Agentes durante terceiro dia de paralisação em MS (Foto: Sinsap-MS / Divulgação)
O terceiro dia de paralisação entre os agentes penitenciários, em Mato Grosso do Sul, é marcado por tensão e novas ameaças, segundo o presidente do Sindicato dos Servidores da Administração Penitenciária de Mato Grosso do Sul (Sinsap-MS), André Luiz Santiago. Nesta quarta-feira (27), ele disse ao G1 que os servidores estão sendo informados sobre a possibilidade de rebelião, a qualquer momento, no local.
Ao G1 a Agepen nega a informação e diz que mantém um monitoramento constante do sistema penitenciário em todo o estado.

“O clima está muito tenso, por isso estamos lutando por mudanças na rotina das unidades penais. Hoje, por exemplo, os servidores receberam ameaças de presos, sendo informados que a facção criminosa autorizou rebeliões e com isso a insegurança ficou ainda maior”, afirmou o presidente.

Conforme Santiago, mais 4 municípios aderiram ao movimento da categoria, totalizando cerca de 350 servidores. “Corumbá, Dois Irmãos do Buriti, Cassilândia e Bataguassu também estão na nossa chamada greve branca ou movimento tartaruga.

Ontem tivemos o apoio de Jardim, Dourados e Rio Brilhante. Nós não estamos exatamente aquartelados, pois os serviços essenciais não deixam de ser feitos aos presos”, comentou.

Para os detentos, o presidente diz que são dadas “muitas regalias” e isso corrompe a segurança das unidades penais. “Por dia temos cerca de 300 detentos soltos, circulando nas escolas, serviços de manutenção e outros.

Geralmente, eles ficam aos cuidados de apenas um agente e este está propenso a ser refém a qualquer momento”, explicou.
Entre outras reivindicações, a categoria pretende diminuir o tempo de banho de sol dos presos.

“Eles ficam cerca de 5 horas e o tempo deveria ser metade. Na Máxima, por exemplo, existem momentos em que cerca de 2 mil detentos ficam ao mesmo tempo”, afirmou.

AgressãoEm Naviraí, a 350 km de Campo Grande, um agente penitenciário teria sido agredido nesta terça-feira (26), ao levar um detento para a cela.
Segundo o presidente, o homem se recusou a voltar para o local e usou uma arma artesanal para ferir a vítima.

Ele teve ferimentos leves e passa bem, conforme Santiago. Polícia recolheu vestígios de possível inseticida emcafé (Foto: Polícia Civil de MS / Divulgação)AtentadoNa semana anterior, seis agentes foram hospitalizados com a suspeita de intoxicação e envenenamento.

As vítimas ingeriram café por volta das 8h30 da última quarta-feira (20) e, após cerca de 40 minutos, começaram a apresentar os primeiros sintomas. Todos já tiveram alta médica.

DiagnósticoResponsável pelo Centro Integrado de Vigilância Toxicológica (Civitox), em Campo Grande, o médico Sandro Trindade Benites, foi acionado e atendeu as vítimas. O profissional suspeita de intoxicação por medicamento e envenenamento por herbicida.

“Eles tiveram tremores, sudorese exagerada, chegando molhados no hospital e com sintomas nos olhos, característico do envenenamento por herbicida”, afirmou na ocasião o médico. Bilhete de ameaças a agente penitenciário deixadoem veículo (Foto: Divulgação/Sinsap)Ameaças constantesO Sindicato dos Servidores da Administração Penitenciária de Mato Grosso do Sul (Sinsap-MS) ressaltou que os servidores recebem ameaças constantes e, logo após o episódio dos ônibus queimados, a retaliação está ainda maior, principalmente para aqueles que realizaram curso recente.

Ao todo, 80 homens de Campo Grande e do interior passaram pela reciclagem. No entanto, aqueles que foram feridos atuavam especificamente na segurança da passarela, ainda conforme o sindicato da categoria.

Grupo preso por incêndio em ônibus responde por 9crimes (Foto: Graziela Rezende/G1 MS)PrisõesApós uma ação de agentes penitenciários em treinamento, houve uma represália por parte de detentos e incêndio em três ônibus na cidade, entre a noite da última quinta-feira (14) e madrugada de sexta (15). A investigação identificou 13 pessoas e diz que a ação foi orquestrada por um detento de 19 anos.

Ele teria ligado para parentes e amigos, pedindo que provocassem pânico e incendiassem os veículos, conforme a polícia. Na ocasião, 71 aparelhos celulares foram recolhidos, além de droga para consumo e comércio no local, chips e objetos ilícitos.

Os envolvidos vão responder por 9 crimes, sendo furto, já que estavam com uma moto com registro na polícia, roubo, pelo fato de levarem aparelhos celulares das vítimas nos coletivos, associação criminosa, receptação dolosa, disparo de arma de fogo, dano qualificado, tráfico de drogas, incêndio doloso e também a tentativa de homicídio, já que atearam gasolina em um motorista e ameaçaram atear fogo. Outro ladoEm nota, a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) informa que não há informação oficial sobre ameaças.

Não há registro de denúncias ou alertas na Agepen, ou mesmo na direção da Penitenciária de Segurança Máxima, feitas por servidores penitenciários nem por detentos quanto a ameaças de rebeliões.
É importante salientar que a Superintendência de Inteligência da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), com o apoio da Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário, realiza um monitoramento constante do sistema penitenciário, no sentido de se adiantar a possíveis ocorrências.

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