Vítima de ataques racistas na internet, a cantora Preta Gil prestou depoimento na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), do Rio de Janeiro. Na denúncia, ela apresentou alguns links de perfis em redes sociais que se organizaram para publicar comentários agressivos chamando-a de “macaca” e dizendo que deveria “voltar para a senzala”.

Como denunciar crimes de racismo

No Brasil, de acordo com a Lei n. 7.716/1989, o racismo é crime inafiançável e imprescritível e abrange toda ofensa a uma coletividade indeterminada de pessoas, discriminando toda a integralidade de uma raça. Há, também, o crime de injúria racial, que é a ofensa à honra de alguém com base em sua raça, cor, etnia, religião ou origem.

O portal oficial do Governo Brasileiro informa que as vítimas de racismo ou injúria podem denunciar os crimes ligando no número 156, em seguida escolhendo a opção 7. No caso de Preta, a denúncia foi feita pessoalmente em uma delegacia.

As publicações na página da cantora tinham em comum a hashtag #MM, o que ajudou a polícia a identificar o grupo. O próximo passo é fazer um rastreamento para identificar cada um dos integrantes e quebrar o sigilo de 100 perfis, já que muitos não colocam seus nomes verdadeiros ou fotos nas redes sociais. “É fácil identificar. Sendo maiores de idade, vão responder criminalmente e, sendo menores, por ato infracional”, disse a delegada Fernanda Fernandes ao jornal RJTV. A pena é de 1 a 3 anos de prisão.

Casos de racismo na internet

A cantora usou seu perfil no Instagram para expor alguns comentários direcionados a ela. “Até quando veremos esse crime ser cometido impunemente na internet?”, questionou.

Assim como Preta Gil, outras famosas também já sofreram com ataques racistas pela internet, como a jornalista Maria Julia Coutinho, a cantora Ludmilla e as atrizes Cris Vianna, Sheron Menezzes e Taís Araújo. Em comum, o fato de terem sido cometidos por grupos organizados.

No caso de Taís, foram identificados suspeitos em sete estados brasileiros e cinco deles chegaram a ser presos, mas três foram soltos para responderem em liberdade aos crimes de formação de quadrilha, pedofilia e racismo.

Desabafo de Preta Gil sobre ataques racistas

No Facebook, Preta publicou um texto contando um pouco sua história e falando sobre os diversos tipos de preconceitos que sofreu ao longo da vida. “Desde muito nova convivi com o preconceito de quem não aceitava ver filho de negro em uma escola particular, de quem não consegue aceitar que uma pessoa pode se chamar Preta. Além do nome, sempre convivi com o fato de ser diferente aos olhos da maioria, de ser a filha do cantor, de não ter corpo de modelo de passarela, de mostrar meu corpo no meu CD, de casar com alguém mais novo e por aí vai”, disse.

Ela falou também sobre ter nascido em um país miscigenado e do orgulho que tem de suas origens. “Tenho em mim o sangue indígena dos meus tataravós, sangue negro do meu pai, sangue branco da minha mãe e um coração repleto de amor”, escreveu.

Sobre as mensagens de ódio que recebeu atacando sua cor, seu corpo e seu trabalho, ela disse que conhece seu valor e que esse tipo de coisa só a fortalece, mas que vai buscar justiça em seu nome e de quem mais se sentiu ultrajado. “Todos morreremos igual, não adianta nada atacar a opção sexual, o partido, o credo ou o time de futebol. No final da vida ninguém é diferente de ninguém e ao invés de nos atacarmos, nos matarmos, deveríamos nos unir para não aniquilarmos a dádiva que é viver. Quero Paz e justiça, pra mim e para todo mundo. Estou cansada dessa impunidade, dessa onda de ódio, de gente que escreve o que quer para atacar a quem está quieto”, desabafou. Leia o texto completo:

Fonte: Bolsa de Mulher