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Um medicamento que pode prevenir o contágio pelo vírus da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, que causa a Aids, antes mesmo de a pessoa se expor a ele deverá ser disponibilizado gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) até o final de 2016.

Ele é uma alternativa segura para casos em que uma pessoa não infectada mantém relações desprotegidas com um parceiro ou parceira que pode ter HIV ou para indíviduos que estão mais expostos ao vírus. O Truvada, nome comercial do medicamento, deverá proteger, segundo o Ministério da Saúde, até 10 mil usuários no primeiro ano de distribuição e terá como público-alvo grupos de alto risco de infecção pelo HIV.

Conversamos com o infectologista Ralcyon Teixeira, supervisor do Pronto-Socorro do Hospital Emílio Ribas, que explicou como funciona este processo – chamado Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) – qual é a porcentagem de eficácia, entre outros detalhes.

O Truvada já é aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, e poderá ser incorporado no SUS até o final de 2016. Ele deverá atender a grupos como homossexuais, profissionais do sexo, usuários de drogas, transgêneros e parceiros de indivíduos soropositivos, considerados de risco.

O comprimido é mais uma técnica de prevenção ao HIV, não substituindo ou eliminando, portanto, o uso de preservativo.

“Ele vem para somar com o preservativo e outras medidas seguras no sexo e é diferente porque parte de um conceito biomédico”, detalha o infectologista. “Isto é, envolve a prescrição do remédio com a prevenção. As outras são medidas pessoais, que dependem da atitude do indivíduo”.

Isto quer dizer que, se o paciente fizer sexo sem camisinha com um soropositivo ou se o preservativo furar, o remédio antirretroviral poderá zerar o risco de contágio por HIV.

“Ele foi liberado no Brasil desde 2012 e a possibilidade de ser incluído no SUS é uma ótima notícia, porque vemos um aumento do número de casos de HIV, que representa uma recrudescência da contaminação”.

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Os casos de contaminação pelo HIV estão aumentando entre jovens. O motivo é, provavelmente, a despreocupação em relação ao uso da camisinha

Como funciona

O Truvada evita o contato com o vírus HIV antes mesmo de a pessoa ter uma relação sexual desprotegida ou com falha no método de prevenção de barreira com alguém que é infectado. Para o efeito ser garantido, entretanto, o paciente deve tomar o medicamento todos os dias.

De acordo com o infectologista, a proteção efetiva se dá, em média, depois de uma semana para os homens e duas semanas para as mulheres, tanto para a prática do sexo anal quanto vaginal. “Se for o caso de relação anal entre homens, o período também é de duas semanas”.

O Truvada faz com que o vírus “morra” na área genital ou anal, evitando “a contaminação sistêmica” do organismo, como explicou o médico.

Pesquisa e eficácia

A eficácia deste medicamento, segundo estudos e testes realizados com pacientes, é de 80% a 90%. O Ministério da Saúde afirmou, por meio de nota, que atualmente financia dois estudos sobre a seguridade da prevenção da Aids realizados pela FMUSP e pela Fiocruz que utilizam a combinação dos antirretrovirais tenofovir e emtricitabitina.

Pessoas que têm problemas nos rins devem evitar o uso deste medicamento. Em todas as situações, deve haver acompanhamento médico para o tratamento adequado.

Profilaxia Pré-exposição sexual ao vírus HIV

A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) é uma forma de prevenção ao HIV em que a pessoa já está protegida caso tenha exposição ao vírus. Esta forma de prevenção é fortemente recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Caso o contato com o vírus já tenha sido estabelecido, o que acontece é a Profilaxia Pós-exposição sexual, também feita com medicamentos antirretrovirais que impedem que o HIV se reproduza dentro das células linfócitos. Sem se reproduzir adequadamente, o vírus fica inativado e não causa a Aids.

Neste caso, os remédios devem ser tomados em até 72 horas e por um mês, com eficácia em até 90% dos casos.

Fonte: Bolsa de Mulher