Bilhete de ameaças a agente penitenciário deixado em veículo (Foto: Divulgação/Sinsap)
Um agente penitenciário do Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande foi ameaçado na terça-feira (19), um dia antes de seis servidores serem socorridos com suspeita de intoxicação na unidade. Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores da Administração Penitenciária (Sinsap), André Luiz Garcia Santiago, ele foi ameaçado por bilhete. Em um trecho do papel encontrado no veículo do agente diz: “tá ligado que você é o primeiro do caderno”.

Em outro: “caçando a morte aqui você não manda não”. O veículo estava no estacionamento do presídio.

O agente fez um boletim de ocorrência da ameaça.
Ao G1, a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) informou que, em toda e qualquer situação de ameaça, o serviço de inteligência faz acompanhamento para aplicar as medidas necessárias.

Um grupo de agentes penitenciários se reuniu em frente ao Hospital El Kadri na tarde desta quarta-feira (20) em solidariedade aos seis servidores socorridos com suspeita de intoxicação, no Presídio de Segurança Máxima. Cinco deles estão internados no local e outro permanece na Santa Casa da capital sul-mato-grossense.

Entre os agentes presentes, participou um agente que trabalha no presídio de segurança máxima. O funcionário de 35 anos estava de folga nesta quarta (20) e acredita que poderia estar entre as vítimas.

“Nunca imaginei que isso fosse acontecer, mas já era esperada uma retaliação”, disse o agente. De acordo com Santiago, três dos servidores que estão no El Kadri devem receber alta a partir desta quinta-feira (21).

Outros dois agentes que estão na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital devem continuar em observação, por terem demorado para reagir no procedimento de socorro. Eles passaram por dois procedimentos e tiveram melhora no segundo.

Santiago também classifica como retaliação o fato ocorrido no presídio e disse que os detentos “querem demonstrar poderio”. Agentes fizeram ato em solidariedade a colegasinternados com suspeita de envenenamento(Foto: Ronie Cruz/G1 MS)AtentadoSeis agentes penitenciários foram socorridos nesta manhã (20), no mesmo presídio, com a suspeita de envenenamento e intoxicação.

Os servidores tomaram café no local às 8h30 e após 45 minutos começaram a apresentar os primeiros sintomas.
Conforme a Agepen, cinco vítimas foram levadas para o Hospital El Kadri e um deles para a Santa Casa.

Em seguida, o delegado Fabiano Goés Nagata, titular da 3ª Delegacia de Polícia, além de peritos foram ao presídio. Eles identificaram dois possíveis detentos envolvidos no crime.

O Sindicato dos Servidores da Administração Penitenciária de Mato Grosso do Sul (Sinsap-MS) ressaltou que os servidores recebem ameaças constantes e, logo após o episódio dos ônibus queimados, a retaliação foi ainda maior, principalmente para aqueles que realizaram curso recente. DiagnósticoResponsável pelo Centro Integrado de Vigilância Toxicológica (Civitox), em Campo Grande, o médico Sandro Trindade Benites, foi acionado e atendeu as vítimas.

Ele suspeita de intoxicação por medicamento e envenenamento por herbicida.
“Cinco deles permanecem em observação nas próximas 24 horas.

Nenhum deles será liberado hoje. Aquele que está em estado mais grave ficará em observação por mais tempo.

Eles tiveram tremores, sudorese exagerada, chegando molhados no hospital e com sintomas nos olhos, característico do envenenamento por herbicida”, afirmou ao G1 o médico.
Aquele que está em estado mais grave permanece na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

“Ele teve diminuição do ritmo cardíaco, já que pode ter atingido o sistema nervoso central. Isso já caracteriza uma clara tentativa de homicídio”, finalizou o profissional.

Um pó branco foi encontrado com a garrafa de café e será periciado. Uma primeira análise indica que a substância seria utilizada como raticida e herbicida.

PrisõesApós uma ação de agentes penitenciários em treinamento, no Estabelecimento Penal de Segurança Máxima, houve uma represália por parte de detentos e incêndio em três ônibus na cidade, entre a noite da última quinta-feira (14) e madrugada de sexta (15).
A investigação identificou 13 pessoas e diz que a ação foi orquestrada por um detento de 19 anos.

Ele teria ligado para parentes e amigos, pedindo que provocassem pânico e incendiassem os veículos, conforme a polícia. Na ocasião, 71 aparelhos celulares foram recolhidos, além de droga para consumo e comércio no local, chips e objetos ilícitos.

Os envolvidos vão responder por 9 crimes, sendo furto, já que estavam com uma moto com registro na polícia, roubo, pelo fato de levarem aparelhos celulares das vítimas nos coletivos, associação criminosa, receptação dolosa, disparo de arma de fogo, dano qualificado, tráfico de drogas, incêndio doloso e também a tentativa de homicídio, já que atearam gasolina em um motorista e ameaçaram atear fogo.
.