A jornalista Beatriz Franco mudou totalmente de área e agora trabalha como atendente de um ateliê de doces em Santos, no litoral de São Paulo. A mudança não foi planejada, ela aconteceu por necessidade após seus trabalhos como freelancer não darem mais certo.

Beatriz sempre teve o sonho de ser jornalista. Aos 13, ela já tinha certeza que queria fazer faculdade de comunicação. Ela realizou o sonho, se formou em 2008 pela Universidade Católica de Santos, trabalhou em veículos impressos em sua cidade e, em São Paulo, trabalhou em assessorias de imprensa.

Mudanças profissionais    

Após ser demitida e buscar outros empregos sem sucesso, a jornalista decidiu voltar para sua cidade natal. “Não estava conseguindo mais nada em São Paulo, só traduções, coisas que eu conseguia fazer de casa e, por isso, voltei para Santos”. No litoral, continuou fazendo trabalhos como freelancer para empresas por pouco mais de um ano até que os trabalhos começaram a sumir.

Os primeiros meses de 2016 foram bastante decisivos. “Em quatro meses fiz só duas traduções. Um contrato que eu tinha como freela foi interrompido porque a empresa não tinha mais dinheiro. Tive que usar o que eu sabia para ganhar dinheiro e, por isso, comecei a dar aulas de inglês e espanhol”.

Até que em maio uma amiga contou que estava abrindo uma loja de doces e precisava de uma atendente. Durante a conversa, teve a ideia de se oferecer para trabalhar com a amiga, mas ficou com vergonha de fazer a proposta na hora.

“Fiquei remoendo aquilo, na dúvida se deveria fazer isso. Conversei com os meus pais que, no começo, ficaram receosos e pensei: ‘Tô precisando de dinheiro, confio na dona, ela confia em mim, sou boa em conversar com as pessoas’. E aí decidi me oferecer”.

Sensação de inferioridade

Apesar de ter se oferecido para o trabalho, no começo, considerava o cargo inferior. Ela conta que continuou nutrindo o preconceito por algumas semanas até refletir sobre o assunto.

Para o que ela chama de “exorcizar o preconceito de vez”, ela decidiu fazer um post reflexivo em sua conta no Facebook falando sobre sua mudança de área e o que ela mesma diz ser um “preconceito idiota”.

Prestes a completar um mês no novo emprego, Beatriz afirma que está muito feliz e que está vivenciando uma experiência diferente. “Eu estava muito fechada em casa, ficando chata, mal-humorada porque não tinha o que fazer, não tinha dinheiro… Hoje estou realizada, nunca gostei de ficar sem fazer nada. Trabalhar dá um ânimo muito grande”, conta.

Além disso, diz que está sendo uma ótima forma de ocupar a cabeça já que sempre tem movimento, conversa com as pessoas, ouve histórias e brinca, já que o objetivo do lugar é fazer as pessoas felizes.

Repercussão do post 

A história de Beatriz é parecida com a de muitas brasileiras que mudaram de profissão nos últimos anos por causa de dificuldades no mercado de trabalho. Sem perspectivas de empregos em suas áreas, muitas tiveram que descobrir novos talentos. Só que a história da jornalista e atendente de Santos acabou viralizando nas redes sociais.

Até o fechamento da reportagem, ela tinha 239 mil “curtidas” em seu Facebook em menos de dois dias. Sobre a repercussão do post em que fala sobre a vergonha que sentia em estar trabalhando como atendente, Beatriz conta que é assustador, que jamais imaginou que geraria tanta repercussão, já que sempre faz textos reflexivos em sua página.

“No começo a mensagem estava privada para amigos e aí eles começaram a pedir para que eu a tornasse pública para eles conseguirem compartilhar. Fiz isso e viralizou”.

De acordo com a jornalista, o post foi feito para exorcizar o seu preconceito de ter se tornado uma atendente. “No começo foi uma tristeza deixar de lado a profissão que eu gosto tanto, achava que ser atendente era pouco para mim, mas fui refletindo e percebi como estava sendo preconceituosa”, desabafa.

Na publicação, Beatriz revela que no começo sentia que a toca diminuía a sua vaidade, que sentia vergonha quando seus amigos a viam trabalhando como atendente, mas não pensou em desistir em nenhum momento e foi percebendo que isto não estava certo, que era ruim e decidiu mudar.

Agora Beatriz está muito mais feliz, continua fazendo traduções, dando aulas e em busca de um emprego no jornalismo. 

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Fonte: Bolsa de Mulher