Este ano, houve, na cidade de São Paulo, um aumento drástico nos casos de caxumba, uma doença bem conhecida, mas pouco falada nos últimos anos, uma vez que não era mais tão comum assim. Foram 41 casos da doença no ano de 2015 contra 274 só até o dia 30 de abril de 2016. Por que isso aconteceu e o que você precisa saber para se prevenir, nós contamos a seguir.

1. O que é e o que causa a caxumba?

A infectologista Helena Brigido, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia, explica que a caxumba é causada por um vírus de nome paramixovírus. Dentro do organismo, ele acomete as glândulas parótidas, que ficam próximas à mandíbula e têm como funções a produção de saliva e a defesa do organismo contra micro-organismos causadores de doenças. Inflamadas por conta da infecção, elas causam o inchaço na região do pescoço (típico da caxumba) e dão o nome técnico da doença: parotidite.

2. Por que estão aumentando os casos de caxumba?

Para a infectologista Helena Brigido, existe um conjunto de acontecimentos que estão contribuindo para o aumento dos casos de caxumba. A diminuição da imunidade causada pelos piores hábitos alimentares e de saúde, em geral, seria uma delas. Além disso, a caxumba tem contágio muito facilitado. Segundo a médica, os grandes eventos que estimulam o turismo no país também podem estar relacionados à queda da imunidade e maior circulação de algumas doenças.

Mas, para Helena, o mais grave fator contribuinte para a alta da caxumba refere-se ao abandono da vacinação. “As pessoas estão deixando de se vacinar”, diz.

3. Como se pega caxumba?

Assim como o vírus da gripe, o vírus da caxumba tem transmissão respiratória, ou seja, você o “pega” quando inala o micro-organismo proveniente de gotículas exaladas do corpo de outra pessoa ou quando toca uma superfície contaminada e leva a mão à boca ou aos olhos.

Mas a manifestação da doença depende da quantidade de vírus recebida e da reação do corpo em resposta à infecção que, em alguns casos, pode ser suficiente para impedir o desenvolvimento da caxumba.

4. De quem você pode pegar a doença?

O período de incubação do paramixovírus pode durar até três semanas, ou seja, nesse meio tempo, a doença ainda não se manifesta, mas já pode ser transmitida.

Apesar de não parecer, essa informação pode ser muito útil, principalmente para pessoas que frequentaram o mesmo local que pessoas que ficaram doentes e têm contato com idosos, por exemplo. Também serve para crianças que frequentam creches, situação em que os pais podem ficar mais atentos.

5. Como evitar a caxumba?

A melhor maneira de evitar a caxumba é lavar as mãos várias vezes ao dia, manter a imunidade alta – com boa alimentação, higiene e hábitos de saúde – e, principalmente, tomar a vacina.

6. Quanto a vacina protege?

Nenhuma vacina protege 100%, sempre é possível contrair a doença mesmo após a imunização. No caso da vacina tríplice viral, que protege contra caxumba, sarampo e rubéola, a eficácia é de, em média, 95%.

É importante lembrar que a vacina também promove a proteção cruzada, ou seja, caso se consiga vacinar boa parte da população, é provável que o restante também fique menos suscetível à contaminação, uma vez que a doença passa a circular menos.

A vacina deve ser dada na infância em duas doses. Caso você não tenha esse registro em sua caderneta de vacinação, não saiba se tomou ou de fato não tenha tomado, você deve tomá-la já adulto em dose única.

7. Quais são os sintomas da caxumba?

A caxumba tem sintomas gerais, que são, principalmente, febre, dor de cabeça e calafrios, e específicos, que são o inchaço e a dor na região do pescoço e a dificuldade para engolir.

8. É verdade que a caxumba pode “descer”?

Helena Brigido explica que o vírus da caxumba tem muita afinidade pela cadeia linfática, por isso, ele pode migrar das parótidas – que ficam próximas ao colar de gânglios do pescoço – para os órgãos sexuais – que ficam próximos ao amontoado de gânglios da virilha.

Em cerca de 30% dos homens que têm caxumba pode acontecer a orquite, a inflamação dos testículos que pode causar infertilidade. No caso das mulheres com caxumba, 5% podem ter ooforite, inflamação do ovário que também pode causar infertilidade.

Para evitar essas complicações, é importante fazer o tratamento adequado e manter acompanhamento com ginecologista ou urologista.

9. Tem outras complicações?

O paramixovírus pode ainda causar surdez temporária ou definitiva, menigoencefalite, que é a inflamação das meninges na altura do encéfalo e inflamações em outros órgãos, como os pulmões.

10. Posso pegar caxumba duas vezes?

Quem já teve caxumba dificilmente pegará a doença uma segunda vez porque o corpo já criou imunidade ao paramixovírus.

11. Como é o tratamento da caxumba?

A infectologista conta que, por ser uma doença causada por vírus, o tratamento envolve diminuir os sintomas, com remédios para febre, dor e inflamação, e manter-se bem hidratado, alimentado e em repouso por cerca de 10 dias.

12. Se eu tiver caxumba, tem algum remédio que eu não deva tomar?

A infectologista explica que nenhum medicamento com ácido acetilsalicílico, substância comum em analgésicos e presente na aspirina, pode ser tomado em casos de infecções virais por causa do risco de sangramento. “Muito se fala sobre o perigo do uso desse tipo de remédio em casos de dengue, mas o alerta vale para qualquer contaminação por vírus”, explica Helena. Opte por medicações à base de dipirona ou paracetamol.

Fonte: Bolsa de Mulher