Rapper se apresenta nesta sexta-feira em Juiz de Fora (Foto: Perfexx/Divulgação)
O rapper Criolo sobe ao palco em Juiz de Fora nesta sexta-feira (6) para relançar um disco feito há dez anos. Na nova turnê, que leva o nome do álbum de 2006 – Ainda Há Tempo, o repertório foi repaginado e tem a contribuição de produtores da nova geração do rap nacional.
Ele conversou com o G1 e lembrou de quando ainda era conhecido como Criolo Doido e cantava em bailes de colégio, festivais e batalhas.

Falou sobre o processo de criação, momento do Brasil e recordou o encontro que teve com o pai no último sábado (30), após voltar do Reino Unido, onde se apresentou entre 21 e 26 de abril. Rapper vai relançar disco de 2006 em nova sériede shows (Foto: Érico Andrade/G1)G1 – Como surgiu a ideia de relançar um disco antigo? Quais as semelhanças e diferenças entre os dois períodos?Criolo – Percebemos que queríamos celebrar a história, que teve seu ponto principal na gravação anterior.

Desta vez, foi gerada toda uma energia em torno dele, como aconteceu em 2006. O carinho, a vontade e a entrega de toda a equipe contam para o resultado do nosso material, mas muita coisa continua igual no mundo.

Quase tudo, infelizmente. G1 – Como eram suas apresentações em 2006 e o processo de composição nessa época?Criolo – Era do mesmo jeito que acontece hoje.

Essas coisas não mudam. Algo me emociona e, quando eu percebo, começa a nascer, da maneira mais natural possível.

É algo que te toma e aciona esse lado musical. Não necessariamente tudo vai virar canção, mas o que aciona, eu respeito.

No início, se tinha um baile no colégio ou uma festa, as pessoas me convidavam. Se estava rolando um festival de música, eu ia lá e me inscrevia.

Em uma batalha de rap, eu pedia para entrar. Desse jeito eu ia levando.

G1 – Você é considerado uma das referências do rap brasileiro atual. .

. Criolo – Olha, eu sou só uma pessoa que escreve rimas.

Sou igual a todo mundo, porque todos deixam sua marca no universo. O Hip Hop sim é uma energia muito forte, oferece vários caminhos positivos, onde você pode se banhar em novas culturas, fazer pesquisas.

Isso sim, para mim, é tudo. G1 – Algumas letras suas são atribuídas a significados distintos, assim como acontece com outros artistas.

Como você vê essa relação?Criolo – Às vezes, a pessoa faz uma letra que emociona, mesmo sem ter sido essa a ideia. Não é só quem está fazendo a canção e jogando energia, mas também tem o olhar do outro, como o outro enxerga o mundo.

Você faz uma canção para o seu filho acordar bem, mas isso pode servir para o país acordar bem, por exemplo. Cada um dá um significado diferente e uma força diferente.

Criolo vai relançar disco ‘Ainda Há Tempo’, gravado em 2006 (Foto: Otavio Sousa/Divulgação)G1 – Você é um cara muito político e, nas rimas, esbanja posicionamentos. É esse o papel do artista?Criolo – Todos nós somos assim e esse é um momento muito moribundo do país.

Parece que alguns movimentos ficam pensando “O que mais vamos inventar para enganar o povo?”. Isso não é novo, acontece desde que chegaram aqui oferecendo espelhos para colonizar os índios.

Na política, cada pessoa tem seus interesses e vai cuidando deles e eu acho isso errado. G1 – E como você acompanha tudo isso? O que acha dessa efervescência popular?Criolo – Enquanto se fomenta o ódio, as pessoas estão nas ruas se agredindo fisicamente.

O cara quer dar um soco no outro porque quer um Brasil melhor. Eu também quero, todo mundo quer, mas às custas do quê? Você tem uma construção de ideias, mas não necessariamente o que é bom para você é igualmente bom para o outro.

Tem gente que acha que escravidão, por exemplo, foi um favor para os negros, assim como algumas pessoas pedem a volta da Ditadura Militar. Para elas, a manutenção dessas coisas é normal, isso é manter um ambiente comum.

Eu não concordo, mas para elas é a ideia de um país melhor. Criolo vai se apresentar em casa de shows de Juizde Fora (Foto: Criolo/Divulgação)G1 – Dá pra enxergar uma solução?Criolo – O grande lance é, de alguma forma, os dirigentes da nação, que são tão estudados e preparados, equacionarem a situação, para que as coisas comecem a seguir um rumo justo.

Olha tudo que está acontecendo. Minha família lutou muito para sair de um barraco, mas não significa que todos que tentaram conquistaram.

A crise não é novidade para quem só viveu na miséria. G1 – Você acabou de voltar de Europa, apresentando esta turnê.

Como foi?Criolo – Foi muito positivo, com shows lindos. Pude ir a festivais com grandes nomes da música mundial.

É a primeira vez que a gente fez uma tour em um país só. Antes, sempre fazíamos em vários e acabava não dando tempo de fazer mais nada.

Dessa vez, foi bem melhor. G1 – A viagem foi uma tomada de fôlego para enfrentar a agenda cheia dos próximos meses?Criolo – Nem tanto, porque eu amo fazer isso.

Eu estava conversando com meu pai no sábado e disse a ele: “Eu já vi o senhor passar por tantas coisas, eu também já passei por algumas. A gente poder se abraçar hoje e conversar sobre coisas positivas é muito forte.

Isso independe do que você tem ou não no bolso”. Cara, eu realmente acredito nisso.

Poder ouvi-lo e aprender com ele vale qualquer coisa, agenda lotada, turnês, shows. ServiçoO show será no Capitólio, que fica na Rua Deusdedith Salgado, 4.

088, no Bairro Salvaterra. A abertura dos portões está programada para as 22h.

Os ingressos estão no segundo lote e podem ser adquiridos por R$ 50 (meia entrada) e R$ 100 (inteira). Também há venda de ingressos promocionais a R$ 70.

Neste caso, é necessário levar ao ponto de venda um quilo de alimento não perecível.
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