Todo mundo já ouviu que as mulheres são falsas, invejosas e interesseiras ou que é melhor ter amigo homem porque eles são mais confiáveis. É exatamente essa ideia que reforça o mito da rivalidade feminina, problema que afeta todas – todas – nós. Jout Jout, youtuber que ficou famosa por abordar assuntos que afetam a vivência feminina, comentou especialmente para o Bolsa de Mulher qual é, na sua concepção, a saída para esse problema.

O que é?

A ideia de que mulheres são inimigas ou rivais, mesmo que não percebamos, é desde sempre inserida no nosso subconsciente. E isto acontece porque os valores sociais são inerentes à nossa criação e constantemente somos expostas às demonstrações da existência dessa suposta rivalidade. Novelas e filmes, por exemplo, mostram mulheres brigando e competindo entre si constantemente.

A consequência dessa construção é bem visível. Ainda na adolescência, jovens começam a competir com as colegas ou a dizer que preferem amigos em vez de amigas. A competição e o imaginário de rivalidade se intensifica na vida adulta. No mercado de trabalho, é comum presenciar a disputa de profissionais para se vestir melhor ou ser mais elogiada do que a outra, enquanto na roda de amigas, o medo de ser traída porque “mulher não é confiável” ou o hábito de fazer comentários maldosos sobre as outras é frequente.

Por que ela existe?

Mas, na ancestralidade a relação feminina não era construída em cima desse mito. De acordo com terapeuta comportamental Ramy Arany, o elo de união entre as mulheres foi rompido com a modernidade e com as novas estruturações familiares e deu espaço para a ideia de competição e rivalidade. Para a especialista, hoje somos estimuladas a não confiar na outra e – ainda mais grave – a enxergá-la como inimiga.

Por que me afeta?

Mas, mais do que fazer a constatação, é essencial entender por que esse tipo de comportamento é prejudicial. Além de reforçar o machismo, comportamento que impede a igualdade entre homens e mulheres, ele ainda pode prejudicar a outra na sua individualidade, afetando sua autoestima e segurança, por exemplo, fatores emocionais essenciais para uma vivência plena e feliz.

Mesmo em diferentes níveis e contextos, todas as mulheres estão sujeitas a serem vítimas dessa situação. Por isso, é preciso se esforçar constantemente para romper com a noção de que mulheres são inimigas. Não somos.

Mas, isso também não significa dizer que todas as mulheres devem ser amigas em quaisquer circunstâncias. O ser humano,independentemente do gênero, é cheio características, qualidades e defeitos e um indivíduo tem o direito de escolher com quais deles vai conviver. O problema, no entanto, está em atrelar automaticamente valores negativos a uma pessoa apenas porque ela é mulher. Desavenças e desafetos são naturais a qualquer relação, mas, existem formas educadas e respeitosas de se relacionar sem reforçar preconceitos.

Como superar: Jout Jout opina

Tantos anos ouvindo e vivendo essas experiências e a ideia já está internalizada. É por isso que muitas vezes a reproduzimos sem nem perceber. Para Jout Jout, que tem cada dia mais contato com mulheres e com os problemas que envolvem a nossa vivência, o problema é bem complexo e as causas são estruturais. Mas, uma boa alternativa pode ser a prática individual. Ela é simples e mostra muito mais do que preocupação com a outra mulher, mostra humanidade.

A palavra “empatia” é a aposta da youtuber. “A gente precisa conseguir se colocar no lugar de outras mulheres. Acabamos pressupondo que, sendo todas mulheres, já fazemos isso automaticamente. Mas, infelizmente isso não acontece. Então, eu reforço sempre que a gente não sabe o que acontece na vida daquela pessoa, não sabe o que ela viveu, não sabe o que ela sente. Mas, se você tentar se colocar naquela posição, vai ter uma ideia do que ela pode estar vivendo e isso ameniza as críticas, a raiva e o ódio”, explica.

Mas, como não é fácil muitas vezes não reagir a determinadas ações, a forma como Jout Jout lida com os comentários críticos e maldosos nas redes sociais pode servir de inspiração. “Quando o assunto é sério, eu tento mudar, respondo, explico. Mas, muito do discurso de ódio vem vazio, sem nenhuma intenção além de ofender. Então, eu tento identificar o que é sério e o que é ódio e o segundo tipo deixo sem resposta, ignoro”, finaliza.

Reconhecer e desconstruir alguns preconceitos não é fácil. Mas, é um belo desafio. Vamos tentar juntas?

Fonte: Bolsa de Mulher