Maria Alice, Erika, Karol, Anabella e Eliane são amigas há 20 anos (Foto: Jamile Alves/G1 AM)
Pelo menos uma vez na vida alguém já ouviu dizer que “mãe é só uma”. A assertiva é sábia, mas não conta como regra, segundo um grupo de cinco amigas de Manaus. Companheiras dos tempos de escola, elas já somam 20 anos de amizade.

Mais do que confissões, nesse tempo elas também compartilharam a criação dos filhos, que também já possuem laços de “irmandade”. “É como se todo mundo fosse filho de todas”, disse uma delas ao G1.

Karol Pacheco, de 32 anos, Maria Alice Santos, 33, Érika Hayashi, 34, Eliane Sakamoto, 34, e Anabella Abrahim, de 35 anos – ou as Aemks, como nomeiam o quinteto – se conheceram em 1997, quando ambas eram adolescentes. Entusiastas das festas no Ensino Médio, as cinco promoveram de “baile de fim de mundo” a um casamento fictício para selar a amizade.

Amigas se conheceram no ensino médio(Foto: Reprodução)
A rotina de festas e encontros foi até 2000, quando a mais nova do grupo fez o anúncio. “Eu tinha 17 anos quando engravidei.

Eu estava desesperada. Eu tive muito apoio, mas foi um impacto, porque eu era muito nova”, disse Karol, mãe de Ruan Bezerra, hoje com 15 anos.

Muito se fala sobre a amizade depois dos filhos. A impressão que se tem é de que as duas coisas fazem parte de mundos completamente diferentes.

No caso de Karol, a situação tomou caminho oposto. Foi na maternidade que ela e as amigas fortificaram os laços de irmandade.

Uma prova disso? No dia do parto, as amigas chegaram no hospital antes dela.
O cuidado e a preocupação foram tão grandes que Maria Alice foi a primeira a trocar as fraldas de Ruan.

“Eu fazia curso pré-vestibular e assim que eu soube que ela estava indo para a maternidade eu corri a pé para lá. A mãe dela, que acompanhava tudo, precisou sair e acabou sendo eu mesma”, disse ela, que é enfermeira e ganhou no grupo de mães a função oficial de “conselheira da saúde”.

E foi Maria Alice a segunda “Aemks” a ter filhos. Primeiro veio a Lara, hoje com 13 anos, e depois Lucca, de 6.

O “babyboom” no círculo de amizade foi acompanhado por Érika, mãe de Henrique, 6; seguida por Eliane, mãe do Takeshi, de 5; e Anabella, mãe da caçula Anina, de 4 anos. Segundo Karol, a amizade depois dos pequenos se tornou ainda mais forte.

“Eles nos uniram ainda mais. Temos mil mais assuntos em comum”, disse.

Filhos das amigas continuam amizade (Foto: Jamile Alves/G1 AM)Dia a diaOs laços de 20 anos atrás permanecem, mas as rotinas agora são completamente diferentes. Para diminuir a distância física, elas mantém grupos em redes sociais, onde compartilham as conquistas dos filhos, desde a primeira apresentação de balé até a competição de natação.

É também por meio da internet que elas trocam dicas e tiram dúvidas sobre os desafios do dia a dia.
Uma vez por mês elas realizam encontros caseiros, regados a muita tagarelice, lembranças e risadas.

Em entrevista ao G1, as “Aemks” recordaram momentos memoráveis das festas na casa da avó de Anabella, das saídas de Karol com Ruan ainda bebê e da assistência ao longo dos 20 anos. Como uma grande família, as cinco ainda fizeram questão de lembrar os aniversários e de planejar o festejo dos filhos das amigas.

“Quando vai chegando o dia a gente já vai planejando cada detalhe. É sempre assim.

Eu ajudo na decoração. A Erika faz o bolo e, os doces que ela não faz, a Saka (Eliane) faz.

As outras ajudam. É como se fosse a festa do nosso filho mesmo”, contou Maria Alice.

Ao G1, elas relembraram início da amizade e momentos da maternidade (Foto: Reprodução)Amizade além das gerações Se de um lado da casa imperava o clima nostálgico das mães, de outro – ou melhor, de outro lado e por todos os cantos – os filhos brincavam, trocavam “figurinhas” e até gargalhavam com as histórias vividas pelas mães.
Com a forte proximidade das cinco, a sintonia entre eles é natural, conforme Karol.

“Eles são todos amigos. Claro que existe a diferença de idade, mas todos foram criados juntos.

Eles não se lembram de uma época em que viveram sem o outro”, afirmou.
Agora, a expectativa é de que a fraternidade entre os pequenos siga os mesmos passos daquela amizade construída desde os anos 90.

Para Anabella, a pequena Anina pode ser sua única filha, mas tem seis irmãos e, ainda, cinco mães.
“Eu sei que ela tem para onde correr.

Se ela brigar comigo na adolescência, por exemplo, ela tem pra onde ir. Porque esse é um lugar [o grupo] que ela se sente segura.

E eu sei que elas (amigas) vão sempre cuidar dela como se fosse filha delas”, completou. Com anos de amizade e dedicação mútua aos filhos, amigas se consideram ‘grande família’ (Foto: Jamile Alves/G1 AM)
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