Fiscalização na Área Calma começou em novembro de 2015 (Foto: Luiz Costa/SMCS)
Em vigor há quase seis meses, a “Área Calma” fez o número de acidentes diminuir 28,8%, segundo os registros do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran). Localizada no Centro de Curitiba, a “Área Calma” fixa o limite de velocidade dos carros que trafegam na região em 40 km/h, com a monitoração de radares. A quantidade de feridos e de mortes também caiu na região.

O limite abrange 140 quarteirões, e o perímetro é compreendido entre as ruas Rua Inácio Lustosa, Rua Visconde de Nácar/Rua 24 de Maio, Rua André de Barros/Rua Nilo Cairo, Rua Manoel Ribas, Rua Luiz Leão e Avenida João Gualberto. Confira o mapa da “Área Calma”.

“Dos 140 quarteirões da ‘Área Calma’, 80% já tinha uma sinalização de 40 km/h. Eu fico triste porque a pessoa só consegue obedecer uma sinalização quando ela está ‘ameaçada’ por uma fiscalização eletrônica que pode resultar em um auto de infração”, afirmou a secretária municipal de Trânsito, Luiza Simonelli.

A pedido do G1, o BPTran fez um levantamento na região em dois diferentes períodos: de 15 de junho a 15 de novembro de 2015 – antes da fiscalização – e de 16 de novembro de 2015 a 16 de abril de 2016. A “Área Calma” passou a valer em 16 de novembro do ano passado.

Foram 76 acidentes a menos. No primeiro período, o BPTran contabilizou 263 acidentes, enquanto no segundo foram 187.

“O número de [quase] 30% não se comemora porque ainda acho pouco, mas é um avanço grande já. O que eu não posso comemorar é essa falta de observação por conta da sinalização que já estava lá.

30% é um número interessante, mas é um desafio a ser percorrido”, disse a secretária.
Eu fico triste porque a pessoa só consegue obedecer uma sinalização quando ela está ‘ameaçada’ por uma fiscalização eletrônica que pode resultar em um auto de infração”
Luiza Simonelli, secretária municipal de Trânsito
Na Rua Inácio Lustosa foram 41 registros no período anterior à “Área Calma” e 24 depois dela.

Os números equivalem a acidentes atendidos no local e a registros feitos no BPTran ou então pela internet, por meio do Boletim de Acidentes de Trânsito Eletrônico Unificado (Bateu). O número de feridos na via também foi menor, caiu de três para dois.

A única rua que teve um aumento no número de acidentes e de feridos foi a André de Barros: foram 39 registros anteriores à fiscalização e 47 posteriores, com quatro e seis feridos, respectivamente.
Na Rua Visconde de Nácar, no primeiro período aconteceram 43 acidentes que deixaram nove feridos e, no segundo, 39 registros e quatro feridos.

Na Rua Mariano Torres, a diminuição foi considerável – 109 acidentes e 14 feridos contra 60 registros e seis feridos. Por fim, na Rua Luiz Leão, os registros passaram de 31 para 17 acidentes.

Na Luiz Leão, a quantidade de feridos nos dois períodos foi a mesma: três. Porém, nos meses antecendentes à “Área Calma”, houve uma morte na via.

Nos posteriores, nenhum óbito foi registrado. ‘Área Calma’ fica na região central de Curitiba (Foto: Luiz Costa/SMCS)Mortes”O que é interessante frisar nessa ‘Área Calma’: nós não tivemos nenhum óbito mais.

O polígono escolhido para a ‘Área Calma’ não foi por acaso. Durante três anos [de 2012 a 2104], nesse mesmo polígono, nós tivemos 24 óbitos”, relatou Luiza Simonelli.

Para a secretária, é dever do poder público “agir antes do lamento”, no caso das mortes ocorridas no trânsito, e fazer a prevenção. “Existe um estudo da engenharia que exponencialmente, na velocidade de 40 km/h, se tem lesão em um eventual atropelamento ou em uma colisão, mas muito dificilmente a pessoa entrará em óbito”.

O que é interessante frisar nessa ‘Área Calma’: nós não tivemos nenhum óbito mais. ”
Luiza Simonelli, secretária municipal de Trânsito
“Esse polígono diminuiu a circulação de veículos.

Há uma diminuição constante. As pessoas estão utilizando outras vias alternativas, e os acidentes em torno dessas vias [da ‘Área Calma’] também tendem a diminuir”, afirmou.

De acordo com Luiza Simonelli, a Secretaria Municipal de Trânsito (Setran) ainda estuda a expansão da “Área Calma” no Centro. Além disso, ela garantiu que o projeto será levado para os bairros, mas ainda não tem uma previsão de quando.

“Para 2016, ficará difícil”, disse. RadaresForam instalados na “Área Calma” 22 radares para fiscalizar os motoristas.

Aquele que for flagrado com velocidade superior à máxima permitida em até 20%, cometerá infração média com perda de quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e R$ 85,12 de multa.
Quando a velocidade for superior à máxima permitida em mais de 20% até 50%, o motorista é multado em R$ 127,69 porque comete uma infração grave e, portanto, tem cinco pontos na CNH.

A infração é considerada gravíssima quando a velocidade superar 50% da velocidade máxima. São sete pontos na CNH e multa de R$ 191,54.

A partir de novembro, os valores das multas vão subir mais de 50%. Confira os pontos de fiscalização eletrônica:Rua Luiz Leão com Rua Cons.

AraújoRua Luiz Leão com Av. João GualbertoAl.

Carlos de Carvalho com Rua Visconde de NácarRua André de Barros com Travessa da LapaRua André de Barros com Rua João NegrãoRua João Negrão com Rua Pedro IvoTravessa Alfredo Bufren com Rua Pres. FariaRua Inácio Lustosa com Rua João ManoelRua Marechal Deodoro com Av.

Mal. Floriano PeixotoRua Cândido Lopes com Alameda Dr.

MuricyRua Marechal Deodoro com Rua Mariano TorresRua Tibagi com Rua Benjamin ConstantQuer saber mais notícias do estado? Acesse o G1 Paraná. Depois da implantação da ‘Área Calma’, nenhuma morte foi registrada no perímetro (Foto: Luiz Costa/SMCS)
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