A estilista e ex-Spice Girl Victória Beckham usou as redes sociais para desejar feliz aniversário a sua filha Harper, de 5 aninhos. Na foto, publicada no Instagram, as duas estão dando um beijo na boca. O hábito, mais ou menos comum de acordo com a cultura de cada país, acendeu o debate: será que tem problema beijar o filho na boca?

Beijo em crianças: benefícios

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É fato que o beijo é um gesto de carinho essencial para desenvolvimento afetivo de uma criança. “O beijo, enquanto um gesto amoroso, é fundamental para o desenvolvimento emocional e a saúde global do bebê. O toque, o beijo, o olhar carinhoso, o colo e o tom de voz são investimentos afetivos importantíssimos para que o bebê se sinta cuidado e desejado”, explica Fernanda de Camargo Vianna, psicóloga do Hospital e Maternidade São Luiz.

Benefícios emocionais

A atitude, além de fazer com que o bebê se sinta amado, ainda estreita os vínculos com os cuidadores, da segurança emocional, contribui para o desenvolvimento da identidade humana e ensina para aquela criança que o afeto é muito importante em todas as relações.

Benefícios físicos

Mas, o gesto também traz benefícios físicos. De acordo com Dra. Juliana Rosis, pediatra do Hospital e Maternidade Santa Joana, com o toque, o corpo do bebê aprende a regular suas necessidades fisiológicas e sua produção hormonal, como os batimentos cardíacos e a temperatura corporal e a liberação de cortisol e endorfina.

É consenso, portanto, que beijo e outras formas de carinho fazem bem aos pequenos. A polêmica, no entanto, pode ser gerada quando os pais dão selinhos nos filhos.

O beijo na boca de bebês ou crianças é um hábito cultural e que mudar de acordo com cada região e composição familiar e, enquanto causa estranheza para uns, é muito natural para outros. Mas do ponto de vista de saúde, será que faz mal?

Pode beijar criança na boca?

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Pais que beijam os filhos

Para Charlotte Reznick, psicóloga americana que trabalha com o desenvolvimento infantil, o ato deve ser evitado, pois pode estimular a sexualidade da criança a se manifestar mais cedo.

Já a psicopedagoga Rosângela Hasegawa, diretora do Evolve Berçário e Colégio Infantil, acredita que não existem problemas na prática desde que ela seja medida e com limites muito bem estabelecidos.

Assim como acontece com famílias que tomam banho juntas ou que dormem na mesma cama, a depender da forma como esses gestos são colocados, eles podem, sim, estimular a erotização precoce.

Um dos maiores riscos é a criança vivenciar essa prática e agir da mesma forma em outras situações, com outras pessoas, e ser mal interpretada – não porque ela está pensando no ato sexual, pois ela ainda não tem experiências que liguem essa demonstração de afeto com sua sexualidade, mas sim porque tem aquilo como algo natural para si, enquanto para o outro pode não ser.

Por isso, segundo Rosângela, é importante explicar que aquilo é feito em família, que existe o pai e a mãe (ou dois pais, ou duas mães, a depender da configuração familiar), que eles namoram e beijam e trocam carinhos de uma forma específica; e existe o filho, que recebe carinho de filho, que é diferente dos outros. Essa diferença deve ser clara e aplicada em outras composições de grupo, como na escola, na casa dos tios e avós ou amiguinhos.

Filhos que beijam os pais

Em relações saudáveis, se criança tomar a iniciativa, psicólogos dizem que não há problema: é a forma como ela encontrou de demonstrar carinho. A criança ainda não tem malícia e, em um contexto familiar equilibrado, não encara o selinho com conotação sexual.

Mas, é importante mostrar que os carinhos são de tipos diferentes, reforçar que algumas demonstrações são permitidas apenas com conhecidos e que, a qualquer momento, se ela não quiser beijar, receber um beijo, abraçar ou receber um abraço de alguém, não deve ser forçada – exatamente para que aprenda que dar e receber carinho é positivo desde que ela queira e se sinta à vontade com a situação, especialmente na vida adulta.

Beijo em criança: cuidados com a saúde

Além dos aspectos psicológicos e emocionais, as condições físicas também merecem atenção. Segundo Rosângela, o carinho deve existir, mas é importante atentar-se para as condições de saúde e imunidade da criança, que pode não dar conta de protegê-la. Nesses casos, o beijo na boca pode ser fator de transmissão de bactérias e vírus.

A pediatra ainda alerta que o beijo deve ser dado na pele íntegra, evitando regiões de mucosa e lesões onde microrganismo podem ser transmitidos com mais facilidade.

Produtos que possam conter substâncias alérgicas, como batons, hidratantes e perfumes, devem ser evitados.

O selinho em bebês de até 5 meses também não é recomendado, já que eles ainda têm o sistema imunológico muito vulnerável.

Fonte: Bolsa de Mulher