seu desenho e sua pergunta selecionados para a obra.

Sua pergunta foi relacionada diretamente à prática religiosa: “Por que eu tenho que fazer catequese?”.

E a resposta do Papa, muito esclarecedora: “Você vai à aula de catequese para conhecer melhor Jesus. Quando temos um amigo, gostamos de conhecê-lo melhor, conhecer sua família, sua vida. E isso é bom. O catecismo ajuda a conhecer nosso amigo Jesus”.

Fonte: Bolsa de Mulher