Uma gravação apresentada pela Polícia Civil  à Justiça comprova o suposto envolvimento de policiais militares na série de mortes registradas no fim de janeiro em Londrina, no norte do Paraná. O áudio foi feito 40 dias depois da onda de assassinatos, quando policiais tentavam adulterar a cena em um suposto confronto com duas pessoas.  Na conversa gravada, os policiais militares pedem para que um aspirante leve convites até o local do confronto.

Segundo a Polícia Civil, os convites seriam armas de fogo colocadas na cena do crime para dar legitimidade à suposta execução cometida pelos policiais. A Polícia Civil comprovou que as armas desse caso foram usadas por policiais militares na mesma semana em que ocorreu a sequência de homicídios em Londrina.

A gravação é uma das provas coletadas pela investigação. – Sabe aqueles ‘convite’ que ‘cê’ tem aí? Os dois?- Qual?- Aqueles ‘convite’ que o Júlio deixou com você.

– Certo- Tem como ‘cê’ trazer pra nós aqui?
A série de assassinatos ocorreu entre os dias 29 e 30 de janeiro e terminou com 12 pessoas mortas na zona norte de Londrina.   A polícia ainda investiga outros cinco casos de assassinatos que podem estar relacionados às mortes em série, mas que ocorreram em outras datas.

Os crimes teriam sido uma reação ao assassinato do policial Cristiano Botino, de 33 anos, que morreu no hospital após ser baleado. “Nós temos um vídeo de casa de um vizinho, provas periciais e outras provas que ainda estão sob sigilo de investigação”, diz o delegado-geral da Polícia Civil, Júlio Mesquita.

Uma força-tarefa começou a investigar os casos um dia depois. Em abril foi preso um rapaz suspeito de atirar contra Botino, e na sexta-feira (13), as polícias Civil e Militar cumpriram sete mandados de prisão temporária, 25 de busca e apreensão e seis de condução coercitiva, que é quando a pessoa é levada para prestar depoimento.

A ação resultou em oito policias presos, dois deles foram detidos durante o cumprimento de ordem de condução coercitiva por porte ilegal de munição. Um homem, que não é policial, também foi preso por supostamente ter colaborado com os policiais militares.

A operação causou indignação em alguns policiais. No quinto batalhão da Polícia Militar em Londrina, alguns policiais se concentraram em frente ao quartel em um protesto silencioso contra as prisões.

A mãe de Cristiano Botino era uma das pessoas que estavam no ato em solidariedade aos antigos colegas de farda do filho.
“Se eles prenderem os policiais, mas não mostrarem quem foram os bandidos que mataram o meu filho, isso não é justiça”, reclama Claonilde Aparecida de Souza.

Já na região central, parentes de vítimas da chacina levaram cartazes para lembrar a série de crimes. O marido de Verônica Souza, Walcy Gomes Souza Júnior, morreu após ser atingido na barriga.

“Nós queremos saber quem foi e o motivo. O meu marido não era vagabundo, era trabalhador”, diz a esposa de uma das vítimas.

Na mesma noite e no mesmo lugar onde morreu Walcy, Paulo Cézar de Oliveira foi atingido por disparos de arma de fogo. Eles faziam um churrasco entre amigos.

 “Eu estou vivo porque Deus deixou, não era para eu estar aqui”, diz uma das vítimas.
Sete policiais foram afastados das funções até a conclusão das investigações.

O Comando da Polícia Militar também vai abrir processos administrativos contra todos os policiais que teriam participado da chacina. Se condenados, eles podem ser expulsos da corporação.

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