Vivianne Pasmanter é atriz e está no ar na novela “Totalmente Demais”, onde dá vida à Lili, uma mãe de família que tolera, entre outros abusos, as traições do marido. Em uma aparente tentativa de defender a atitude de sua personagem, que persiste no casamento apesar dos problemas conjugais, ela deu uma declaração muito polêmica, e nós precisamos falar sobre ela.

“Se toda mulher se separasse por ser traída pelo marido, não existiria mais casamento”

Em entrevista à revista Ana Maria, Vivianne falou sobre sua personagem: “Uma mulher que está num momento difícil. Ela perdeu a filha há dois anos e não está conseguindo superar. Além disso, passa por uma situação de conflito com o marido, ele vive aprontando, dá umas puladas de cerca e ela tentou segurar enquanto pôde”.

Questionada acerca da dificuldade de Lili em pedir o divórcio, a atriz completou: “Não é que não conseguisse [terminar o casamento]: ela simplesmente não queria. Só que também não fechava o olho. Ela tentava impedir as traições de todos os jeitos. Mas…posso falar? Se toda mulher se separasse por ser traída pelo marido, não existiria mais casamento”.

Traição faz parte da natureza do homem?

Apesar do tom crítico da fala de Vivianne – que denuncia como a traição se tornou comum nos relacionamentos –, a declaração tem uma carga machista embutida, mesmo que isso não fique claro à primeira vista: ela reforça a ideia de que trair faz parte da natureza do homem, e que a mulher não tem escolha, a não ser se sujeitar a isso.

Reproduzir um discurso machista sem perceber é muito comum, afinal, nós, mulheres, ainda estamos aprendendo como se dão as relações de gênero na sociedade e quais são os pontos mais problemáticos. Enquanto aprendemos com nossos próprios erros, é importante prestarmos atenção nas falas e ações que nos parecem mais normais.

Esse é o caso da declaração de Vivianne, que não é incomum e tampouco exclusivamente dela. É muito corriqueiro ouvir homens e mulheres dizerem coisas parecidas, como “homem trai mesmo”, “homem tem necessidades sexuais diferentes das da mulher” ou “a traição é algo da natureza masculina”.

Um dos principais problemas de dizer frases assim é a afirmação implícita de que a traição é o comportamento natural dos homens e que, por isso, as mulheres não poderiam fazer nada exceto aceitar a situação.
Casamentos, namoros e uniões de toda sorte são como acordos firmados com concordância de ambas as partes. Caso o casal opte por manter um relacionamento fechado, monogâmico, e não se relacionar com outras pessoas, a traição não é aceitável.

Mais do que isso, vale destacar que o homem e a mulher têm plenas e iguais capacidades de controlar seus desejos sexuais, se assim desejarem.

Perdoar ou se divorciar: uma decisão individual 

Terminar um casamento motivada por uma traição ou perdoar e seguir em frente é uma decisão individual que não pode ser tomada como regra. Quando diz que “Se toda mulher se separasse por conta de traição, não existiria mais casamento!”, a atriz extrapola para a sociedade em geral uma verdade que não pode ser generalizada de tal maneira. Nem toda mulher é traída. E casos de traição (tanto de homens quanto de mulheres) podem ou não ser perdoados – mas isso é um julgamento particular.

Fonte: Bolsa de Mulher