Oito anos após o assassinato da filha Isabella Nardoni, Ana Carolina Oliveira revela como conseguiu se recuperar após a perda trágica da menina e os preparativos para a chegada do segundo filho, fruto do casamento com o administrador Vinicius Francomano.

Isabella de Oliveira Nardoni tinha apenas cinco anos, quando foi jogada do sexto andar de um apartamento, na Zona Norte de São Paulo, em 2008. Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, respectivamente pai e madrasta da menina, foram condenados por homicídio doloso qualificado caracterizado como crime hediondo.

A história de dor da mãe da menina foi acompanhada pelo noticiário no Brasil inteiro, que se comoveu com seu sofrimento. Agora, ela decidiu falar sobre o processo de superação.

Em entrevista à revista Veja, Ana Carolina lembrou que as pessoas faziam plantão na porta de sua casa e como isso foi importante para que conseguisse seguir em frente. “A comoção das pessoas me dava força. Muitos choravam como se tivessem perdido o próprio filho”.

Trauma e superação

Pouco tempo após a tragédia, a mãe de Isabella Nardoni procurou ajuda religiosa e começou a frequentar o Santuário Terço Bizantino, do padre Marcelo Rossi.

Católica de formação, atualmente, ela crê no espiritismo. “Essa prática aliviou o meu coração, dando algumas explicações. Aqui era apenas um plano para a minha filha, a história dela não acabou. Ter partido tão cedo e daquela forma deve ter uma explicação”, acredita.

Em 2008, ela começou a fazer terapia três vezes por semana. Ela tomou a iniciativa dois meses depois da tragédia. “Chega uma hora em que a dor sufoca de tal forma que você precisa da ajuda de um profissional”, comentou ressaltando que nunca se permitiu “ir para o buraco”.

Além disso, ela conta que a sua mãe, Rosa Oliveira, esteve ao seu lado o tempo inteiro e foi essencial para que ela conseguisse superar o trauma.

“Com o tempo, aprendemos a nos acostumar com a dor. Alguns dias, no entanto, são mais difíceis que outros”, afirmou a avó de Isabella.

Sobre a sensação terrível que sentiu ao descobrir que a filha foi morta pelo próprio pai, Ana Carolina diz que não compara dores. “Não me fiz de coitada achando que os meus problemas eram maiores do que os dos outros”, afirmou.

Apesar de dizer que o carinho das pessoas a ajudou a superar esse momento difícil, Ana Carolina conta que demorou um tempo até se acostumar com o assédio das pessoas nas ruas e lembra que chegou a se sentir “usada” em algumas entrevistas que concedeu na época do crime.

“Se eu estava triste, me chamavam de coitada. Se sorria, era julgada por ter superado o luto”, desabafou.

Segunda gravidez

Grávida de oito meses, ela conta que na época que perdeu a filha nem sequer imaginava que um dia fosse se casar vestida de noiva e que fosse ter outro filho. A lembrança da menina só reforçou a necessidade de se refazer da dor.

“Lutei para voltar a ser feliz, pois essa é a imagem que a minha filha tinha de mim”, afirma.

A gravidez foi planejada, mas não encara isso como uma substituição, já que acredita que cada filho tem a sua história.

Questionada pela reportagem se vai contar para o filho o que aconteceu com a irmã, Ana Carolina disse que não tem como esconder nada, porque o caso está na internet, mas que tudo será feito de forma tranquila e em etapas.

“No começo, penso em falar que ele tinha uma irmã que não está mais entre nós. Depois, quando for mais velho, explicar como foi”, explica.

Se fosse viva, Isabella estaria hoje com 14 anos. A mãe se permitiu imaginar qual seria a reação da adolescente ao saber do irmãozinho e respondeu que, com certeza, ela ficaria feliz.

 

Fonte: Bolsa de Mulher