Escolta começou a ser feita nesta quinta-feira, em Ariquemes (Foto: Rede Amazônica/ Reprodução)
Depois de ônibus escolares serem atacados por homens armados no Assentamento Terra Prometida, em Ariquemes (RO), viaturas da Polícia Militar (PM) passaram a escoltar os alunos até a escola infantil da região. A ação dos policiais, que começou nesta quinta-feira (5), está sendo feita também por causa das denúncias de moradores que alegam estar vivendo momentos de terror na área.   Há cerca de 20 dias, dois motoristas de veículos escolares foram agredidos pelos criminosos.

Também há relatos de agressões  produtores e assassinatos de animais domésticos. Diante do clima de “guerra”, as famílias se recusavam enviar os filhos à escola.

Conforme a agricultora Valcinéia Rezende, a escolta realizada pela polícia deixa a situação um pouco mais tranquila para enviar os filhos até a escola. “Por enquanto podemos agradecer de vê-los retornarem às aulas.

Cheguei a ir à escola, conversei com a professora da minha filha, mas ainda assim ela perdeu conteúdo. O nosso medo é em caso de a polícia sair e voltar a ficar perigoso, mas creio que tudo irá melhorar” comenta.

A mãe relata que depois de serem atacados dentro do ônibus escolar, os alunos desistiram de voltar à escola com medo de novos ataques. “Minha filha disse que não queria ir para escola, nem sair de dentro de casa devido ao susto” explica Valcinéia.

Outra mãe, Elza da Silva, conta que estava dando aula a um dos filhos em casa. “Tentei passar o conteúdo ao meu filho mais novo em casa.

O outro, de nove anos, que estava em época de avaliações só conseguiu fazer uma, pois no outro dia foram impedidos de ir. Estava com medo dele ser reprovado, o que seria a primeira vez desde que iniciou os estudos” afirmou.

AlunosPara a estudante Carla Almeida, o período de 20 dias que ficou sem poder ia à escola foi ruim, pois perdeu a única oportunidade de aprender e tentar ser alguém no futuro. “A educação é importante para todos nós, pois é o único meio de conseguir realizar os nossos sonhos, aí vieram essas pessoas e nos impediram.

Eu estava com medo até de sair de casa e acontecer alguma coisa comigo. Hoje estou muito feliz de poder voltar às aulas e rever os amigos”,celebra.

Alunos foram acompanhados pela PM na ida e volta para casa, em RO (Foto: Rede Amazônica/ Reprodução)
Conforme o diretor da Escola Municipal Padre Ângelo Spadari, José Roberto, os pais e os professores ficaram preocupados com toda situação escolar dos alunos. “Por conta da preocupação, os pais esperavam por uma resposta das autoridades para que tivesse mais segurança.

Acredito que agora tudo se normalizará e todos irão conseguir chegar à escola para concluir o ano letivo” concluiu.
De acordo com o Tenente Coronel da PM do Núcleo de Operações Aéreas (NOA), Eduardo Leal, aeronaves estão sendo utilizadas para combater a criminalidade na região, além de assegurar a circulação livre dos ônibus escolares.

“Depois das denúncias começamos a sobrevoar a região, nos próximos dias outra aeronave e mais policiais devem chegar a Ariquemes para aumentar a proteção”, esclareceu. Ações da PMO subcomandante do 7º Batalhão da PM, Major Alexandre Faria disse que foram identificados pelo menos cinco homens que seriam os autores dos ataques.

“Dois deles foram reconhecidos por meio de fotografia e foram presos e restam três soltos. A PM tem conhecimento dos fatos ocorridos, e deixa claro que as ações de patrulhamento no local são frequentes, mas agora foram intensificados”, revelou o major.

InícioOs agricultores que moram no local dizem que há o grupo de homens que vem realizando as represálias foram contratados por fazendeiros em 2015 para fazer a segurança das propriedades. Só que após os sem-terra terem sido expulsos da região, os vigilantes passaram a atacar os pequenos produtores.

Os moradores relatam que o grupo realizavam ataques frequentes, com saques em todas as casas e com agressões nas pessoas desde fevereiro deste ano.
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